quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Batendo á porta da loja ...
Confira mais:
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AI DOURO, DOURO... NAVEGAS SAUDADES
QUANTAS...
QUANTAS SAUDADES DE UM POUQUINHO SABOROSO, APIMENTADO,
CREMOSAMENTE DELICIOSO DE UM QUEIJINHO LIMIANO...
JÁ NÃO HÁ QUEM O FABRIQUE ?!...
DEFINITIVAMENTE HAVEREI DE BASTAR-ME COM TERRA NOSTRA ?!...
TODO O TEMPO É TEMPO
O tempo é muito lento para os que esperam
Muito rápido para os que tem medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno.
William Shakespeare
Muito rápido para os que tem medo
Muito longo para os que lamentam
Muito curto para os que festejam
Mas, para os que amam, o tempo é eterno.
William Shakespeare
SONETO LXXXVIII
Quando me tratas mal e, desprezado,
Sinto que o meu valor vês com desdém,
Lutando contra mim, fico a teu lado
E, inda perjuro, provo que és um bem.
Conhecendo melhor meus próprios erros,
A te apoiar te ponho a par da história
De ocultas faltas, onde estou enfermo;
Então, ao me perder, tens toda a glória.
Mas lucro também tiro desse ofício:
Curvando sobre ti amor tamanho,
Mal que me faço me traz benefício,
Pois o que ganhas duas vezes ganho.
Assim é o meu amor e a ti o reporto:
Por ti todas as culpas eu suporto.
William Shakespeare
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

POR QUE TARDAS, meu anjo! oh! vem comigo.
Serei teu, serás minha... É um doce abrigo
A tenda dos amores!
Longe a tormenta agita as penedias...
Aqui, ao som de errantes harmonias,
Se adormece entre flores.
Quando a chuva atravessa o peregrino,
Quando a rajada a galopar sem tino
Açoita-lhe na face,
E em meio à noite, em cima dos rochedos,
Rasga-se o coração, ferem-se os dedos,
E a dor cresce e renasce...
A porta dos amores entreaberta
É a cabana erguida em plaga incerta,
Que ampara do tufão...
O lábio apaixonado é um lar em chamas
E os cabelos, rolando em espadanas,
São mantos de paixão.
Oh! amar é viver... Deste amor santo
— Taça de risos, beijos e de prantos
Longos sorvos beber...
No mesmo leito adormecer cantando...
Num longo beijo despertar sonhando...
Num abraço morrer.
Oh! amar é ser Deus!... Olhar ufano
O céu azul, os astros, o oceano
E dizer-lhes: "Sois meus!"
Fazer que o mundo se transforme em lira,
Dizer ao tempo: "Não... Tu és mentira,
Espera que eu sou Deus!"
Amemos! pois. Se sofres terei prantos,
Que hão de rolar por terra tantos, tantos,
Como chora um irmão.
Hei de enxugar teus olhos com meus beijos,
Escutarás os doces rumorejes
D'ave do coração.
Depois... hei de encostar-te no meu peito,
Velar por ti — dormida sobre o leito —
Bem como a luz no altar.
Te embalarei com uma canção sentida,
Que minha mãe cantava enternecida
Quando ia me embalar.
Amemos, pois! P'ra ti eu tenho nalma
Beijos, prantos, sorrisos, cantos, palmas...
Um abismo de amor...
Sorriso de uma irmã, prantos maternos,
Beijos de amante, cânticos eternos,
E as palmas do cantor!
Ah! fora belo unidos em segredo,
Juntos, bem juntos... trêmulos de medo,
De quem entra no céu,
Desmanchar teus cabelos delirante,
Beijar teu colo!... Oh! vamos minha amante,
Abre-me o seio teu.
Eu quero teu olhar de áureos fulgores,
Ver desmaiar na febre dos amores,
Fitos fitos... em mim.
Eu quero ver teu peito intumescido,
Ao sopro da volúpia arfar erguido
O oceano de cetim
Não tardes tanto assim... Esquece tudo...
Amemos, porque amar é um santo escudo,
Amar é não sofrer.
Eu não posso ser de outra... Tu és minha,
Almas que Deus uniu na balça edênea
Hão de unidas viver.
Meu Deus!... Só eu compreendo as harmonias,
De tua alma sublime as melodias
Que tens no coração.
Vem! Serei teu poeta, teu amante...
Vamos sonhar no leito delirante
No templo da paixão.
Serei teu, serás minha... É um doce abrigo
A tenda dos amores!
Longe a tormenta agita as penedias...
Aqui, ao som de errantes harmonias,
Se adormece entre flores.
Quando a chuva atravessa o peregrino,
Quando a rajada a galopar sem tino
Açoita-lhe na face,
E em meio à noite, em cima dos rochedos,
Rasga-se o coração, ferem-se os dedos,
E a dor cresce e renasce...
A porta dos amores entreaberta
É a cabana erguida em plaga incerta,
Que ampara do tufão...
O lábio apaixonado é um lar em chamas
E os cabelos, rolando em espadanas,
São mantos de paixão.
Oh! amar é viver... Deste amor santo
— Taça de risos, beijos e de prantos
Longos sorvos beber...
No mesmo leito adormecer cantando...
Num longo beijo despertar sonhando...
Num abraço morrer.
Oh! amar é ser Deus!... Olhar ufano
O céu azul, os astros, o oceano
E dizer-lhes: "Sois meus!"
Fazer que o mundo se transforme em lira,
Dizer ao tempo: "Não... Tu és mentira,
Espera que eu sou Deus!"
Amemos! pois. Se sofres terei prantos,
Que hão de rolar por terra tantos, tantos,
Como chora um irmão.
Hei de enxugar teus olhos com meus beijos,
Escutarás os doces rumorejes
D'ave do coração.
Depois... hei de encostar-te no meu peito,
Velar por ti — dormida sobre o leito —
Bem como a luz no altar.
Te embalarei com uma canção sentida,
Que minha mãe cantava enternecida
Quando ia me embalar.
Amemos, pois! P'ra ti eu tenho nalma
Beijos, prantos, sorrisos, cantos, palmas...
Um abismo de amor...
Sorriso de uma irmã, prantos maternos,
Beijos de amante, cânticos eternos,
E as palmas do cantor!
Ah! fora belo unidos em segredo,
Juntos, bem juntos... trêmulos de medo,
De quem entra no céu,
Desmanchar teus cabelos delirante,
Beijar teu colo!... Oh! vamos minha amante,
Abre-me o seio teu.
Eu quero teu olhar de áureos fulgores,
Ver desmaiar na febre dos amores,
Fitos fitos... em mim.
Eu quero ver teu peito intumescido,
Ao sopro da volúpia arfar erguido
O oceano de cetim
Não tardes tanto assim... Esquece tudo...
Amemos, porque amar é um santo escudo,
Amar é não sofrer.
Eu não posso ser de outra... Tu és minha,
Almas que Deus uniu na balça edênea
Hão de unidas viver.
Meu Deus!... Só eu compreendo as harmonias,
De tua alma sublime as melodias
Que tens no coração.
Vem! Serei teu poeta, teu amante...
Vamos sonhar no leito delirante
No templo da paixão.
Castro Alves
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Mas então estes não apareceram depois dos DINOSSAURUS?
De qualquer forma um pouco de ADN poderia esclarecer melhor :)
Ah...Crer...Crer ajuda. Não é necessário pensar.
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Incongroências
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Do bem , do mal ...

Desde que nascemos passamos a vida a tentar entender-nos.
Vivemos a esperança de entender os outros.
Não desistimos de procurar entender a quem amamos.
Desejamos que exista um Deus que nos entenda...
Não crer senão no homem, no indivíduo, como única medida de todas as coisas e admitir dolorosamente que existem coisas muito além das "nossas medidas"
Ou
Repousar o espírito, acalentar a alma, na crença de uma Entidade superior que tudo pode, tudo vê e o faz sempre, com adequação e justiça?!...
Admito que alguns dos meus neurónios têm sido massacrados por este dilema ao longo da minha vida.
Labirinticamente, como se da montagem diabólica de um artefacto insolucionável se tratasse, não encontro resposta que me vença...
Muito menos que convença ...
Hoje ao reler a síntese que transcrevo do Livro de Gênesis, não pude deixar de colocar-me uma questão :
Andarei eu por aí com uma costela de alguém ?
O seu darei a seu dono, a quem me demonstre legítima posse sobre esta costela que por aqui se aloja mesmo junto ao coração.
Faremos medições, comparações de massa óssea, de tamanho e ... quem sabe ... ( tamanho da costela, claro, nada de mal entendidos que temos no écran o nome de Deus...)
Contudo A QUESTÃO, a minha questão existencial não é essa. Não senhora.
Ora repare-se no texto transcrito :
*
"O primeiro homem da terra foi Adão.
Ele não nasceu como os outros homens, pois foi criado por Deus do pó da terra há aproximadamente 6.000 anos.
Depois de ter criado Adão à Sua imagem, Ele soprou em suas narinas e Adão tornou-se alma vivente.
Deus deu a Adão domínio sobre todos os animais que vivem sobre a terra e fez que todos temessem e obedecessem a Adão.
Deus não quis que Adão ficasse sozinho, então tirou uma de suas costelas e, a partir dela, formou Eva, para ser a esposa de Adão.
Deus deu a Adão e Eva um lindo jardim para viver chamado Éden.
Havia muitas árvores nesse jardim que davam bons frutos.
Havia também a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Deus deu-lhes permissão para comer de todas as árvores, excepto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Disse-lhes para não comer, ou morreriam.
Satanás, usando a serpente como ajudante, enganou Eva.
Satanás, usando a serpente como ajudante, enganou Eva.
Disse-lhe que comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal porque, assim, tornava a ser igual a Deus.
Vistos por Deus como pecadores, foram lançados para fora do jardim para envelhecer e morrer.
Antes do pecado, Adão havia lavrado apenas o jardim e vivia feliz com sua esposa.
Antes do pecado, Adão havia lavrado apenas o jardim e vivia feliz com sua esposa.
Depois do pecado, Deus amaldiçoou a terra.
A terra produziu espinhos e cardos, e Adão teve que trabalhar arduamente para produzir comida.
Adão viveu 930 anos e teve muitos filhos e filhas (Gênesis 5:4-5).
Adão morreu, mas, por causa do seu pecado, a morte sobreveio a todos nós."
Como é bom de adivinhar a questão é esta : quem conheça do bem e do mal é como Deus!!!
Conhecer do bem e do mal confere o poder de ir além da medida maior de todo o poder humano.
Ao ser humano só o poder faz falta para ser mais do que é.
Para ir além da sua dimensão humana ...
Por isso quem dispõe de poder dispõe da vida, mesmo da vida dos outros.
Estão a ver, neste segundo, outro dos meus neurónios deu sinal de excesso de carga ...
A vida é um insondável mistério...
Cá andamos nós, tentando matar a charada ...
E a mim, o que será que me falta : conhecimento do bem, ou conhecimento do mal ?...
Certo . Aceito e dou de barato : pode nem ser de um ou de outro, pode ser outra coisa ...
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foto de olhares.com,
Gênesis 1:26-28
domingo, 18 de janeiro de 2009
Por uma eternidade que não meço
A Lua surgiu, redonda, e distraíu-nos (na janela sobre a magnólia),
estava quase a dizer: " Não és tu o amor .
Eu só quero agarrar-te, ter-te
por uma eternidade que não meço ".
Correram os dias, a Lua surgiu de novo
(no vento leve, sobre a magnólia)
e disseste-me : "Parto amanhã ",
com a voz de quem não quer ferir,
enquanto afunda no ventre uma faca .
E uma confusa vontade de me sumir:
Nem uma voz que me vem chamar
No poço vazio onde estou aninhado.
É morte isto que já me encerra.
A memória está desfeita. houve um tempo
( a quem pertenceu se nada resta ?)
Quando esperava pelo teu regresso
E sofria, chamava, e tu aparecias
Muito te rindo desse meu sofrer.
Elio Pecora, tradução de Simonetta Neto
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quasi ed
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
sábado, 20 de dezembro de 2008
Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio,
quem não se deixa ajudar,
morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias os mesmos trajetos,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoínho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida a fugir dos conselhos sensatos. Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante...
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio pleno de felicidade
PABLO NERUDA
PABLO NERUDA
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domingo, 14 de dezembro de 2008
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Deambulando entre palavras ...

Saí à rua carregando uma mala fechada de palavras.
Percorri a cidade a sós com aquele conjunto de palavras gastas.
Palavras gastas, apesar de não utilizadas, sub – utilizadas, mal empregadas…
Deambulando numa semântica quântica, senti odores da palavra flor
Rimando com o calor enfumarado da menina das castanhas
Pequenina, a tiritar de frio, esfregava as mãos num encontro vazio
Entre a palavra esperança e a palavra solidão,
Entre a palavra sonho e uma vida dura, deixando adivinhar no olhar, não obstante,
Uma conjugação perfeita entre a palavra pobreza e a palavra ternura.
Segui entre pessoas que corriam carregadas pelas palavras comprar, enfeitar, alimentar…
Freneticamente, e sem que alguma falta lhes fizesse a palavra pensar.
Pensar…
Só se for na palavra presente…
Na palavra festa, abastança, comilanço…
Serão dias de muito sonho, muito enchido, muito doce, em ambiente garrido
Para empregar depois em fito fixo, na palavra exercício, num spa, para os que podem ou no ginásio que se alcança.
Pela rua também vi o velho que já perdeu toda a família e há muito não carrega
Consigo a palavra esperança,
O jovem que para o futuro olha sem conjugar a palavra confiança
Vi tanta gente que não conhece a palavra presente, a palavra festa, a palavra abastança
E o peso das palavras que carrego toma a proporção da palavra impotência, da palavra dor, apesar das palavras que ouço no gargalhar de uma criança.
Trilhando uma margem sem rumo, um trilho de um caminho de uma vida que sente demais para ser o que devia, para ser possível, para ser comum, para ser vivida,
Vejo diante de mim um homem mantendo-se de pé sobre a sua única perna que a meio da minha rua de palavras cruas mendigava dinheiro para comida.
Observo-o discretamente por alguns segundos.
Cruzam-se por ele tantas malas cheias de tantas palavras gastas
E ele diz … é Natal… ajude … é Natal
Passavam as palavras indiferença, pressa, o verbo trabalhar em modo imperativo…
E repentinamente o olhar do homem fixou o meu.
Elaborei o gesto para pronunciar a palavra caridade, abrindo a carteira em busca de umas moedas e aguardei a sua vinda
Ele aproximou-se e demonstrando que até sobre as mais íngremes rochas da existência
Se espelha docemente a luz da lua, disse-me:
- É Natal … é natal… com respeito… és linda, és linda como o Natal!!!
E eu que carregava tantas palavras gastas perdi todas naquele momento…
Restou-me apenas a alma e o olhar…
Serão palavras insignificantes mas tenho como certo que ele as guardou como um presente.
E eu encontrei um trilho percorrido na palavra silêncio que me acompanhou no regresso deste passeio de palavras sem sentido …
Percorri a cidade a sós com aquele conjunto de palavras gastas.
Palavras gastas, apesar de não utilizadas, sub – utilizadas, mal empregadas…
Deambulando numa semântica quântica, senti odores da palavra flor
Rimando com o calor enfumarado da menina das castanhas
Pequenina, a tiritar de frio, esfregava as mãos num encontro vazio
Entre a palavra esperança e a palavra solidão,
Entre a palavra sonho e uma vida dura, deixando adivinhar no olhar, não obstante,
Uma conjugação perfeita entre a palavra pobreza e a palavra ternura.
Segui entre pessoas que corriam carregadas pelas palavras comprar, enfeitar, alimentar…
Freneticamente, e sem que alguma falta lhes fizesse a palavra pensar.
Pensar…
Só se for na palavra presente…
Na palavra festa, abastança, comilanço…
Serão dias de muito sonho, muito enchido, muito doce, em ambiente garrido
Para empregar depois em fito fixo, na palavra exercício, num spa, para os que podem ou no ginásio que se alcança.
Pela rua também vi o velho que já perdeu toda a família e há muito não carrega
Consigo a palavra esperança,
O jovem que para o futuro olha sem conjugar a palavra confiança
Vi tanta gente que não conhece a palavra presente, a palavra festa, a palavra abastança
E o peso das palavras que carrego toma a proporção da palavra impotência, da palavra dor, apesar das palavras que ouço no gargalhar de uma criança.
Trilhando uma margem sem rumo, um trilho de um caminho de uma vida que sente demais para ser o que devia, para ser possível, para ser comum, para ser vivida,
Vejo diante de mim um homem mantendo-se de pé sobre a sua única perna que a meio da minha rua de palavras cruas mendigava dinheiro para comida.
Observo-o discretamente por alguns segundos.
Cruzam-se por ele tantas malas cheias de tantas palavras gastas
E ele diz … é Natal… ajude … é Natal
Passavam as palavras indiferença, pressa, o verbo trabalhar em modo imperativo…
E repentinamente o olhar do homem fixou o meu.
Elaborei o gesto para pronunciar a palavra caridade, abrindo a carteira em busca de umas moedas e aguardei a sua vinda
Ele aproximou-se e demonstrando que até sobre as mais íngremes rochas da existência
Se espelha docemente a luz da lua, disse-me:
- É Natal … é natal… com respeito… és linda, és linda como o Natal!!!
E eu que carregava tantas palavras gastas perdi todas naquele momento…
Restou-me apenas a alma e o olhar…
Serão palavras insignificantes mas tenho como certo que ele as guardou como um presente.
E eu encontrei um trilho percorrido na palavra silêncio que me acompanhou no regresso deste passeio de palavras sem sentido …
Maria
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É natal...,
Escritos da Maria
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Uma carta que podia ser ao Pai Natal ... afinal ...
Já abriu a Vila Natal . Venha ver : Óbidos! http://www.obidosvilanatal.pt/
O "quebra-nozes" é o tema deste ano do Óbidos Vila Natal. Quem se deslocar a Óbidos encontrará pela Vila, espaços como a Oficina do Relojoeiro, o Livro Gigante, a Terra do Gelo, a Floresta Encantada, a Aldeia dos Doces, a Aldeia dos Soldados de Chumbo, a Floresta Nevada e a Casa do Pai Natal.
Será segunda residência ?
Casa de férias ?
Em que termos será por tal tributado o referido cidadão ?
Eu por mim vou de mansinho, bato à porta e questiono : está alguém em casa?
Se encontrar um velhinho, de vermelho, gorduchinho, carente de bem fazer é que nem duas vezes penso, peço logo por presente, um beijo ao meu bem querer. Ritualmente, fecho os olhos, parto a noz e záz, trás, é suposto algo mágico acontecer ...
Feliz Natal, venham ver ... as nozes e ouvir as vozes ...
Bjinhossss desta vossa amiga
Maria
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vila natal
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
A guerra : sobreviver, sobreviver !!!
Mãe, tantas luzes, tanta cor...
Já é quase Natal de novo em Portugal !
A Susana partiu no ano passado,
diz que lá por França se conquista esperança,
que se sofre frio, o tempo é vazio, mas a casa é coberta e a comida certa
O João na Alemanha diz que muito estranha.
Que o pai camionista já tem certa a pista .
E torna para ele um dia à semana, que passa na cama...
E a Elisa...
Nada adiantou tudo o que empenhou por um patamar de excelência.
A sua família substituiu a vida, por simples sobrevivência
Assim,
garante à filha estudos em medicina, a que só acede em Valência...
Mãe é quase natal...
Vês quanta luz, quanta festa vão trazer a Portugal
Nesses dias coloridos aqueles dos meus pequenos amigos que se podem deslocar ...
Pelos rios de betão traçados à mão, a tal mão que saiu em busca de pão...
Mãe, a nossa terra é de novo um País de Emigração ?
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Estado da Nação,
Êxodo da juventude
domingo, 30 de novembro de 2008
Serenata
Permita que eu feche os meus olhos,pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,
e a dor é de origem divina.
Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.
Cecília Meireles
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