
sábado, 18 de abril de 2009
Atenção : há picos no telhado ...

sexta-feira, 17 de abril de 2009
Com vista para o céu da ... boca ...
Da tua voz
o corpo
o tempo já vencido
os dedos que me
vogam
nos cabelos
e os lábios que me
roçam pela boca
nesta mansa tontura
em nunca tê-los...
Meu amor
que quartos na memória
não ocupamos nós
se não partimos...
Mas porque assim te invento
e já te troco as horas
vou passando dos teus braços
que não sei
para o vácuo em que me deixas
se demoras
nesta mansa certeza que não vens.
Maria Teresa Horta
terça-feira, 14 de abril de 2009
MARIAS ... extraordinárias ...
Em Luanda, publica o seu primeiro livro - Três Mulheres (1935) - de parceria com Pinto Quartim Graça. Nesse ano regressa a Portugal. Vivia, então, do que escrevia para jornais e das suas obras, tendo mesmo algumas delas chegado à terceira edição. A sua obra tem também um pouco de autobiografia pois a sua experiência de vida é, por vezes, transposta para as suas personagens. O romance Aristocratas (1945) marca o seu afastamento da família que se vê retratada nas personagens do mesmo.
A sua vida foi nessa época particularmente difícil. Teve de lutar pela sua afirmação pessoal e profissional. Participa, então, em várias conferências, em Lisboa e no Porto, e faz várias entrevistas como jornalista (a Ester Leão e a Joaquim Manuel de Mãos, o “Pintor” por exemplo). A 5 de Julho de 1955 parte para o Brasil, depois de a sua obra ter sido perseguida em 1938 e 39, e terem-lhe apreendido o livro Ida e Volta duma Caixa de Cigarros e, em 1947, Casa Sem Pão.
Acompanhou, de perto, o julgamento do contestador da ditadura salazarista, capitão Henrique Carlos Galvão no Tribunal Militar de Santa Clara. Tendo-se proposto escrever um livro sobre o mesmo, vira a sua casa invadida pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) logo após o final do julgamento, em 1953. Viria a publicá-lo em 1959, no Brasil, sob o título Os Últimos Dias do Fascismo Português.
No Brasil, viveu pobre e doente, mas ainda escreveu bastante para alguns jornais, nomeadamente para O Estado de S. Paulo, Semana Portuguesa e Portugal Democrático. Naquele país, terá publicado cinco livros dos quais se conhecem apenas quatro: Terras onde se Fala Português, África sem Luz, Brasil, Fronteira da África e Os Últimos Dias do Fascismo Português (1959). Em 1974 ainda corrigiu os discursos dos candidatos às eleições legislativas e escreveu a propaganda para a rádio local. Em 1977 foi internada em São Paulo, donde terá saído para regressar a Portugal (26 de Abril de 1979).
Foi, então, internada na Mansão de Santa Maria de Marvila (Lisboa), lar onde permaneceu até à morte (23 de Janeiro de 1982).
A obra de Maria Archer foi bastante diversificada. Tendo iniciado a sua obra literária nas colaborações em periódicos (Acção, Correio do Sul, Diário de Lisboa, Eva, Fradique, Humanidade, Ilustração, Ler, O Atlântico, O Mundo Português, Portugal Democrático, Seara Nova, Sol, Última Hora, O Estado de S. Paulo e Gazeta de São Paulo), o primeiro livro publicado foi uma novela.
Atrever-nos-íamos a distinguir três fases na escrita da autora, sem pretendermos estabelecer compartimentos estanques. Assim de 1935 a 1944 (publica o seu primeiro romance Ela É Apenas Mulher) temos a fase em que foi sobretudo novelista ou contista. De 1944 a 1955 (data em que parte para o Brasil), atinge o auge da sua produção literária, revelando-se uma óptima romancista, observadora e narradora dos problemas que atingem a mulher dessa época. A terceira fase é iniciada em 1956, com a publicação de vários artigos no Portugal Democrático e publicação do livro que resultou da assistência às sessões do julgamento de Henrique Galvão. Com ele inicia a sua afirmação política, que coincide com a colaboração nos jornais Portugal Democrático e na Semana Portuguesa, ambos de São Paulo. Esta divisão não pretende ser rígida até porque, ao longo das três fases, temos uma linha condutora que é a dos ensaios e estudos sobre África e os costumes do seu povo (13 livros). Escreveu trinta livros em 28 anos, três deles chegaram à terceira edição e cinco tiveram três, o que mostra bem a receptividade do público à sua obra. Muito contestada por uns e muito apreciada por outros, todos lhe reconhecem um valor inigualável na literatura feminina do início do séc. XX. Na narrativa saltita da novela para o romance e deste para o ensaio ou literatura de viagens, chegando mesmo a focar os descobrimentos portugueses. Escreveu, também, 5 peças de teatro e ainda um romance de aventuras infantis e dois ensaios para que o público mais pequeno aprendesse um pouco de história de forma lúdica. No entanto, foi na forma audaciosa como retratou a mulher portuguesa e os seus problemas familiares e sociais que se tornou um marco na literatura feminina de meados do séc. XX. Dizia João Gaspar Simões, em 1930 «Não conheço mesmo outra (escritora portuguesa) que à audácia dos temas e das ideias alie uma expressão tão enérgica e pessoal. O seu estilo respira força e solidez.»
O texto é da Autoria de Dina Botelho e foi retirado daqui, aonde pode conhecer melhor a obra da escritora.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
MURMURIO
Quando eu morrer ... Quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não
tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.
Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"
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Fui pedir um sonho ao jardim dos mortos.
Quis pedi-lo, aos vivos. Disseram-me que não.
Os mortos não sabem, lá onde é que estão,
Que neles se enfeitam os meus braços tortos.
Os mortos dormiam... Passei-lhes ao lado.
Arranquei-lhes tudo, tudo quanto pude;
Páginas intactas — um livro fechado
Em cada ataúde.
Ai as pedras raras! As pedras preciosas!
Relâmpagos verdes por baixo do mar!
A sombra, o perfume dos cravos, das rosas
Que os dedos, já hirtos, teimavam guardar!
Minha alma é um cadáver pálido, desfeito.
As suas ossadas
Quem sabe onde estão?
Trago as mãos cruzadas,
Pesam-me no peito.
Quem sabe se a lama onde hoje me deito
Dará flor aos vivos que dizem que não?
Pedro Homem de Mello, in "Príncipe Perfeito"
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Maria
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Feliz Páscoa, feliz Abril ...
Para aqueles que sempre acham que terei "coelhinho" a tirar da cartola...
E para os que me conhecem como sou...
A todos, estou a desejar uma Feliz Páscoa.
Estarei ausente da net por um período curto de férias neste mês de Abril.
Abril dos "cravos" nas janelas, Abril tão cheio e de tão relevantes significados para mim.
Em Abril celebram o seu aniversário várias pessoas para mim especialíssimas.
Uma é sempre mais que todas as outras...
Uma data... mais que qualquer outra data...
Que todos sejam especialmente felizes.
Faço minha a vossa festa! Beijinhos !
sábado, 4 de abril de 2009
POEMA SOBRE A RECUSA
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.
Maria Teresa Horta
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Sozinho?!... Hum,,, deixe cá ver o curriculum...

quarta-feira, 1 de abril de 2009
Quem é que pensa na morte?

( http://http://www.telefone-amizade.pt/site/suicidio/)
Já é a sétima vez, exclamava ela. Olha os antecedentes criminais deste indivíduo à conta disto. Falta de jeito... Que faço ?
Nada criei.
Os mais fortes e perturbantes sinais são verbais: "Não aguento mais", "Já nada importa" ou "Estou a pensar em acabar com tudo". Estas expressões devem ser sempre levadas a sério.
Outros sinais comuns incluem:
Tornar-se uma pessoa depressiva e reservada
Ter comportamentos arriscados
Pôr os assuntos em ordem e desfazer-se de coisas valiosas
Demonstrar uma acentuada mudança de comportamento, atitudes ou aparência
Abuso de álcool e drogas
Sofrer uma grande perda ou mudança na vida
A lista seguinte fornece mais exemplos, que podem indicar que uma pessoa está a pensar em suicídio. Em muitos casos, estas situações não conduzem ao suicídio. Mas, geralmente, quanto mais sinais a pessoa apresenta, maior o risco de suicídio.
Situações
Antecedentes de suicídio na família ou violência familiar
Abuso sexual ou psicológico
Morte de um amigo intimo ou parente
Divórcio ou separação, fim de um relacionamento
Maus resultados nos exames, reprovar de ano
Perder o emprego, problemas no trabalho
Acção judicial pendente
Prisão recente ou libertação em breve
Comportamentos
Chorar
Lutar
Infringir a lei
Impulsividade
Auto-mutilação
Fonte: http://www.befrienders.org/"
Sofia cidade ...
LISBOA
Montagens gif
Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.
Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes
sábado, 28 de março de 2009
Começar de novo ...
O pior inimigo de um homem de bem é o peso da sua própria consciência
Maria
segunda-feira, 23 de março de 2009
Que bem lhe vai o mar, Senhor Professor ...
Recordo-me tão bem a primeira vez que escutei o Professor Jorge Miranda. Apresentava-se a uma turma de direito constitucional ainda numa fase muito inicial de um curso de direito, onde todos os sonhos de justiça parecem concretizáveis.domingo, 15 de março de 2009
Alma violeta
Ai as almas dos poetasNão as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas.
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!
Florbela Espanca
sábado, 14 de março de 2009
domingo, 8 de março de 2009
Amado amigo
Sai de encontro a um raiozinho de sol que me namora a pele.
A chamado dos arautos dos sentidos que habitam o Mar
Da minha terra.
O vento versejava-me dolente as pontas dos cabelos
E valsava com eles no meu rosto.
Aninhado ao meu pescoço, bordava novelos.
Em vão me esforçava por não conceder valsar com ele.
Segui o raiozinho de sol que a chamado dos arautos dos sentidos me conduz ao Mar.
Mar profundo do meu mundo, aonde raízes de limbo movediço
Se transportam nos veleiros ancorados no tempo, em que fora do tempo
Se afundaram vivos no centro da Terra, aonde não lograriam nunca navegar.
Tal como eles, quando os meus poros beberem do mel das águas
A minha alma deambulará valsando nas águas deste Mar
E quando te passeares nas margens destas águas
Escorregando do basalto duro da Terra que te prende
Pelas areias molhadas do meu etéreo mundo
Serão ainda os meus lábios que envoltos nos salpicos
Das águas te beijarão os pés…


















