segunda-feira, 20 de abril de 2009

LEVANTA-TE ...E... VIVE...


Não penses para amanhã. Não lembres o que foi de ontem. A memória teve o seu tempo quando foi tempo de alguma coisa durar. Mas tudo hoje é tão efémero. Mesmo o que se pensa para amanhã é para já ter sido, que é o que desejamos que seja logo que for. É o tempo de Deus que não tem futuro nem passado. Foi o que dele nós escolhemos no sonho do nosso absoluto. Não penses para amanhã na urgência de seres agora. Mesmo logo à tarde é muito tarde. Tudo o que és em ti para seres, vê se o és neste instante. Porque antes e depois tudo é morte e insensatez. Não esperes, sê agora. Lê os jornais. O futuro é o embrulho que fizeres com eles ou o papel urgente da retrete quando não houver outro.

Vergílio Ferreira, in "Escrever"

 

domingo, 19 de abril de 2009

Isso é uma pergunta séria ?


"O primeiro ministro José Sócrates vai responder em directo a perguntas da população na internet .
Qualquer pessoa pode enviar a partir de hoje perguntas a José Sócrates, dez das quais serão respondidas em directo no próximo dia 25 no site de apoio ao secretário-geral do PS."

Contaram-me ... ouvi dizer, nem sei bem onde que


fontes próximas de Manuela Ferreira Leite e de Paulo Portas deixaram já transparecer uma certa congeminação proposta por alguns apoiantes, no sentido de por a nu a verdadeira natureza poooolítica de José Socrates, rasteirando - o mesmo, alternativamente, cada um de per si, com a formulação da seguinte questão:



Cuidado ... primeiro...


Isto há gente muito mal intencionada....



sábado, 18 de abril de 2009

Atenção : há picos no telhado ...


De acordo com o que li na imprensa digital recentemente, caiu o tecto da uma escola de Queluz ferindo três professores.

Trata-se de escola pública e tanto quanto se alcança património imobiliário do Estado.

A quem cabe gerir tal património ?

Pode aceitar-se que está ausente de culpa uma entidade que tendo o dever legal de zelar por determinado património o descura até que caia sobre quem tem que de ali trabalhar e estudar?

Não será esta omissão criminosa?

Se não fosse trágico seria ridícula a opção do actual governo que dispõe dos impostos dos portugueses para pagar computadores aos miúdos, de utilidade duvidosa e os entreter, enquanto a "casa" lhes cai em cima ...

Haja vergonha!

Esta gente também é gente ...

http://queluz.org/2009/03/escola-ruy-belo-rtp/

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Com vista para o céu da ... boca ...



Da tua voz
o corpo
o tempo já vencido
os dedos que me
vogam
nos cabelos
e os lábios que me
roçam pela boca
nesta mansa tontura
em nunca tê-los...
Meu amor
que quartos na memória
não ocupamos nós
se não partimos...
Mas porque assim te invento
e já te troco as horas
vou passando dos teus braços
que não sei
para o vácuo em que me deixas
se demoras
nesta mansa certeza que não vens.
Maria Teresa Horta



terça-feira, 14 de abril de 2009

MARIAS ... extraordinárias ...

Maria Emília Archer Eyrolles Baltasar Moreira, na cena literária Maria Archer, nasceu em Lisboa, no dia 4 de Janeiro de 1899. Foi a primeira dos seis filhos do casal. Parece ter escrito versos, com frequência, durante a sua infância, mas deles nada resta. Começou, desde cedo, a viajar com os pais. (De 1910 a 1913 Ilha de Moçambique; 1914 Algés e, posteriormente, Sto Amaro; de 1916 a 1918 Guiné - Bolama e Bissau.).



Terá feito apenas a 4ª classe (terminada aos 16 anos, por iniciativa própria), pelo que podemos considerá-la uma autodidacta. Em 1921, encontramo-la em Faro com a família e aí casa com Alberto Passos, natural de Vila Real, no dia 29 de Agosto de 1921. Vão viver para o Ibo – Moçambique. Cinco anos depois regressam a Faro e de seguida vão para Vila Real. Trás-os-Montes é o último cenário de fundo do jovem casal. O casamento durou apenas dez anos. Vem para Lisboa mas os seus pais estavam, nessa altura, em Angola e para lá vai por volta de 1932.

Em Luanda, publica o seu primeiro livro - Três Mulheres (1935) - de parceria com Pinto Quartim Graça. Nesse ano regressa a Portugal. Vivia, então, do que escrevia para jornais e das suas obras, tendo mesmo algumas delas chegado à terceira edição. A sua obra tem também um pouco de autobiografia pois a sua experiência de vida é, por vezes, transposta para as suas personagens. O romance Aristocratas (1945) marca o seu afastamento da família que se vê retratada nas personagens do mesmo.





A sua vida foi nessa época particularmente difícil. Teve de lutar pela sua afirmação pessoal e profissional. Participa, então, em várias conferências, em Lisboa e no Porto, e faz várias entrevistas como jornalista (a Ester Leão e a Joaquim Manuel de Mãos, o “Pintor” por exemplo). A 5 de Julho de 1955 parte para o Brasil, depois de a sua obra ter sido perseguida em 1938 e 39, e terem-lhe apreendido o livro Ida e Volta duma Caixa de Cigarros e, em 1947, Casa Sem Pão.

Acompanhou, de perto, o julgamento do contestador da ditadura salazarista, capitão Henrique Carlos Galvão no Tribunal Militar de Santa Clara. Tendo-se proposto escrever um livro sobre o mesmo, vira a sua casa invadida pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) logo após o final do julgamento, em 1953. Viria a publicá-lo em 1959, no Brasil, sob o título Os Últimos Dias do Fascismo Português.

No Brasil, viveu pobre e doente, mas ainda escreveu bastante para alguns jornais, nomeadamente para O Estado de S. Paulo, Semana Portuguesa e Portugal Democrático. Naquele país, terá publicado cinco livros dos quais se conhecem apenas quatro: Terras onde se Fala Português, África sem Luz, Brasil, Fronteira da África e Os Últimos Dias do Fascismo Português (1959). Em 1974 ainda corrigiu os discursos dos candidatos às eleições legislativas e escreveu a propaganda para a rádio local. Em 1977 foi internada em São Paulo, donde terá saído para regressar a Portugal (26 de Abril de 1979).

Foi, então, internada na Mansão de Santa Maria de Marvila (Lisboa), lar onde permaneceu até à morte (23 de Janeiro de 1982).



A obra de Maria Archer foi bastante diversificada. Tendo iniciado a sua obra literária nas colaborações em periódicos (Acção, Correio do Sul, Diário de Lisboa, Eva, Fradique, Humanidade, Ilustração, Ler, O Atlântico, O Mundo Português, Portugal Democrático, Seara Nova, Sol, Última Hora, O Estado de S. Paulo e Gazeta de São Paulo), o primeiro livro publicado foi uma novela.

Atrever-nos-íamos a distinguir três fases na escrita da autora, sem pretendermos estabelecer compartimentos estanques. Assim de 1935 a 1944 (publica o seu primeiro romance Ela É Apenas Mulher) temos a fase em que foi sobretudo novelista ou contista. De 1944 a 1955 (data em que parte para o Brasil), atinge o auge da sua produção literária, revelando-se uma óptima romancista, observadora e narradora dos problemas que atingem a mulher dessa época. A terceira fase é iniciada em 1956, com a publicação de vários artigos no Portugal Democrático e publicação do livro que resultou da assistência às sessões do julgamento de Henrique Galvão. Com ele inicia a sua afirmação política, que coincide com a colaboração nos jornais Portugal Democrático e na Semana Portuguesa, ambos de São Paulo. Esta divisão não pretende ser rígida até porque, ao longo das três fases, temos uma linha condutora que é a dos ensaios e estudos sobre África e os costumes do seu povo (13 livros). Escreveu trinta livros em 28 anos, três deles chegaram à terceira edição e cinco tiveram três, o que mostra bem a receptividade do público à sua obra. Muito contestada por uns e muito apreciada por outros, todos lhe reconhecem um valor inigualável na literatura feminina do início do séc. XX. Na narrativa saltita da novela para o romance e deste para o ensaio ou literatura de viagens, chegando mesmo a focar os descobrimentos portugueses. Escreveu, também, 5 peças de teatro e ainda um romance de aventuras infantis e dois ensaios para que o público mais pequeno aprendesse um pouco de história de forma lúdica. No entanto, foi na forma audaciosa como retratou a mulher portuguesa e os seus problemas familiares e sociais que se tornou um marco na literatura feminina de meados do séc. XX. Dizia João Gaspar Simões, em 1930 «Não conheço mesmo outra (escritora portuguesa) que à audácia dos temas e das ideias alie uma expressão tão enérgica e pessoal. O seu estilo respira força e solidez.»

O texto é da Autoria de Dina Botelho e foi retirado daqui, aonde pode conhecer melhor a obra da escritora.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

MURMURIO

Quando eu morrer ...



Quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"



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Fui Pedir um Sonho ao Jardim dos Mortos

Fui pedir um sonho ao jardim dos mortos.
Quis pedi-lo, aos vivos. Disseram-me que não.
Os mortos não sabem, lá onde é que estão,
Que neles se enfeitam os meus braços tortos.

Os mortos dormiam... Passei-lhes ao lado.
Arranquei-lhes tudo, tudo quanto pude;
Páginas intactas — um livro fechado
Em cada ataúde.

Ai as pedras raras! As pedras preciosas!
Relâmpagos verdes por baixo do mar!
A sombra, o perfume dos cravos, das rosas
Que os dedos, já hirtos, teimavam guardar!

Minha alma é um cadáver pálido, desfeito.
As suas ossadas
Quem sabe onde estão?
Trago as mãos cruzadas,
Pesam-me no peito.
Quem sabe se a lama onde hoje me deito
Dará flor aos vivos que dizem que não?

Pedro Homem de Mello, in "Príncipe Perfeito"



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Maria

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Feliz Páscoa, feliz Abril ...

Photobucket

Para aqueles que sempre acham que terei "coelhinho" a tirar da cartola...

E para os que me conhecem como sou...

A todos, estou a desejar uma Feliz Páscoa.

Estarei ausente da net por um período curto de férias neste mês de Abril.

Abril dos "cravos" nas janelas, Abril tão cheio e de tão relevantes significados para mim.

Em Abril celebram o seu aniversário várias pessoas para mim especialíssimas.

Uma é sempre mais que todas as outras...

Uma data... mais que qualquer outra data...

Que todos sejam especialmente felizes.

Faço minha a vossa festa! Beijinhos !

Photobucket

sábado, 4 de abril de 2009



POEMA SOBRE A RECUSA

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.

Maria Teresa Horta

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Sozinho?!... Hum,,, deixe cá ver o curriculum...


Investigadores escoceses liderados pela Profª Universitária Benedict Jones realizaram um estudo que conclui que as mulheres procuram seduzir preferencialmente homens que se afiguram já seduzidos por outras mulheres particularmente belas ou atraentes e que os olham apaixonadamente.

Um homem sozinho ou acompanhado por uma mulher que nem chegue a empenhar o olhar para o disputar com outra, é à partida, um homem com pouco valor no mercado afectivo ou emocional.

Referem tais cientistas, psicólogos evolucionistas, que este comportamento já havia sido observado e estudado em outras espécies, designadamente peixes, mas foi empiricamente demonstrado pela primeira vez em humanos , sendo interpretado como resultado das pressões darwinianas.

Já os homens, pelo contrário, sentem-se inseguros e dificilmente aceitem como companheira estável uma mulher sobre a qual recaía muita cobiça por parte de outros homens. É para estes, um factor de risco de infedilidade com o qual não se mostram capazes de lidar.

E pronto, não há dúvida que mulheres e homens têm lá as suas convergências e divergências, sendo que para elas, tudo indica que é sempre melhor " com provas dadas"...

O que faz a felicidade daquela , por certo também ...

Enfim, Senhor cavalheiro, caso não disponha de uma bela mulher para provocar este " efeito imitação na escolha emocional", faça-se sempre acompanhar de curriculum vitae . Quem sabe ?!...


Este post é especialmente dedicado ao meu amigo Diogo a quem desejo a melhor inspiração e imaginação para manter a sua relação com a "Silvita", apesar de tão bonita :-).

Respondendo à tua questão : porque é que enquanto estava sozinho ninguém me ligava e agora quando entro num bar com ela, soltam-se "irresistíveis olhares"a dar azo a repetidas discussões indesejadas, aqui fica a resposta.

Como vês a ciência explica tudo... mesmo o que não sei explicar-te ... :-)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Quem é que pensa na morte?



( http://http://www.telefone-amizade.pt/site/suicidio/)



***

Muitas figuras de grande relevo, veneradas pelas respectivas obras, nos mais variados domínios, puseram termo às suas vidas.

É impressionante o número de suicídios ocorridos em Portugal, nas mais variadas idades.

Lidar com a adolescência, com a velhice, são dois dos momentos críticos para muitas pessoas, sendo que as "dores" inerentes ao processo de crescimento ou de envelhecimento são por vezes intoleráveis para alguns.

Tive um colega que aos 17 anos trabalhava já num Jornal em Lisboa. Era um rapaz reservado, dado a poucas falas, poucos sorrisos.
Ainda hoje recordo a sua expressão na única vez que o fiz sorrir imitando o discurso de um dos nossos Professores que acabara de se zangar com ele por chegar atrasado à aula.
Nesse dia, ele que nunca conversava com ninguém, sentou-se à conversa comigo. Falou-me dos problemas de relação com o pai, do seu trabalho de redacção no sótão da casa da avó em Cascais, do esforço para "ganhar o pão de cada dia", "pagar o curso" sem pedir auxílio ao pai.
Apenas o escutei por cerca de meia hora.
Depois desse dia não mais nos falamos.
Corria o primeiro trimestre escolar e à parte de um sorriso que tive sempre a compulsão de oferecer mesmo a quem não queira, uns "olá, então como estás?", nada mais nos dissemos.
Até que um dia, recordo que me sentei a meio do auditório, o que não era meu hábito, já que escolhia sempre ou as primeiras ou as últimas filas para sentar nas aulas.

Atrasado como sempre, cansado, noites sempre muito pouco dormidas e descansadas, ele entrou e empurrando alguns colegas acomodou-se ao meu lado.

Perguntou : começou faz muito, a aula ?
Uns 15 minutos, respondi. Podes passar os meus apontamentos, acrescentei.
Sobre o meu caderno escreveu " vou viajar, mas obrigado na mesma".
Ergui os olhos ao encontro dos dele, mas ele não os manteve nos meus.
Surpreendentemente, beijou-me na face e saiu da aula.
Nunca mais o voltei a ver.
Todos fomos a Cascais ao seu funeral. Nunca consegui contar isto a ninguém por sentir que não tive a necessária capacidade para compreendê-lo. Até hoje, este exercício de expiação por confissão revela bem como está ainda por ultrapassar esta questão.

A vida por vezes, até com a morte nos faz rir. Recordei o meu colega hoje porque outra amiga me contou um caso inusitado .



Um homem recém separado da esposa embriaga-se vezes frequentes com o propósito de se suicidar. Tenta-o sempre ao volante de um automóvel. Já desfez uns quantos e respondeu em Tribunal pelos inerentes crimes de condução com álcool. Ele é que sai sempre ileso.

Já é a sétima vez, exclamava ela. Olha os antecedentes criminais deste indivíduo à conta disto. Falta de jeito... Que faço ?
-Interna : parece-me estar doente.
Acho que o homem ficou mesmo internado no Serviço de Psiquiatria de um Hospital local.
Pus-me então a pensar: o que dizer, como tratar com alguém que quer por termo à vida ?

Nada criei.




Fui ver alguns sites e pareceu-me útil divulgar estes, pela simpatia, particularmente do primeiro projecto:

Sinais de aviso de Suicídio
O suicídio raramente é uma decisão repentina. Nos dias e horas antes das pessoas se suicidarem, existem pistas e sinais de aviso.
Os mais fortes e perturbantes sinais são verbais: "Não aguento mais", "Já nada importa" ou "Estou a pensar em acabar com tudo". Estas expressões devem ser sempre levadas a sério.
Outros sinais comuns incluem:
Tornar-se uma pessoa depressiva e reservada
Ter comportamentos arriscados
Pôr os assuntos em ordem e desfazer-se de coisas valiosas
Demonstrar uma acentuada mudança de comportamento, atitudes ou aparência
Abuso de álcool e drogas
Sofrer uma grande perda ou mudança na vida
A lista seguinte fornece mais exemplos, que podem indicar que uma pessoa está a pensar em suicídio. Em muitos casos, estas situações não conduzem ao suicídio. Mas, geralmente, quanto mais sinais a pessoa apresenta, maior o risco de suicídio.
Situações
Antecedentes de suicídio na família ou violência familiar
Abuso sexual ou psicológico
Morte de um amigo intimo ou parente
Divórcio ou separação, fim de um relacionamento
Maus resultados nos exames, reprovar de ano
Perder o emprego, problemas no trabalho
Acção judicial pendente
Prisão recente ou libertação em breve
Comportamentos
Chorar
Lutar
Infringir a lei
Impulsividade
Auto-mutilação
Fonte: http://www.befrienders.org/"


***

Sofia cidade ...

LISBOA

bla bla bla
Montagens gif




CIDADE

Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,
Saber que existe o mar e as praias nuas,
Montanhas sem nome e planícies mais vastas
Que o mais vasto desejo,
E eu estou em ti fechada e apenas vejo
Os muros e as paredes, e não vejo
Nem o crescer do mar, nem o mudar das luas.

Saber que tomas em ti a minha vida
E que arrastas pela sombra das paredes
A minha alma que fora prometida
Às ondas brancas e às florestas verdes

sábado, 28 de março de 2009

Começar de novo ...




O pior inimigo de um homem de bem é o peso da sua própria consciência
Mas o maior perigo para alguém de valor injustiçado, é o pânico que leva à precipitação...
A serenidade de um coração sincero num homem de valor e bem
Abre soluções e caminhos tal qual se fosse um toque animado pela magia divina dividindo as águas de um oceano profundo e derradeiro.
Acredita... sempre ...
Pode o mundo afastar-nos, entre pondo entre nós o peso e a fúria de um oceano revolto.
Ainda assim, a minha mão estará na tua ...
Maria

segunda-feira, 23 de março de 2009

Que bem lhe vai o mar, Senhor Professor ...

Recordo-me tão bem a primeira vez que escutei o Professor Jorge Miranda. Apresentava-se a uma turma de direito constitucional ainda numa fase muito inicial de um curso de direito, onde todos os sonhos de justiça parecem concretizáveis.
Naquela época cada palavra sobre direitos do homem que os tem pela exclusiva razão de Ser Pessoa, tinha uma grandiosidade difícil de descrever.
Como era bom acreditar que o aprendizado, o empenho, a esperança nos valores do direito e da justiça mudariam o mundo ...
Quanto esforço se colocou nesse propósito...
Quantas vezes tropeços, quedas, arremessos seguidos de tantos renascimentos quantos os do valor da nossa esperança...
Era tanta...
Acreditará mesmo no que diz, indagavam-se os discentes?
Nesse dia falando sobre a autodeterminação de Timor Leste invadido de dor três dias após o 25 de Abril , pela Indonésia e referindo o facto de por tal ocasião se ter assistido ao choro de alguns Timorenses que não pretendiam a saída do território dos Portugueses, declarando "queremos ser Portugueses, somos Portugueses", o Professor não conteve a voz embargada por uma lágrima autêntica à qual não podemos deixar de prender a alma .
Certamente não lerá a Maria, mas se por improvável possibilidade isso acontecer, saiba que jamais esqueci esse momento.
Acreditei que era real aquilo de que falava.
Acreditei ...
Ainda acredito.
Sei que a vida não terá alterado a sua natureza e que o Senhor Professor também acredita ainda nos Direitos Humanos, na importância de promovê-los, defendê-los.
Nada me assusta que o PS proponha o seu nome para Provedor de Justiça.
Será o PS que deveria assustar-se com isso.
Ficaria feliz com a sua nomeação. Tranquila.
E diga-me, Senhor Professor,
Evoluímos já o bastante para que me possa despedir do Senhor Professor deixando-lhe um beijinho?
Deixo, em qualquer caso.
Maria

domingo, 15 de março de 2009

Alma violeta

Ai as almas dos poetas
Não as entende ninguém;
São almas de violetas
Que são poetas também.
Andam perdidas na vida,
Como as estrelas no ar;
Sentem o vento gemer
Ouvem as rosas chorar!
Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas.
E eu que arrasto amarguras
Que nunca arrastou ninguém
Tenho alma pra sentir
A dos poetas também!

Florbela Espanca

sábado, 14 de março de 2009