sábado, 16 de maio de 2009

Menino, o que tu fizeste é crime ...

A imprensa digital dá nota hoje da detenção de um menor por presumível roubo e violação concretizada mediante o uso de ameaça com uma faca, a mulher de 26 anos, em Coimbra no passado mês de Abril.

Curiosamente, faz poucos dias, surpreendeu a notícia igualmente difundida na imprensa dando nota de que na escola de Pinhal Novo fora proibida a entrada e permanência no estabelecimento por parte de menores ostentando decotes pronunciados, mini-saias e calças com cintura descaída.

Tudo isto remete para um velho problema pouco estudado, pouco abordado e muito mal tratado : a sexualidade na adolescência.

Não há como não reconhecer que nos nossos dias os adolescentes se iniciam muito cedo na sexualidade. Desde as novelas, às imagens a que acedem na internet sem reserva, tudo apela a que essa experiência ocorra mais cedo.

Em regra, sem preparação física, psicológica e de estrutura mental.

Os Centros de Saúde noticiam a procura crescente por parte de meninas, entre os 10 anos e os 16 anos, para prescrição de pílula anticoncepcional, preservativos ou outros métodos destinados ao mesmo efeito.

Os rapazes, nessa faixa etária, tendem a delegar "o problema" nas meninas, via de regra, constituindo para estes aparentemente maior embaraço, procurar tais entidades para obter informação útil e necessária a quem pretenda desenvolver vida sexual activa.

Não raro, os próprios pais, adultos, lidam mal com os problemas inerentes à sexualidade.

Têm grande dificuldade em conversar com os filhos sobre este assunto e em assentar ideias sobre o que lhes deve ser transmitido, como e em que momento.

Apesar de inerente à sua humanidade, efectivamente é um facto que até aos nossos dias o Homem ainda não lida de forma equilibrada e saudável com este tipo de problemas.

E não solicita ajuda ou apoio especializado facilmente sobre o tema.

O encantamento do adolescente por uma mulher adulta que condensa aos seus olhos, por vezes, todos as características de sedução do seu imaginário, não é problemática nova.

Recorde-se o desempenho da bela Jacqueline Bisset no filme "Class" cuja personagem se envolve sexualmente com um menor, colega de turma do seu próprio filho.

Basta aliás lidar de perto com crianças nessa faixa etária, como educador, como mãe, para ter a percepção deste fenómeno, claramente.

Estas mudanças deveriam ser acompanhadas pelo legislador com a serenidade e a ponderação que o melindre da questão requer.

Diz -se que o governo pensa em criar penas criminais para menores de 16 anos.

Será esse o melhor caminho ?

Fui procurar alguns elementos sobre esta temática no reconhecimento de que importa reflectir para agir seja como pai, educador, ou simplesmente cidadão não indiferente ao destino da sua comunidade.

Espero que qualquer iniciativa legislativa nesta matéria não se faça a impulso irreflectido, como hábito nos últimos tempos e se faça preceder igualmente de algum estudo e ponderação dos interesses em confronto na matéria.

Recomendo que se espreite, por ex :

http://sexualidadeadolescencia.blogspot.com/

http://abrasuca.home.sapo.pt/quando_e_que_se_esta_preparado_p.htm

sexta-feira, 15 de maio de 2009


O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.

Mário Quintana

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Era uma vez ...


Pergunto-me muitas vezes quando é que as crianças crescem…
Nunca vemos as nossas crianças crescerem. Sabemos que elas crescem …
São tantas as vezes que tu, meu pequeno amor, me pedes uma história:
- Conta-me uma história, pedes dengosamente olhando-me com a profundidade infinitamente bela do teu negro olhar.
Uma das tuas “histórias”, daquelas que tu inventavas para me fazeres dormir, quando eu não adormecia a não ser segurando o teu dedo anelar, enquanto com a outra mão me acariciavas em movimentos de ternura suavemente as sobrancelhas, ou te embrulhavas nos caracóis dos meus cabelos.
Sabes, aquelas tão inéditas e extraordinárias que inventavas de olhar sorridente e que nunca sabias repetir da mesma maneira, mas reinventavas sempre melhores, em reacção às minhas reclamações pela divergência da narração.
Ou, melhor, vamos reinventar uma história. Uma daquelas que todos os miúdos sabem, já ouviram contar…
Deixa ver … hummm … capuchinho vermelho ?!
Branca de Neve e os Sete Anões ?!...
Vá lá … conta-me uma história…
- Pois é, Princesa Encantada, há matérias em que parece que nunca crescemos…
Então aqui vai. Sem reclamações pela divergência de narração sff :-) …


ERA UMA VEZ…

Uma simpática baratinha que por ser tão pequena e engraçadinha foi baptizada como Carochinha.
Carochinha viveu várias vidas, foi escrava, cigana, plebeia, rainha, gatinha, joana e também Carochinha.
Não é muito longa a vida de uma baratinha, por isso dedicava todo o tempo que tinha a um único propósito.
Cada dia de sua vida via nascer o sol com um pensamento repetido: encontrar o seu João Ratão.
João Ratão era na verdade um ratinho muito ladino e habilidoso que encantara carochinha numa de suas outras reincarnações.
É verdade, entre uma plêiade de pretendentes aos encantos da pequena baratinha, só João Ratão conseguira alcançar o seu coração.
Conta-se que noutras vidas bem passadas, ele recolhera de Eneida, a mais sibilina sereia que a Ulisses cantou, um som de voz divinal.
Era uma voz tão dengosa, morninha, deliciosa que a bela baratinha não teve como resistir-lhe.
Sucede que na ânsia de agradar ao seu doce João Ratão, Carochinha pôs em execução um extraordinário cozinhado.
Dizia-lhe a avó Carocha: “ menina, pelo o estômago é que as mulheres prendem os homens…”
E ela não foi de modas, logo achou que sendo rato o seu João, menor que homem não seria.
Queria vê-lo feliz, amá-lo e dar-lhe alegria.
Temperou com excepção uma real feijoada. Seria um belo manjar.
Mas todos sabemos a história, pobrezinha a Carochinha tombou-lhe o amor no jantar…
Nunca se soube depois como viveu Carochinha.
Mas constou-nos que depois de ver assim tão assado seu eterno rato amado, a pequena baratinha não continha o sofrimento.
Via-o a todo o momento como se fora ao seu lado.
Era um desassossego. Tristeza tão desmedida.
Foi então que o deus dos ratos apiedado da pobre, resolveu dar a João a possibilidade de viver uma nova vida.
Só podia ser perfeita a vida que se ante vinha, pois estava destinado a amar a Carochinha.
Mas João Ratão voltou ao mundo dos vivos um pouco confuso e desajustado.
Em vãs filosofias sobre o sentido da vida perdia o corpo chamuscado.
Certa vez, passando perto da casa de Carochinha viu um carreiro de formigas na labuta dedicada para levarem para casa um pedacito de queijo que na calçada encontraram.
Mirou-as pé ante pé…
E foi tal o seu espanto quanto mesmo junto ao canto, repara numa formiga, musculada, aguerrida, toda formas de saúde, que causou tal impressão, qual moça do “Galp” garrafão, passeando em seus bigodes uma nesga de torrão.
Abalou-se-lhe o coração e outras zonas vitais comuns entre os animais, quase se sentiu um homem.
Foi a correr atrás dela, aninhou-se aos seus lençóis enquanto a pobre Carochinha sonhava com a sua voz.
Até que um certo dia D. castora Luzia viu à porta da formiga aquela cena infernal: casado com Carochinha, renascido o animal, perdido pela formiga…
Foi a correr contar à amiga, com detalhes requintados, bordados a ponto cruz.
Ai Jesus, ai Jesus, chorou a pequena Carochinha sete noites e mais um dia.
Até que teve uma ideia. Se João era o seu rato só o traria a contacto a ideia de uma barriga cheia.
Para aprimorar-lhe o gosto pôs de parte o entrecosto e na janela, afixou flanela em faixa brilhosa, bordada com mão de fada:
CAROCHINHA PROCURA JOÃO RATÃO PARA NOVA CALDEIRADA
E no mais desculparão porque por nobre intenção, não posso contar mais nada…




Maria

sábado, 9 de maio de 2009

Flor de Sempre


Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosas duma imagem
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca ri alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doces almas de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!
Florbela Espanca

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Abre a janela ...

Conto de Fadas

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o ungüento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de oiro, a onda que palpita.

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa de conto: "Era uma vez..."

Florbela Espanca





terça-feira, 5 de maio de 2009

Mostra-me a mão... dir-te-ei ... quem és ...

Sempre tive uma espécie de fetiche por mãos. Admito.
As coisas que se adivinham através de uma atenta observação das mãos de alguém …
O toque …
A textura …
Os traços…
A força ou a suavidade…
Traços que se configuram traços de alma …
É daquelas minudências em que me punha a pensar como se doutro mundo fosse, como se decifrasse um código de leitura textual da epiderme que ninguém mais alcançasse, ou seja, pensamentos que não são deste mundo, vistos sejam por que olhos sejam.
Eis senão quando encontro este site: http://www.dollyneder.com.br/quirologia/curso.htm
E fiquei mesmo convencida que andava cá ao engano.
Não era única nas minhas filosóficas deambulações a respeito das mãos e do que me parecia possível perceber a respeito de alguém através delas, mas, realmente, não parece bem coisa deste mundo…
A Quirognóstica: estuda as relações recíprocas entre certas formas e proporções da mão e determinadas modalidades do carácter e do temperamento humano.
Procuro antes de mais apreciar no texto do link como classificar a minha mão.
E vejo:
Mão elementar: Pessoas relacionadas com tarefas rudes. Indiferença por coisas que não sejam as necessidades essenciais.
Mão quadrada: Não são inspiradas. Sabem levar ao fim ideias dos outros. Assumem responsabilidades.
Mão espatulada: Possuidor de energia nervosa. Estas pessoas estão desenvolvidas em alto grau. Precisam fazer uso de suas mãos em actividades manuais.
Mão cónica artística: Termo médio entre a mão pontuda e quadrada. Aptidão para criar e realizar. Prazer em ver-se rodeada de beleza.
Mão mesclada (mista): Qualidades e defeitos segundo o formato dos dedos. Dispersa seus esforços e energias em diversas direcções.
É nesse momento que visto o fato de mergulho do motor do Google e vou a fundo na pesquisa de mãos famosas, conhecidas, pelo menos, poderosas…
Observei estas:
Mais estas:
Estas que em regra se revelam , particularmente, para cumprimentar ou acenar

Mãos sonoras ... mesmo quando invisíveis :


E estas :
Tive a maior das dificuldades em enquadrar em alguma das categorias referenciadas.
Noto que não são quadradas.
Também não são espatuladas (apesar de aparentemente se roerem unhas o que também indicia “nervosa energia”)
Mas, ainda assim, não as rotulo, pois de "cónico" nada têm também estas mãos.
Serão mistas, mescladas?
Bem, não digo mais, mas é nada, não vá sair processada por olhar a sua mão …
E estas?
Bom estas mãos, não sei bem também se cabem na dita classificação. Porém sem sombra de dúvida ganham o prémio da nação . Permitido dizer seja, Excelentíssimo Senhor, que bela mão !


(foto retirada da capa da revista da ordem dos advogados nº 53, de abril de 2009 )

domingo, 3 de maio de 2009

Arco Íris

Pintei a boca de verde, do verde a que chamam esperança

Veio o Outono, alaranjou-me a boca e a confiança


Pintei a boca de azul, do azul a que chamam céu


Veio o Inverno e a chuva rasgou-o tal qual um véu


Então pintei de vermelho, carmim, a que chamam fogo


Nem as chamas dos sentidos te devolveram de novo...


Fui samba, fui carnaval, palhaço e ilusionista,


Pus na boca o arco -íris que todo o olhar conquista.


Mas mesmo assim não voltaste, não rompes o nevoeiro


Andas na vida à deriva, sem coração verdadeiro


Que te aqueça, que te beije, que te afague com a mão


Já te dei todos os beijos, a cor quente, porque não?


Já me dei toda a ternura, com candura de um irmão


Mas se tu nada recebes e todo o meu beijo é vão


Dou na boca a toda a gente o beijo só teu, então ...

Maria

Entre nós... sem palavras...

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Poema à Maternidade
Pode lá ser! Não quero! Não consinto!
Tudo em mim se revolta, a carne, o instinto,
a minha mocidade, o meu amor,
a minha vida em flor!
É mentira! É mentira!
Se o meu filho respira,
se o meu corpo consente,
a minha alma não quer!
Eu não quero ser mãe! Basta-me ser mulher!
Basta-me ser feliz!
E o meu instinto diz:
Acabou-se, acabou-se! Agora, renuncia,
começa a tua noite, acabou-se o teu dia!
Tens vinte anos? Embora! A tua mocidade
perdeu chama e calor, perdeu a própria idade.
Resigna-te. És mulher. Foi Deus que assim o quis.
Já foste flor. Agora és só raiz.
Não pode ser! É injusta a minha sorte,
não quero dar a vida a quem me traz a morte.
Recuso-me a sofrer. A minha mocidade
exige-me horizonte e liberdade.
O meu destino há-de ter outro brilho!
Vida, quero viver! E morro, morro…
Filho!
Pode lá ser, Jesus! Eu não mereço tanto!
Filho da minha dor, eu já não choro, canto!
Porquê, Senhor,
Há só uma palavra: amor, amor, amor!
Dai-me outra voz que nunca tenha dito
coisas más, coisas vis, e que saiba a Infinito.
Dai-me outro coração mais puro, mais profundo,
que o meu já se quebrou de encontro ao mundo.
Dai-me outro olhar que nunca tenha olhado,
que não tenha presente nem passado.
Dai-me outras mãos que as minhas já tocaram
a vida e a morte, o bem e o mal, e já pecaram.
Filho, porque seria? Ao vires para mim,
mudaste num jardim
os espinhos da minha carne triste.
E como conseguiste
pintar de sol as horas mais sombrias?
Meu menino, dorme, dorme,
e deixa-me cantar
para afastar
a vida, um papão enorme.
Vamos agora brincar…
Que brinquedo, meu menino?
O mar, o céu, esta rua?
Já te dei o meu destino,
posso bem dar-te a Lua.
Toma um navio, um cavalo,
uma estrela, o mar sem fundo.
Ainda achas pouco? Deixá-lo!
Se quiseres, dou-te o mundo.
Porque não queres brincar,
Porque preferes chorar?
Jesus! Que tem o meu filho?
Que vida estranha no brilho
do seu olhar?
Uma vida inquieta e obscura,
que eu não lhe dei,
anda a queimar-lhe a frescura.
Ainda hoje, meu filho, não sorriste,
e o teu olhar é triste,
cheiras a noite, a luto, a azebre…
Senhor, o meu filho tem febre,
o seu hálito queima, o seu olhar escalda!
Ele que ao respirar cheirava a cravo,
e tinha um olhar de estrela ou de esmeralda,
agora tem na boca um amargo travo
e cheira a noite, a luto, a azebre…
Senhor! O meu filho tem febre!
Tirai-me dos meus olhos céu e luz,
livrai-me da blasfémia… Deus, Jesus,
pois se o meu filho morre, se agoniza,
porque há flores no chão que ele não pisa?
Se num coval o hei-de pôr, de rastros,
porque estarão tão alto os astros?
Senhor, eu sou culpada, eu sei o que é o pecado,
mas ele, meu Jesus, ainda não tem passado.
Para mim não há mal que não aceite,
mas ele, ainda tão perto do teu céu!A sua vida era beber-me o leite…
No olhar com que me olhava tinha um véu
de neblinas, de névoas de outras vidas.
Às vezes tinha as pálpebras descidas
e punha-se a chorar no meu regaço,
com saudades, talvez, do céu, do espaço.
O meu filho tem febre!
Porque andam a cantar pelos caminhos?
Porque há berços e ninhos?
Vida! O meu filho era belo,
o meu filho era forte!
Vida, que mãe és tu? Defende-me da morte!
Vida, Vida, Vida…
Louvado seja Deus! A morte foi-se embora,
já não tens febre agora!
O meu menino vive,
este menino, o meu, que só eu tive!
E o meu menino chora, e eu posso já cantar!
E o meu menino ri, e eu posso já chorar!
E o meu menino vive e toda a vida canta,
toda a terra é uma fresca e sonora garganta!
Que toda a gente o saiba e toda a terra o veja!
Louvado seja Deus!
Louvado seja!
(Fernanda de Castro)


sexta-feira, 1 de maio de 2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Deixa-me morrer ...

Não, não falo de mim :


Mas por vezes a morte não pede permissão ...

*

Ao longo dos últimos meses têm sido noticiados diversos suicídios que a imprensa tem correlacionado com o momento de crise económica que estamos a viver.
Recentemente, em Portugal, o coordenador do Programa Nacional de Saúde Mental admitiu aos jornalistas que "as doenças mentais comuns estão e vão aumentar com esta crise devido a factores ligados à depressão e à ansiedade"



*

A questão que me atormenta:

Pedro só queria por termo à sua vida. Ou talvez chamar a atenção de quem amava para a insuportabilidade da dor que carregava.

Pedro montou todos os artefactos próprios e adequados a fazer explodir o local aonde se encontrava. Depois deitou-se à espera desse momento.

Contudo, o filho que ali chegou entretanto alcançou retirá-lo do local, vivo, incólume.

Porém quando regressou para "desfazer" a engrenagem montada, algo escapou ao seu domínio e veio a falecer por via de explosão incontrolada que fez várias outras vítimas.

Pedro sobreviveu. Está acusado de ter praticado um crime de explosão .

Será isto acertado ?

Sabia que tais artefactos podiam proporcionar perigo, perigo para a vida...

Mas alguém num momento em que quer por termo à vida , pretende magoar outrem que não a si próprio ?

Alguém sabe a resposta ...

Diz-me em segredo ...


"O deputado do PS, Manuel Alegre, classificou esta noite de “ intolerável” o caso dos interrogatórios a alunos de uma escola de Fafe feitos por um inspector da Educação. O objectivo era apurar o eventual envolvimento de professores no protesto que incluiu o arremesso de ovos à ministra Maria de Lurdes Rodrigues, aquando da sua visita à Escola Secundária de Fafe, em Novembro."


Com efeito é muito pouco educativo . Ou melhor, chama-se a isto formar "carácter de bufos".


Há sempre quem veja utilidade na educação... para o que quer que seja ...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Lírios da alma


Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mário Quintana, Espelho Mágico


O CORAÇÃO
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O coração é o colibri dourado

Das veigas puras do jardim do céu.

Um — tem o mel da granadilha agreste,

Bebe os perfumes, que a bonina deu.


O outro — voa em mais virentes balças,

Pousa de um riso na rubente flor.

Vive do mel — a que se chama — crenças —,

Vive do aroma — que se diz — amor. —

Castro Alves

M A R I A
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Onde vais à tardezinha,
Mucama tão bonitinha,
Morena flor do sertão?
A grama um beijo te furta
Por baixo da saia curta,
Que a perna te esconde em vão...

Mimosa flor das escravas!
O bando das rolas bravas
Voou com medo de ti!...
Levas hoje algum segredo...
Pois te voltaste com medo
Ao grito do bem-te-vi!

Serão amores deveras?
Ah! Quem dessas primaveras
Pudesse a flor apanhar!
E contigo, ao tom d'aragem,
Sonhar na rede selvagem...
À sombra do azul palmar!

Bem feliz quem na viola
Te ouvisse a moda espanhola
Da lua ao frouxo clarão...
Com a luz dos astros — por círios,
Por leito — um leito de lírios...
E por tenda — a solidão!

Castro Alves

quarta-feira, 22 de abril de 2009

V E R D E


Deixa-me desistir de ti
Como num encontro repetido entre penas de mil eras
E traçado em véus de fumos mutilados,
Para esquecer que te dei a alma de todos os meus sonhos
E a força de toda a vontade
Na concretização de uma visão que não me pertencia.

Será o silêncio a minha promessa,
O vazio como futuro
De quem deixou as asas rasgadas no chão,
E apenas a noite alcançará a minha voz amordaçada
Nos primórdios do poema.

Não sou ninguém…
Nada mais que o pálido reflexo de um espelho estilhaçado,
Um grito no amanhecer
E as lanças dos meus dedos estendem o sangue da derrota
Que estrangula o meu olhar.

Deixa-me, pois, morder as cinzas que ensombram os meus lábios
E morrer dentro da cruz,
Como um corvo em voo de hecatombe
Rasgando os céus da última alvorada,
Um sonho aberto à lâmina dos deserdados,
Um cântico na morte…

Para que vejas a renúncia que floresce nos meus olhos
E me deixes desistir
De mim.

CARLA RIBEIRO


segunda-feira, 20 de abril de 2009

O tempo é invenção da morte

"Amigos não consultem os relógios
quando um dia me for de vossas vidas…
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira”.

Mário Quintana

À Morte Peço Paz Farto de Tudo
morte


À morte peço a paz farto de tudo,
de ver talento a mendigar o pão,
e o oco abonitado e farfalhudo,
e a pura fé rasgada na traição,
e galas de ouro es despejados bustos,
e a virgindade à bruta rebentada,
e em justa perfeição tratos injustos,
e o valor da inépcia valer nada,
e autoridade na arte pôr mordaça,
e pedantes a engenho dando lei,
e a verdade por lorpa como passa,
e no cativo bem o mal ser rei.
Farto disto, não deixo o meu caminho,
pois se eu morrer, é o meu amor sozinho.

William Shakespeare, in "Sonetos (66)"