Yo no sueño con manos gentilicias
blancas como las blancas azucenas.
Albas las sueño, mas las sueño plenas
de pasión y de eróticas primicias.
Manos para los rezos impropicias.
Pálidos nidos de azuladas venas.
Manos sabias en íntimas caricias.
Manos para borrar todas las penas.
Manos que entre las uñas afiladas
guarden cruentas lujurias ignoradas.
y al mandato de sádicos fervores,
clavaran su febril concupiscencia
en la misma maniática inconsciencia
con que otras manos deshojaran flores.
Grande parte da minha infância e adolescência foi passada numa Instituição Escolar de cariz religioso católico .
Ainda hoje, no baú dos meus afectos secretamente guardados, ergue-se imponente e belo, como outrora no Povoado, o Colégio de Santa Teresinha das Irmãs do Imaculado Coração de Maria.
Quando relembro tais tempos nunca o faço sem corar.
Pobres almas, as das irmãs, o quanto eu as fiz penar.
De endógena rebeldia tudo queria perceber, tudo estava por explicar.
Um dia o velho abade Francisco deixou de ser capelão. Ter-se-ia reformado.
Foi substituí-lo um jovem Padre.
Era bonito. De tez clara, olhar transparente e franco e um sorriso que arrancava muitos suspiros e espanto.
Lembro-me de estar na missa, balbuciando entre lábios o missário que abominava dizer e de sentir os seus olhos, intensos, ternamente colocados nos movimentos de lábios que engendrava fazer.
Certo dia, finda a missa, chamou-me a pretexto de o ajudar nos enfeites florais da capela e a dada altura disse-me :
- Tenho uma coisa para ti.
Porquê para mim, estranhei. Mas ele justificou com o auxílio que lhe dera com os enfeites de flores.
-É um missal. Aqui podes ler tudo o que deves dizer na missa.
Mas não era um missal qualquer. A cada passo explicava o sentido, o porquê das frases repetidas no decurso da missa.
Apercebi-me que ele percebera o meu ponto fraco : que ninguém me diga "vem por aqui", " faz assim , porque sim".
Sempre quereria saber o porquê das coisas e escolheria conduzir os meus próprios passos.
A minha colaboração nas aulas ditas, à época, de religião e moral, intensificava-se.
Todas as pesquisas eu fazia sobre judaísmo, islamismo, luteranos ou cristãos não católicos, em geral, proibidas pela irmã Benvinda, Directora do Colégio, com o propósito de o testar, eram aproveitadas por ele para lições extrordinárias de vida e valor.
O Padre Joaquim tornou-se um pilar do quadro de valores que fazendo parte da minha essência, ainda hoje me acompanham.
Formou um grupo coral.
Instrumentos, coro. O envolvimento de todos era galvanizado por ele.
Tinha voz de soprano e ele atribuía-me muitos"solos".
Tivemos apresentações públicas várias.
Certo dia a freira directora tomando conhecimento de que ia cantar num certame juvenil da região inter escolas uma música cuja origem era de uma confissão não católica, chamou-me ao seu gabinete para conversar.
Fez-me notar o quão pouco ortodoxos eram os métodos do padre Joaquim .
A Igreja Católica está cheia de belíssimos hinos, melodias que brilhariam na tua voz, disse ela.
Mas esta tem propósitos ecuménicos ... retorqui...
- A culpa não é tua, insistia ela. O Senhor padre é que devia abstrair-se ...
E para espanto meu perguntou-me :
- Diz-me minha filha, já és uma mulherzinha, és bonita, "armadinha"... o senhor padre nunca pediu que te sentasses ao seu colo ?
Chocada, saí dali a correr e procurei um recanto aonde o desânimo não pudesse ser testemunhado por mais ninguém, como é sempre de meu jeito !
Como era possível ? Do padre Joaquim que era a pessoa mais parecida com o que por certo Deus acharia dever ser um bom cristão ...
Quando ele soube, sorriu e olhando-me com a ternura de sempre disse-me :
-Maria vou segredar-te uma coisa . As mulheres podem classificar-se em duas grandes categorias.
-Sim?! indaguei eu, animada com mais uma história que previa vir por ali.
Mas não.
- Duas, sim : "as bombeiras" e as "incendiárias".
As incendiárias passam por um homem e com um mero olhar deflagram a alma em fogo a qualquer bom cristão. As bombeiras são como um duche frio, inesperado, no frio do inverno : murcham-nos.
Acresce que as bombeiras sempre procuram apagar todo e qualquer fogo.
Por isso, não julgues tão severamente a irmã B.
Para ela que é bombeira, tu és passível de deflagrar um incêndio em mim e como mulher cristã que é sente-se no dever de o apagar.
-Mas, dizia eu. Não faz sentido .
-Sim minha pequena Maria, faz todo o sentido. Eu sou um homem, como todo o homem e sabes :
PECADO NÃO É SER TENTADO ( JESUS TAMBÉM O FOI). PECADO É NÃO RESISTIR A ESSA TENTAÇÃO.
Hoje percorrendo o youtube, sem esperar, encontrei a música que cantei no encontro inter colégios em representação do meu Colégio e que desencadeou o episódio que relatei. Não resisti a recordá-la...
A última vez que fui à minha terra procurei o Padre Joaquim.
Estava velhinho. Fui à confissão e recordo-o dizendo-me : continuas a pecar Maria? Hoje, já mentiste à tua mãe ?...
Ou já tens mesmo pecados a confessar ao teu capelão?
- Apenas queria vê-lo padre e dar-lhe um beijinho ...
Sem dúvida, a morte não fazia parte da natureza, mas tornou-se natural; porque Deus não instituiu a morte ao princípio, mas deu-a como remédio. Condenada pelo pecado a um trabalho contínuo e a lamentações insuportáveis, a vida dos homens começou a ser miserável. Deus teve de pôr fim a estes males, para que a morte restituísse o que a vida tinha perdido. Com efeito, a imortalidade seria mais penosa que benéfica, se não fosse promovida pela graça. (Santo Ambrósio)
Relembrando os tempos de faculdade, dizia-me um amigo próximo: O que eu menos gostava nos casos práticos de direito romano do Justo era o nome que sempre enfaixava ao desgraçado do sujeito : Tibério! Exemplifiquemos: “Tibério, tomado de brios parentais foi tomar satisfações a Gaio pela sua filha com quem este alegadamente se terá deitado sem autorização. Se o Conselho dos Bons Homens do feudo arbitrasse a questão (recorde-se a Lei de Talião …) Gaio teria de indemnizar a filha de Tibério entregando a este, parte de um apêndice físico, removido à espada do próprio Tibério, sem anestesia. Gaio pretende opor-se alegando que a parte restante da coisa poderá não funcionar exactamente nos mesmos termos que o seu todo. QUID JURIS?
E aqui entravamos nós … É bem verdade. Melhor que Tibério é o Tibúrcio difundido pelo Rocha aquele nody do bolhão de estimação. Tibúrcio foi casado com uma mulher que sofria de uma disfunção sexual designada por “aversão sexual” ou “fobia sexual”. Consiste num transtorno para “baixo” da capacidade de desejo e envolvimento sexual. Pessoas com este problema evitam fobicamente encontros sexuais com os seus parceiros devido a sensações de desagrado, de medo, de “nojo”, repulsa ou sentimento de perigo iminente a que associam qualquer prática sexual. É considerada uma doença psiquiátrica, quando não associada a factores físicos, galvanizados por eventuais depressões, manifestando-se mais nas mulheres. É de fácil diagnóstico e tratamento. Mas Tibúrcio, não esteve para isso. Depois de receber formação profissional informática e cair na banda larga da net – o – folia e se aventurar por sites que até um morto levantam gloriosamente do túmulo, mandou com cuidados mil para longe a mulher e lançou-se em busca de quem lhe oferecesse garantia de prática regular, senão por muitas noites, ao menos, uma vez ao dia. Foi então que o médico o alertou para outras disfunções de efeito oposto àquele cujo sofrimento assistira: A erotomania e a ninfomania. Integram na tabela internacional das doenças o chamado DSH ou seja desejo sexual hiperactivo. É um desejo que se manifesta em comportamentos sexuais compulsivos incontroláveis em que se mostra impossível ao sujeito mesmo a risco de perder a saúde (relacionamentos fortuitos e sem protecção) ou um relacionamento estável, controlar a sua atracção por alguém sempre que conhece uma pessoa, situação que se repete igualmente de forma compulsiva. O terapeuta sugeriu solidariedade a Tibúrcio bem como a sua atenção para uma paciente sua. Desde criança que esta apresentava comportamentos compulsivos em matéria de alimentação e outras. Por mais parceiros sexuais que procurasse nunca se mostra satisfeita. Num mesmo dia relatou-lhe que havia tido 50 relações sexuais… - Cinquenta ?! Questionou Tibúrcio a fazer contas às galinhas da tia Benta e das gemadas que o seu fígado, já débil, teria de suportar… - O Dr. não tem aí nenhuma que se satisfaça com um bocadinho menos? - Nesse caso, trate-me a minha Alzirinha e veja se ela entende que há coisas que é como lavar os dentes. Têm que ser introduzidas nas rotinas imprescindíveis do dia de um homem. Se não lavar os dentes, ao menos, uma vez por dia, o “bicho” come-os.
(fotografia representativa de um trabalho em madeira divulgado no site "madeiraviva" por gepeto/pinoquio)
Certo dia, contou Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: Um homem, ao partir de viagem, chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens. A um entregou cinco talentos, a outro dois e a outro um, conforme a capacidade de cada qual; e depois partiu. O que tinha recebido cinco talentos fê-los render e ganhou outros cinco. Do mesmo modo, o que recebera dois talentos ganhou outros dois. Mas o que recebera um só talento foi escavar na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, chegou o Senhor daqueles servos e foi ajustar contas com eles. O que recebera cinco talentos aproximou-se e apresentou outros cinco dizendo: Senhor, confiaste-me cinco talentos: aqui estão outros cinco que eu ganhei. Respondeu-lhe o Senhor: Muito bem, servo bom e fiel. Porque foste fiel em coisas pequenas, confiar-te-ei as grandes. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor. Aproximou-se também o que recebera dois talentos e disse: Senhor, confiaste-me dois talentos: aqui estão outros dois que eu ganhei. Respondeu-lhe o Senhor: Muito bem, servo bom e fiel. Vem tomar parte na alegria do teu Senhor. Aproximou-se também o que recebera um só talento e disse: Senhor, eu sabia que és um homem severo, que colhes onde não semeaste e recolhes onde nada lançaste. Por isso, tive medo e escondi o teu talento na terra. Aqui tens o que te pertence. O Senhor respondeu-lhe: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei e recolho onde nada lancei; devias, portanto, depositar no banco o meu dinheiro, e eu teria, ao voltar, recebido com juro o que era meu. Tirai-lhe então o talento e dai-o àquele que tem dez. Porque, a todo aquele que tem, dar-se-á mais e terá em abundância; mas, àquele que não tem, até o pouco que tem lhe será tirado. Moral da história : Não esconda os seus talentos na Terra, a não ser que sejam semente e o solo seja fértil. Use-os, utilize-os da melhor maneira possível em seu benefício e em benefício comum. Porque se não usar você dos seus talentos, nem mesmo Deus lhe faltará com um passaporte para o inferno … Meandros da justiça distributiva… Pedagogia do sofrimento… E então como é que se aprende a crescer?!...
Pois, por aqui parece que não se chega lá. Primeiro depende do que se recebe, sendo que não temos palavra a dizer sobre isso, depois porque se pressupõe que há que zelar pelos interesses do "dono" e enquanto servo fazer crescer a sua riqueza ...
Enfim... há algum tempo que não me embrenhava por estes quebra-cabeças muito racionais da doutrina da Igreja ... senti-me convidada pelo blog http://teologar.blogspot.com que tem sobre esta parabola posição mais serena e mais acente...
Mas também, porque me pareceu perfeitamente relacionado, com o post extraordinário que o meu amigo Metralhinha apresenta hoje no seu arte de roubar. Refiro-me a este post http://artederoubar.blogspot.com/2009/06/e-vai-acabar-em-aguas-de-bacalhau.html sobre o BCP, não porque o associe ao servo de um só talento pois este ainda devolveu intacto o talento ao seu senhor . Já o BCP multiplica-se em talentos e esconde-os, mas em terra de que só o próprio conhece o dono ...
Enfim...
Abençoados os que não obstante acreditam porque encontram consolação ...
"...Que minha solidão me sirva de companhia. que eu tenha a coragem de me enfrentar. que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo. "
Pode um padre falar de sexo a um jovem aprendiz das artes do amor ?
Pode um cego falar das cores do arco íris, ou alguém com saúde, descrever uma dor que nunca verdadeiramente tenha experimentado ?
Pronto, não me apontem já que no caso do padre a premissa pode não ser verdadeira ...
Concedamos na ideia : ninguém verdadeiramente conhece o que não viveu!
Preciso de falar sobre o ambiente de uma discoteca ou casa nocturna, aos meus filhos.
Não, não é bizarria, é mesmo aquela necessidade que sente qualquer pai em relação ao filho adolescente que dele se abeira e com o típico jeitinho com que só os filhos nos assentam, diz :
- "Deixas-me ir à discoteca "?
Aos 14, 15 anos , quando um pai ou mãe atira ao alvo de um pedido como este, com o infernal ruído, os fumos, o álcool e as drogas, as cautelas com os copos, com os selos das garrafas, com todos os imagináveis perigos da noite, as pessoas que se encontrariam na discoteca, sim, especialmente as pessoas que ali se encontrariam ...
E escuta como resposta :
- Mamã, não me leves a mal, mas aonde é que tu aprendeste isso tudo sobre discotecas ?!?...
Aliás, em toda a tua vida, quantas vezes foste a uma discoteca ?!...
Bom, a sensação é um tanto amarga.
Será talvez similar ao pregar do sermão da missa de domingo a respeito da doutrina oficial da Igreja Católica sobre preservativos...
Chama-se falar com propriedade de termos !
Enfim, uma verdadeira humilhação...
Com efeito, por mais que iludam os olhares externos da aparência, nunca frequentei discotecas.
Na vida inteira apenas conheci o interior de três discotecas : uma na festa de fim de curso, uma numa visita de estudo do liceu e outra, em trabalho.
Sendo que só numa dessas vezes a discoteca se apresentava em pleno funcionamento.
Cá entre nós, isto, eu não disse aos miúdos.
Mas falei -lhes do Decreto - Lei nº 101/2008 de 16 de Junho que consigna as regras a que deve obedecer o sistema de segurança privada de que devem dispor tais estabelecimentos e das próprias regras do exercício de segurança privada a que se refere o Decreto -Lei nº 35/2004 de 21 de Fevereiro.
Depois também falei de situações de agressões no interior destas casas, ocorridas quer entre os próprios utentes, mas mais preocupante mente, por parte desses tais seguranças que exercem essas funções muito pouco de acordo com as referidas leis.
Claro que qualquer agressão constitui um crime de ofensa à integridade física, quando não pior...
O grande problema das agressões ocorridas nestas casas coloca-se com a respectiva prova que é, por óbvios motivos, dificílima de se fazer.
É certo que a própria lei prevê a gravação de imagens e som nesses locais, permitindo que as mesmas se mantenham na disponibilidade eventual das Autoridades competentes, por um prazo de 30 dias.
Ninguém porém, mesmo querendo revelar "dotes cinematográficos"," oferta" imagens de uma agressão em razão da qual possa ser incriminado, como facilmente se conclui...
Por outro lado, como a lei prevê um prazo de 6 meses para apresentar a queixa crime pela agressão, naturalmente, ao 2º mês já a prova foi destruída ...
É assim um sistema que não acautela o público destes locais, dos perigos resultantes do próprio funcionamento dos mesmos.
Em suma, disse-lhes : uma conduta de risco. Dancemos em casa !
Quero ser o teu amigo, a tua amiga. Nem demais e nem de menos. Nem tão longe nem tão perto. Na medida mais precisa que eu puder. Mas amar-te, sem medida, e ficar na tua vida da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade. Sem jamais te sufocar. Sem forçar tua vontade. Sem falar quando for hora de calar, e sem calar, quando for hora de falar. Nem ausente nem presente por demais, simplesmente, calmamente, ser-te paz...
É bonito ser amigo, ser amiga. Mas, confesso, é tão difícil aprender! E por isso eu te suplico paciência. Vou encher este teu rosto de lembranças! Dá-me tempo de acertar nossas distâncias