Maria
domingo, 13 de setembro de 2009
INTERVALO...
Maria
sábado, 12 de setembro de 2009
A um amor eterno

Seguindo pegadas invisíveis
Nas duras pedras da existência
Que soçobram dos castelos no ar
Desmoronados pela dor do teu afastamento
Não espero misericórdia por este lamento
Não quero encontrar-te a contra gosto, a contra tempo
Mas em todos os caminhos te invento
Presa existencialmente e sem remédio ao momento
Em que tu, viajante de muitas ruas floridas
Sombrias, reluzentes, coloridas,
Certo dia passeaste o teu amor por uma rua
Uma rua aonde a lua acorda tarde, dengosa e devagar
Rua que eu não percorro habitualmente
E aonde tu também não pretendias me encontrar
Contudo, casualmente passaste por mim
E talvez atendendo ao chamado da Lua do lugar
Deixaste sobre mim o teu olhar
Eu guardei os teus olhos, anelei-nos à alma
E desde então que os procuro, perdida toda a calma
Por eles vejo o mundo para o qual deixei de olhar
Mas tu prosseguiste o teu caminho…
Escolheste viver nas ruas que eu não sigo
Voltaste o teu olhar para tudo o que não está comigo
E eu sigo já cega pelo pranto incontido
De carregar dentro de mim como se fora ditame de um destino
Tão cruel que vencê-lo não consigo,
De prosseguir levando em mim o teu olhar
Mesmo sabendo que escolheste não o deixar comigo…
Liberar-te?
Libertar-me?
Como? Se antes quero a dor do teu olhar ausente
Do que sobreviver no esquecimento desse momento
Em que à luz da Lua e sob o seu alento
Passaste à minha rua e inadvertidamente o deixaste comigo…
Maria
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
terça-feira, 8 de setembro de 2009
GINJA DE OBIDOS
LI E FIQUEI CHEIA DE VONTADE ..."O leitor ou conhece ou ouviu falar da Ginginha do Rossio, em Lisboa. De contrário, terá de acreditar na minha descrição: é um minúsculo estabelecimento de bebidas especializado na venda de uma das mais populares bebidas portuguesas, a ginginha; com clientela rápida e despretensiosa, a Ginginha do Rossio é uma referência para turistas que passam pela zona e para várias gerações de frequentadores que, por razões certamente inexplicáveis, continuam a passar pelo seu balcão e a pedir “uma com elas” ou “sem elas”. Uma ginginha. O estabelecimento nunca envenenou ninguém, sendo certo que também não é um modelo de limpeza. Mas é a Ginginha do Rossio.
O meu amigo Paulo Moreiras, romancista, dedicou à ginja dois livros exemplares. De acordo com a sua preciosa investigação, a melhor ginja é a da zona de Óbidos e a Ginginha do Rossio servia um dos melhores exemplares. Seja como for, Óbidos por um lado, e a Ginginha do Rossio por outro, enchem-se de turistas e de apreciadores que vão em busca dessa bebida simpática, comovente e em risco de vida. Como é bom que se diga, Paulo Moreiras começou a investigar a história da ginja depois de lhe terem dito, num restaurante, que não era uma bebida “à altura”.
Desta vez, foi a ASAE, Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, que partiu em busca da Ginginha do Rossio, encerrando-lhe as portas. O argumento é a falta de higiene, tendo sido capturadas algumas garrafas da bebida.
Ao capturar as garrafas e ao encerrar o estabelecimento, a ASAE estava apenas a cumprir a sua função, que está distribuída pela segurança alimentar, pela segurança de produtos e instalações, pelas questões de propriedade intelectual e industrial e também – naturalmente – pelo turismo. Ou seja, a ASAE zela pelo cumprimento da lei. E zela de forma muito eficiente, apresentando-se ao serviço público de colete à prova de bala e de gorro passa-montanhas. Por aí já o leitor vê como é arriscado o seu trabalho e como é perigoso o mister de fiscal das actividades relacionadas com a segurança alimentar. Ser atingido por uma ginja que não mencione a sua origem é grave e fatal.
Acontece que Portugal é, segundo a ASAE (e depois das suas investidas) «um dos países mais seguros no que diz respeito à higiene e qualidade dos alimentos». Isso é uma vantagem enorme. Hoje já não há castanhas assadas embrulhadas nas Páginas Amarelas nem bolas-de-berlim nas praias. A aguardente de medronho tradicional, que procurávamos na Serra de Monchique, e que já tinha sido atingido pelos incêndios, também foi perseguida pela ASAE. Há duas ou três semanas precisei de negociar uma aguardente tradicional de vinho verde, refrescada, como um americano durante a lei seca.
A Ginginha do Rossio era um monumento nacional. Uma referência que amigos italianos, brasileiros e alemães procuravam para provar uma das melhores ginginhas portuguesas. Aquele espaço tresandava a história e a convivialidade, a sorrisos largos e a um leve ondular de fígados conservados em ginja. Pois que se varrese o seu chão com mais frequência. Que se pusesse um médico à porta. O mal, porém, não é apenas o encerramento da Ginginha do Rossio, esse parapeito da história da cidade e do país. O mal é a onda de lixívia sintética que vai passando por tudo quanto é “segurança alimentar” nas vetustas tascas onde vinhos fatais fizeram literatura e, certamente, doenças hepáticas. Essa onda que prega a normalização dos costumes alimentares acabará com a pequena alma dessas nobres instituições de pecado, como a Ginginha do Rossio. Portugal aplica estas leis melhor do que ninguém. A breve prazo, agentes policiais entrarão nas nossas casas apreendendo bacalhau com excesso de sal e ginja da Beira Alta. Seremos saudáveis e faremos jogging. Tudo o resto será encerrado. "
in Jornal de Notícias – 19 Novembro 2007
Etiquetas: Jornal de Notícias
posted by Sérgio Aires at 19.11.07
Sérgio Aires Localização: Porto, in http://fjv-cronicas.blogspot.com

domingo, 6 de setembro de 2009
Leituras de fim de verão ...
"A lenda de Diana de Poitiers continua, não só porque a vemos hoje disfarçada na sua imagem de deusa criada pelos maiores mestres do Renascimento francês, mas também porque ela era uma mulher de espírito independente que fez da arte de viver a mais alta qualidade da vida, preservando a juventude do espírito, do corpo e da personalidade.
Aos catorze anos, Henrique casou-se com Catarina de Médicis, da mesma idade, uma não muito atraente mas riquíssima herdeira que traria no seu dote metade da Itália.
O triângulo amoroso protagonizado por Henrique II, Diana de Poitiers e Catarina de Médicis ficou marcado por um intenso e perigoso jogo de sedução, traição e morte com incalculáveis consequências políticas e militares para a França e para a Europa do Renascimento.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
No funeral

Estranhamente vestido.
Estranhamente deitado.
Estranhamento rodeado por flores de odores que acutilavam o espirro compulsivo.
Não estava na sua cama e nem de pijama.
Estava deitado com sapatos num madeiro duro, escuro.
Estava muito escuro, até a grande porta se abrir.
Percebeu então que estava morto.
Alguns se abeiraram e falavam de si:
Do seu rosto aparentemente vivo,
Do seu coração que tão generoso fora,
Da viúva, que por certo logo se casaria, “pobre dele que se ia”…
Dos filhos e das necessidades que a sua falta lhes acarretaria,
Dos sarilhos de saias em que se metia …
“ Hum … mais vozes que nozes…” cogitava ele, mais morto de espanto …
Era tanto negro, era tanto o pranto…
E no fundo a um canto, como que escondida, a rapariga da firma de segurança e higiene que garantia tais serviços no seu local de trabalho olhava-o fixamente como que a suplicar que reabrisse os olhos.
Nunca reparara na sua beleza.
Com uma candura roubada à pureza da alma, a expressão de uma dor profundamente silenciada, moldava-lhe o rosto.
Ela sofria.
Sofria, realmente.
Ele podia vê-lo.
Não gritava, nem enfeitava gestos largos de um pesar representado.
A sua lágrima calada, grafitada a esforço pelo silêncio profundo de quem ama aceitando a triste sina de saber nunca poder ver retribuído esse sentimento, revelava-lhe um facto que o ressuscitou daquela morte inacabada:
Entre tantas pessoas que o rodeavam e a quem tanto dava, naquele momento, aquela mulher era a única pessoa que o amava.
Diogo acordou com a sua disposição em alta.
Doía-lhe um pouco as costas, como se as houvesse assentado num madeiro duro e escuro…
Foi trabalhar.
À entrada a menina da firma de segurança e higiene olhou-o e saudou-o com um sorridente, “bom dia senhor doutor Diogo, parece muito bem disposto, deve ter tido bons sonhos esta noite …”
- Sonhei que jantaria hoje com uma linda princesa.
- Ai sim, Senhor Dr ?
- Quer jantar comigo esta noite?
- Euuu?!... Bem eu… e a sua senhora não se zangaria?
- Absolutamente, tratarei para que ela conheça o rico Agente da funerária a quem me entregaria e em quem já esfregava a perna, ainda eu não arrefecera…
- Como?!...
-Aceita?!...
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
terça-feira, 1 de setembro de 2009
O que deseja realmente uma mulher ?
Todos os diasEla lhe pedia:
Não me deixes, não me deixes tão só
Ele abraçava-a, como se pequenina fosse,
E dizia:
Tem que ser, tens que compreender …
A vida é uma luta, desde o berço ao pó
Logo te volto a ver…
Assim se repetiam dias de desenganos
Ele construindo castelos de pedra
Ela morrendo nos escolhos dos sonhos
Fica comigo, pedia ela, manipulando sedução no olhar
Não posso, querida, tenho que trabalhar …
Mas tens tantas horas e nelas pessoas…
Flores, cartões, delicadeza, encanto
A essas, dás tanto…
Quase te não vejo, eu que te quero tanto…
Procura distrair-te…
Podias ter amigas para conversar
Vou plantar-te ao colo um terço de brilhantes
Sedas muito belas, flores inebriantes…
Vou dar-te um PC de “último grito”
Causará inveja por ser tão bonito.
Podes conversar, podes distrair-te
Apenas não peças que contigo fique
A vida é assim, eu quero ser rico…
Primeiro passo que ela deu na “rede”
Foi tal o anseio, grande o desajuste…
Mas hoje, amanhã, surge novo amigo…
Que fazes, pergunta ele, não queres estar comigo?
Sempre querido. Mas tens que trabalhar, és o nosso “abrigo”
Um dia o José disse que era bela, doce generosa,
Casaria com ela
No outro o João, fonte do desejo, chamou-lhe sereia
De um mar em solfejo
Depois o Manuel, o Vítor e enfim, surgiu o
António para viver para si.
Todo o mundo dele era o olhar dela,
Reescreveu ternura, reescreveu candura
De tudo o que queria, tudo se consumia no sorriso dela.
Quando ele voltou, um dia cansado,
E se acostou à pedra do castelo que erguera a seu lado
Deu por falta dela,
Ai, como ela o amara, ceguinha, em prece e em pranto.
Era sempre bela, fora sempre encanto…
Como pudera ela que o quisera tanto,
Mudar-se para o colo de um pobre António que vive no campo …
Maria
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Manta de Retalhos

que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.
Eugénio de Andrade
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Chave de Sonhos

Ingredientes necessários:
- 1 homem paciente, ternurento e muito apaixonado,
- 1 cd contendo música relaxante e simultaneamente estimulante, sugerindo-se p ex este tema musical : http://www.youtube.com/watch?v=gh_9leIFl7Y ,
- 1 banho perfumado a essência de rosas e flores silvestres,
- 1 potezinho de morangos e amoras ou outros frutos silvestres coloridos,
-1 embalagem de natas frescas com açúcar,
- 1 pequenina malagueta,
- Bebida a gosto...
Grau de dificuldade na execução : variável :-)
Desenvolvimento:
Comece por emergir num banho morno , perfumado a essências florais até sentir impregnada na pele hidratada a óleo para bebé, o perfume em causa.
Dispa as preocupações, feche a porta ao mundo e entregue-se nas mãos do primeiro ingrediente da nossa receita.
Deixe-se amar, doce, deliciosamente, fechando os olhos a tudo o que possa despertar-lhe emoções negativas.
Alterne com imaginação os demais ingredientes por forma a adensar e tornar mais gostoso e estimulante o resultado final
Repita sempre até à perfeita execução .
Após, adormecerá como um anjinho até pelo menos o raiar de um novo dia.
Descrita a "receita" Cila olhou-me como se gloriosamente possuísse a chave dos sonhos e perguntou-me :
- Compreendeste ?...
- Claro, Cila, compreendi. Mas diz-me aonde queres tu que eu vá arranjar amoras nesta época do ano ?!...
Maria
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
E se antecipadamente, pudessemos prever o resultado dos nossos passos?

Quantos amores de verão, lembranças, guardados de memória de um qualquer mês de Agosto...
Também eu me transporto a um passado mês de Agosto para aqui convosco partilhar uma história de vida e de um Agosto que se pudesse voltar no tempo, apagaria do calendário cristão...
Corria o ano de 1997.
Era dia 31 de Agosto.
Afanada mente, mas feliz, Magnólia preparava a festa de aniversário da sua única filha de 4 anos de idade.
Seria celebrada num estabelecimento de restauração situado na praia do Garajau.
Apesar da gerente do estabelecimento ser sua amiga e adorar a menina, importaria cara a aventura, aonde se previram jogos na praia, corridas de barco, e várias actividades no interior do mesmo, próprias quer para as crianças convidadas, quer para os adultos.
Na verdade, toda a turma do colégio - infantário da menina, aonde também já estudara Magnólia, pessoal docente, madre directora, padre capelão, iriam ao aniversário e despedida da princezinha.
Também os adultos familiares e amigos lá estariam com o mesmo propósito.
Todos sabiam que a seguir àquele dia ,Magnólia e a filha rumariam para Lisboa, aonde a primeira iniciaria formação com vista a enveredar por nova carreira profissional.
Magnólia licenciara-se em direito com nota de mérito.
Iniciou um percurso profissional alucinante que alterou em alguma medida em razão do casamento.
Contudo mesmo após tal acontecimento exerceu sempre cargo de direcção por mérito, entregando-se sempre a várias actividades demandadas pela sua alma activa, versátil, pouco dada a rotinas, quase inconstante, impregnada do voluntarismo ingénuo de quem criará um mundo novo.
Tudo o que fazia, fazia-o sempre apaixonadamente .
Não casou apaixonada, mas o marido foi na verdade o primeiro homem da sua vida e por ónus de formação e convicção ser-lhe-ia fiel e esforçar-se-ia por fazê-lo feliz.
Já ele, casou "de quatro", pois esta mulher sabe fazer-se amar, quando quer...
Mas ainda assim o casamento não deu certo.
Acordaram na separação, depois no divórcio.
Magnólia perguntava-se porquê. Teria ela feito algo errado ?
Era profundamente ligada a uma avó e o primeiro lugar que buscou para conversar a respeito, foi a sua campa.
Ali , como se uma tela de cinema projectasse cenas da sua vida, recordou momentos felizes, engraçados, partilhados por ambas.
A voz da avó ralhando com os garotos que lhe destruíam as culturas, já velhinha, dizendo : a minha neta vai ser doutora e vai prender-vos, seus malandros...
Depois queixava-se a ela dos meliantes e dizia-lhe : quando a menina se formar a avó já tem separado o dinheiro para dizer uma missa por tal intenção.
E num dia de aniversário ofertou-lhe uma ilustração belíssima com um texto biblíaco do livro de Isaías que se refere às qualidades que deve ter um homem de lei, um julgador e aonde se dizia que " Deus não terá por inocente aquele que exercendo tal poder trouxer opróbrio contra os órfãos, as viúvas , os desamparados do meu Povo".
Quando ali se encontrava, desceu ao cemitério a bondosa Alzira que caridosamente tratava algumas campas.
-Olha a menina Magnólia por aqui. Que coisa boa. Entre abraços e memórias deixou escapar :
A vozinha morreu mas eu entreguei o dinheiro ao Padre Alberto e a missa foi dita quando a menina se formou ...
Aquela revelação teve um impacto indescritível em Magnólia.
Decidiu cumprir a vontade da avó.
Seria difícil, com a menina e não só, mas ela sabia-se capaz.
Nunca deixaria, por medo, de pelo menos tentar...
Naquele dia 31 de Agosto trazia o bolo para a festa e o rádio noticiava o falecimento da Princesa Diana de Gales.
Realezas à parte, Magnólia e Diana tinham tanto de comum em suas vidas ...
-" Que horror", impressionou-se como se atormentada por uma espécie de presságio estranho...
A festa foi um sucesso. Um dia de felicidade irrepetível...
Habituada a bons resultados, a reconhecimento de mérito, Magnólia sofreu o embate do acesso a uma carreira dominada ao nível das instâncias de poder pela masculinidade, pela pouca abertura à mudança de procedimentos, formas , formatos.
Ela não era domável senão às suas mais profundas convicções mas sofreu a "formatação" possível e necessária ao desempenho da função que tanto idealizou e em tanto a desiludiu a vários níveis.
Porquê? Porque te meteste nisso?Perguntam os amigos. Vês agora ?!...
Crêem até que mais nada tinhas para fazer, a presunção, o preconceito, as ideias feitas que tanto sofrimento te causam não se apresentam nesse mundo?
A resposta vem pronta :
- Só assim sei ser útil aos outros,
- Só assim sei ser válida,
- Mudo o Mundo, sim, em pequeninos passos e pequeninas mudanças nos mundos de cada pessoa a quem dou um pouco de trabalho útil para essa pessoa.
E nunca cogitei estar na vida de outra maneira.
Mas é isso que se quer ?...
Quem sabe ?
Talvez existam incompatibilidades insupríveis entre o ideal e o possível, como em tudo, na vida...
Como em todos os mundos, até nos mundos aonde as histórias, ao contrário desta, são reais.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Vida de pedra
Conta-se que certo rei mouro tinha uma filha muito bonita!A princesa era feliz, porque de nada sentia falta e considerava ser a mais afortunada das raparigas.
Por isso passava os dias a cantar sem nenhuma preocupação.
A sua voz era bela e ecoava com graciosidade pelas terras do reino.
Um dia, enquanto passeava, a princesa conheceu um pastor que há muito a admirava, fascinado pela sua beleza e com a sonoridade da sua voz.
Era um rapaz muito atraente, com evidente nobreza de alma, porém, muito pobre.
Ainda assim a princesa não conseguiu evitar apaixonar-se perdidamente por ele.
E ele, por ela.
Ela passou a considerar que sem o amor do seu pastor nada tinha na vida.
Repentinamente, compreendeu que nada como esse amor importaria para ela.
Porque não podia viver com alegria sem o amor dele e ele nada tinha senão o amor dela.
Porém. quando o rei descobriu este amor desigual, para ele,indigno da condição da filha,
ficou furioso .
Proibiu a princesa de ver o pastor, mas esta sempre o procurava e repetidamente se amavam cada vez mais profundamente.
Então o rei chamou o feiticeiro-mor do reino e lançou sobre a princesa um cruel encantamento.
Prendeu-a numa rocha e determinou que tal feitiço só se quebraria no dia que crescesse centeio daquela pedra.
Diz-se que dos olhos negros belíssimos da princesa brotavam regulamente duas lágrimas que escorriam da pedra até ao solo.
O pastor desesperado passou a dormir junto à pedra aonde aprisionaram sua amada.
E pese embora os feiticeiros do rei o tentassem por variadas formas desviar daquele local, ele inconsolável, nunca o abandonou, passando os seus dias a pensar como vencer desdita tão cruel.
A pedra que era um muro intransponível para a concretização do amor.
A pedra que tinha a dimensão e as formas de todas as impossibilidades.
Vencê-lo-ia ? A ele, cujos sentimentos moveriam montanhas ...
Passou a viver com o exclusivo propósito de encontrar uma forma de viabilizar o seu amor com a princesa.
E um dia ocorreu-lhe uma ideia.
Foi a correr buscar um balde de terra que depositou sobre a rocha.
Em seguida, semeou na terra uns grãos de centeio.
Depois regou a terra e sentou-se à espera.
Durante dias, meses, anos, o pastor aguardou!
Chovia e o pastor esperava.
O sol abrasava, mas o pastor não abandonava a rocha, protegendo o centeio que crescia.
Até que um dia um pau de centeio ficou maduro .
Assim que o cortou, quebrou-se o encantamento da princesa moura.
E foi uma felicidade incalculável voltar a tê-la nos seus braços para nunca mais se separarem.
A comprovar o amor de encanto dos dois, ainda hoje se vêm desenhadas na pedra as formas bonitas do corpo da mulher amada que ali foi encantada.
Esta história deriva de uma lenda da região de Seia.
Se alguma coisa pode apreender-se pela reflexão é que nada na vida se obtém sem luta e sem determinação.
Talvez na vida, apenas se alcançem aquelas coisas que verdadeiramente queremos a ponto de por elas, "escalar montanhas de impossibilidades", viabilizar o inviável, lutar apesar da consciência do absolutamente improvável ...
Díficil não é atingir uma meta, mas sim desbravar caminhos e perserverar até lá...
Ainda que todos nos pensem tolos por vivermos na miragem de fazer crescer centeio de pedra morta ...
sábado, 8 de agosto de 2009
Prisioneiros de Guantanamo
Segundo a Lusa digital,Os dois detidos vão ser acolhidos em Portugal, por razões humanitárias.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
O mundo muda a cada gesto teu

Eu queria que a minha morte, por contraste, fosse linear, simples e moderada, até um pouco severa, como uma igreja quacre (...)"



