sábado, 17 de outubro de 2009

Rosa


És para mim o primeiro sopro de ar, quando abro a janela,

O raio de sol que mais me aquece a pele,

O luar do lobo, o alento do vento no meu barco à vela,

O cheiro da terra quando chove , o aroma das flores na Primavera.

Através de ti, vejo cores na vida, não há partida definitiva,

És a fé no além, a crença no bem, és pedra intemporal, és confiança.

E tocas-me a pele com a doce e genial sabedoria

De quem cria e executa com brilho a 9ª Sinfonia ...

És dança nos meus sentidos, és noite e madrugada

E se me faltam os teus olhos, já não me resta nada...

Subiremos fios do sol da fantasia, abraçaremos

A vontade e a agonia de nos ter-mos

Porque está escrito em todas as estrelas que nos pertencemos !
Texto: Maria, Flor : Skorpios

sábado, 3 de outubro de 2009

Nocturno


Amor! Anda o luar, todo bondade,
beijando a terra, a desfazer-se em luz...
Amor!São os pés brancos de Jesus
Que anda pisando as ruas da cidade!

E eu ponho-me a pensar...Quanta saudade
Das ilusões e risos que em ti pus!
Traçaste em mim os braços de uma cruz,
Neles pregaste a minha mocidade!

Minh'alma que eu te dei, cheia de mágoas,
É nesta noite o nenúfar de um lago
Estendendo as asas brancas sobre as águas!

Poisa as mãos nos meus olhos, com carinho,
Fecha-os num beijo dolorido e vago...
E deixa-me chorar devagarinho...

Florbela Espanca

domingo, 27 de setembro de 2009

Penso,logo,sentes ...

Thinking Of You Myspace Comments

Tudo o que a razão não explica constitui um desafio para o ser humano.
Desde cedo o homem procurou dominar o mundo aonde se insere.
E tudo o que escapa ao poder do Homem, designadamente porque não o compreende ou não define os respectivos mecanismos de funcionamento, ou os respectivos pressupostos, é em regra mal tratado por este, num extremar de posições que poderão ir da negação absoluta à mais fantasiosa construção mental de fé ou ideologia de princípio.
Afinal, até hoje, reconhecemos o génio de quem disse :
"Há mais mistérios entre o céu e a terra, do que toda a nossa vã filosofia".
No entanto muitos de nós continuamos a negar como afirmação de inteligência, tudo o que racionalmente não conseguimos explicar.
Tudo o que escape às nossas regras...
Há coisas porém inexplicáveis, inapropriáveis, indomáveis, maiores do que nós !
Bem sei, estará o amigo nesta hora a pensar : pronto lá está a Maria a falar de política.
Querer perceber como foi que este PS voltou a ganhar as legislativas, ainda que sem maioria absoluta, escapa, de facto, a toda a racionalidade.
Mas não falo disso, desta vez. Não vale a pena ...
Falarei de sibilinas situações, acontecimentos, histórias com o seu quê de mistério que serão o objecto da publicação do "Maria" nos próximos postes.
Mas de bruxedos recuso-me falar...
Pelo menos, por ora...
Falarei de histórias de....
- a propósito do conceito VEJA MAIS:
"Comunicação de pensamentos, sentimentos ou conhecimentos de uma pessoa para outra, sem o uso dos sentidos da audição, da visão, do olfacto, do paladar ou do tacto.
A telepatia é às vezes chamada leitura da mente ou transmissão de pensamento.
Alguns cientistas acreditam que nem a distância nem o tempo afectam a telepatia.
Desta forma, os pensamentos de uma pessoa poderiam ser recebidos por outra pessoa até mesmo de um país para outro.
A telepatia acha-se sob investigação científica, e sua existência é ainda questão aberta.
http://win2nt239.digiweb.com.br/cgi-bin/delta.exe/dicionario/verbete?ID=86122
Camille Flammarion dedicou grande parte da sua vida a pesquisar este tema. Foi astrónomo, matemático, filósofo, poeta e jornalista, colaborador de Allan_Kardec, que compilou sua escala de vibrações, conhecida também como "teclado cósmico".
http://www.ceismael.com.br/bio/bio09.htm
http://www.geae.inf.br/pt/biografias/cflammarion.html "
Será já no próximo poste...
:-)

Love Myspace Comments

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

UMA FLOR PELO NOSSO AMOR

zínia

(flor : zínia fotografada por Skorpios)
Conta a lenda que na corte britânica de Eduardo III, vivia Roberto Machim, um homem sensível e com o dom da palavra.
Tinha como melhor amigo e companheiro de armas o fidalgo D. Jorge.
Este pediu a Roberto para ir com ele esperar a sua jovem e bela prima Ana de Harfet.
Ao fazê-lo nunca supôs que entre os dois jovens nascesse um afecto muito especial, um amor eterno.
A verdade é que mal se viram, Roberto e Ana apaixonaram-se.
Os pais de Ana não aceitaram a união com um pretendente plebeu e ordenaram o casamento de Ana com um dos fidalgos da corte.
Porém Roberto decidido e perdidamente apaixonado decidiu lutar pela concretização daquele amor.
Por isso, foi preso por ordem do rei, durante alguns dias, enquanto a cerimónia de casamento da sua querida Ana se realizava.
Mas o amor de Ana por Roberto ultrapassava a sua própria vontade de viver e Ana, longe deste, morria.
À saída da prisão, D. Jorge informou Roberto que Ana estava a morrer por seu amor.
Traçaram então um plano de fuga e
com a ajuda de D. Jorge, Ana e Roberto partiram num barco em direcção a França aonde pretendiam viver o respectivo amor.
Mas uma brutal tempestade desviou a embarcação para uma ilha paradisíaca.
Esta ilha era belíssima, perfumada de flores, aromatizada a frutos e aonde árvores grandes e frondosas forneciam cálida sombra aos dois enamorados.
Porém Ana sofrera demais e não resistiu à febre .
Morreu naquela ilha e ali por Roberto foi enterrada sob uma árvore de madeira de cedro imponente.
Depois Roberto deixou de alimentar-se e de saudade da amada e tristeza pela sorte que cruelmente caracterizou o respectivo amor, morreu pouco depois.
Pediu a D. Jorge que o sepultasse com Ana, no mesmo sítio , o que este concretizou.
Sobre a campa de ambos foi escrita esta história e erguida uma capela ( Capela de Nossa Senhora dos Milagres- Ilha da Madeira) aonde se ora por intenção de todos os amores eternizados pela impossibilidade.
Esta ilha seria a da Madeira e o local, Machico que receberia de "Roberto Machim" tal nomeação.



*
Para os mais pequeninos e para os que gostam de pequeninas coisas...grandes...



No nosso jardim sepultada



Fere de leve a frase... E esquece... Nada
Convém que se repita...
Só em linguagem amorosa agrada
A mesma coisa cem mil vezes dita.

Mario Quintana

domingo, 13 de setembro de 2009

INTERVALO...

Informo todos os amigos e visitantes que as publicações feitas pela "Maria" neste blog e nos demais aonde habitualmente publica, serão interrompidas por necessidade de ausência incompatível com a manutenção da publicação regular nos mesmos.
Desde já peço desculpa aos amigos e comentadores que eventualmente, por esse motivo, não obtenham resposta aos seus comentários nos referidos espaços.
Broken Heart Myspace CommentsMaria

sábado, 12 de setembro de 2009

A um amor eterno


Por todos os caminhos te procuro
Seguindo pegadas invisíveis
Nas duras pedras da existência
Que soçobram dos castelos no ar
Desmoronados pela dor do teu afastamento
Não espero misericórdia por este lamento
Não quero encontrar-te a contra gosto, a contra tempo
Mas em todos os caminhos te invento
Presa existencialmente e sem remédio ao momento
Em que tu, viajante de muitas ruas floridas
Sombrias, reluzentes, coloridas,
Certo dia passeaste o teu amor por uma rua
Uma rua aonde a lua acorda tarde, dengosa e devagar
Rua que eu não percorro habitualmente
E aonde tu também não pretendias me encontrar
Contudo, casualmente passaste por mim
E talvez atendendo ao chamado da Lua do lugar
Deixaste sobre mim o teu olhar
Eu guardei os teus olhos, anelei-nos à alma
E desde então que os procuro, perdida toda a calma
Por eles vejo o mundo para o qual deixei de olhar
Mas tu prosseguiste o teu caminho…
Escolheste viver nas ruas que eu não sigo
Voltaste o teu olhar para tudo o que não está comigo
E eu sigo já cega pelo pranto incontido
De carregar dentro de mim como se fora ditame de um destino
Tão cruel que vencê-lo não consigo,
De prosseguir levando em mim o teu olhar
Mesmo sabendo que escolheste não o deixar comigo…
Liberar-te?
Libertar-me?
Como? Se antes quero a dor do teu olhar ausente
Do que sobreviver no esquecimento desse momento
Em que à luz da Lua e sob o seu alento
Passaste à minha rua e inadvertidamente o deixaste comigo…
Maria


 

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

terça-feira, 8 de setembro de 2009

GINJA DE OBIDOS

LI E FIQUEI CHEIA DE VONTADE ...
"O leitor ou conhece ou ouviu falar da Ginginha do Rossio, em Lisboa. De contrário, terá de acreditar na minha descrição: é um minúsculo estabelecimento de bebidas especializado na venda de uma das mais populares bebidas portuguesas, a ginginha; com clientela rápida e despretensiosa, a Ginginha do Rossio é uma referência para turistas que passam pela zona e para várias gerações de frequentadores que, por razões certamente inexplicáveis, continuam a passar pelo seu balcão e a pedir “uma com elas” ou “sem elas”. Uma ginginha. O estabelecimento nunca envenenou ninguém, sendo certo que também não é um modelo de limpeza. Mas é a Ginginha do Rossio.

O meu amigo Paulo Moreiras, romancista, dedicou à ginja dois livros exemplares. De acordo com a sua preciosa investigação, a melhor ginja é a da zona de Óbidos e a Ginginha do Rossio servia um dos melhores exemplares. Seja como for, Óbidos por um lado, e a Ginginha do Rossio por outro, enchem-se de turistas e de apreciadores que vão em busca dessa bebida simpática, comovente e em risco de vida. Como é bom que se diga, Paulo Moreiras começou a investigar a história da ginja depois de lhe terem dito, num restaurante, que não era uma bebida “à altura”.
Desta vez, foi a ASAE, Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, que partiu em busca da Ginginha do Rossio, encerrando-lhe as portas. O argumento é a falta de higiene, tendo sido capturadas algumas garrafas da bebida.

Ao capturar as garrafas e ao encerrar o estabelecimento, a ASAE estava apenas a cumprir a sua função, que está distribuída pela segurança alimentar, pela segurança de produtos e instalações, pelas questões de propriedade intelectual e industrial e também – naturalmente – pelo turismo. Ou seja, a ASAE zela pelo cumprimento da lei. E zela de forma muito eficiente, apresentando-se ao serviço público de colete à prova de bala e de gorro passa-montanhas. Por aí já o leitor vê como é arriscado o seu trabalho e como é perigoso o mister de fiscal das actividades relacionadas com a segurança alimentar. Ser atingido por uma ginja que não mencione a sua origem é grave e fatal.

Acontece que Portugal é, segundo a ASAE (e depois das suas investidas) «um dos países mais seguros no que diz respeito à higiene e qualidade dos alimentos». Isso é uma vantagem enorme. Hoje já não há castanhas assadas embrulhadas nas Páginas Amarelas nem bolas-de-berlim nas praias. A aguardente de medronho tradicional, que procurávamos na Serra de Monchique, e que já tinha sido atingido pelos incêndios, também foi perseguida pela ASAE. Há duas ou três semanas precisei de negociar uma aguardente tradicional de vinho verde, refrescada, como um americano durante a lei seca.

A Ginginha do Rossio era um monumento nacional. Uma referência que amigos italianos, brasileiros e alemães procuravam para provar uma das melhores ginginhas portuguesas. Aquele espaço tresandava a história e a convivialidade, a sorrisos largos e a um leve ondular de fígados conservados em ginja. Pois que se varrese o seu chão com mais frequência. Que se pusesse um médico à porta. O mal, porém, não é apenas o encerramento da Ginginha do Rossio, esse parapeito da história da cidade e do país. O mal é a onda de lixívia sintética que vai passando por tudo quanto é “segurança alimentar” nas vetustas tascas onde vinhos fatais fizeram literatura e, certamente, doenças hepáticas. Essa onda que prega a normalização dos costumes alimentares acabará com a pequena alma dessas nobres instituições de pecado, como a Ginginha do Rossio. Portugal aplica estas leis melhor do que ninguém. A breve prazo, agentes policiais entrarão nas nossas casas apreendendo bacalhau com excesso de sal e ginja da Beira Alta. Seremos saudáveis e faremos jogging. Tudo o resto será encerrado. "

in Jornal de Notícias – 19 Novembro 2007
Etiquetas: Jornal de Notícias

posted by Sérgio Aires at 19.11.07
Sérgio Aires Localização: Porto, in http://fjv-cronicas.blogspot.com


domingo, 6 de setembro de 2009

Leituras de fim de verão ...

diana

A Serpente e a Lua

Um livro da Princesa Michael de Kent, edição da Livraria Civilização Editora


Sinopse:
"A lenda de Diana de Poitiers continua, não só porque a vemos hoje disfarçada na sua imagem de deusa criada pelos maiores mestres do Renascimento francês, mas também porque ela era uma mulher de espírito independente que fez da arte de viver a mais alta qualidade da vida, preservando a juventude do espírito, do corpo e da personalidade.


Foi uma feiticeira que inspirou um jovem pouco promissor a tornar-se um magnífico rei; que este a tenha amado toda a vida, apesar de ela ser vinte anos mais velha do que ele, é a prova da sua permanente aura de mistério.


Omnium Victorem Vici - Diana, a deusa da lua, conquistou verdadeiramente o Rei, o Amor e o Tempo.
Aos catorze anos, Henrique casou-se com Catarina de Médicis, da mesma idade, uma não muito atraente mas riquíssima herdeira que traria no seu dote metade da Itália.


Catarina conheceu Henrique no dia do seu casamento e de imediato se apaixonou por ele, mas Henrique não tinha sentimentos senão pela bela Diana.


Depois de coroado rei, Henrique governaria a França com Diana a seu lado.


A relegada Catarina tomou como divisa "Odiar e Esperar" a morte de Diana para conquistar o amor do esposo e finalmente reinar a seu lado.


Mas o destino seria outro...
O triângulo amoroso protagonizado por Henrique II, Diana de Poitiers e Catarina de Médicis ficou marcado por um intenso e perigoso jogo de sedução, traição e morte com incalculáveis consequências políticas e militares para a França e para a Europa do Renascimento.


Nunca uma história com um pendor tão claramente passional teve contornos tão vincadamente políticos como este amor desmedido de Henrique II por Diana de Poitiers."

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

No funeral


Sentia-se estranho.
Estranhamente vestido.
Estranhamente deitado.
Estranhamento rodeado por flores de odores que acutilavam o espirro compulsivo.
Não estava na sua cama e nem de pijama.
Estava deitado com sapatos num madeiro duro, escuro.
Estava muito escuro, até a grande porta se abrir.
Percebeu então que estava morto.
Alguns se abeiraram e falavam de si:
Do seu rosto aparentemente vivo,
Do seu coração que tão generoso fora,
Da viúva, que por certo logo se casaria, “pobre dele que se ia”…
Dos filhos e das necessidades que a sua falta lhes acarretaria,
Dos sarilhos de saias em que se metia …
“ Hum … mais vozes que nozes…” cogitava ele, mais morto de espanto …
Era tanto negro, era tanto o pranto…
E no fundo a um canto, como que escondida, a rapariga da firma de segurança e higiene que garantia tais serviços no seu local de trabalho olhava-o fixamente como que a suplicar que reabrisse os olhos.
Nunca reparara na sua beleza.
Com uma candura roubada à pureza da alma, a expressão de uma dor profundamente silenciada, moldava-lhe o rosto.
Ela sofria.
Sofria, realmente.
Ele podia vê-lo.
Não gritava, nem enfeitava gestos largos de um pesar representado.
A sua lágrima calada, grafitada a esforço pelo silêncio profundo de quem ama aceitando a triste sina de saber nunca poder ver retribuído esse sentimento, revelava-lhe um facto que o ressuscitou daquela morte inacabada:
Entre tantas pessoas que o rodeavam e a quem tanto dava, naquele momento, aquela mulher era a única pessoa que o amava.
Diogo acordou com a sua disposição em alta.
Doía-lhe um pouco as costas, como se as houvesse assentado num madeiro duro e escuro…
Foi trabalhar.
À entrada a menina da firma de segurança e higiene olhou-o e saudou-o com um sorridente, “bom dia senhor doutor Diogo, parece muito bem disposto, deve ter tido bons sonhos esta noite …”
- Sonhei que jantaria hoje com uma linda princesa.
- Ai sim, Senhor Dr ?
- Quer jantar comigo esta noite?
- Euuu?!... Bem eu… e a sua senhora não se zangaria?
- Absolutamente, tratarei para que ela conheça o rico Agente da funerária a quem me entregaria e em quem já esfregava a perna, ainda eu não arrefecera…
- Como?!...
-Aceita?!...

(..........................................................................)

Quantos de nós poderiam realmente afirmar com toda a certeza quem o choraria nesse dia...

A vida surpreende-nos tantas vezes.

Por vezes cuidamos de um espaço, plantando nele as sementes mais profundas, mais bonitas, para que germine em mágico jardim aonde colocamos em alto pedestal as pessoas que queremos encantar e a quem nos damos.

E constatamos que é uma pequena sementinha, que cresceu contrariando as agruras do mau tempo e da qual nunca cuidamos e nem demos nada que floresce na nossa mão e nos ampara nos momentos de aflição ...

(...)

Se pudesse fazia uma expressa, clara e inequívoca declaração de gratidão...
Contudo,

Quero agradecer as lágrimas derramadas pela minha "morte".

Deus serve-se por vezes de outros braços para tomar ao colo aqueles que carregam o peso da ignomínia e da injustiça...


DE CORAÇÃO, MUITO OBRIGADO!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

O que deseja realmente uma mulher ?

Todos os dias
Ela lhe pedia:
Não me deixes, não me deixes tão só
Ele abraçava-a, como se pequenina fosse,
E dizia:
Tem que ser, tens que compreender …
A vida é uma luta, desde o berço ao pó
Logo te volto a ver…
Assim se repetiam dias de desenganos
Ele construindo castelos de pedra
Ela morrendo nos escolhos dos sonhos

Fica comigo, pedia ela, manipulando sedução no olhar
Não posso, querida, tenho que trabalhar …
Mas tens tantas horas e nelas pessoas…
Flores, cartões, delicadeza, encanto
A essas, dás tanto…
Quase te não vejo, eu que te quero tanto…

Procura distrair-te…
Podias ter amigas para conversar
Vou plantar-te ao colo um terço de brilhantes
Sedas muito belas, flores inebriantes…
Vou dar-te um PC de “último grito”
Causará inveja por ser tão bonito.
Podes conversar, podes distrair-te
Apenas não peças que contigo fique
A vida é assim, eu quero ser rico…

Primeiro passo que ela deu na “rede”
Foi tal o anseio, grande o desajuste…
Mas hoje, amanhã, surge novo amigo…

Que fazes, pergunta ele, não queres estar comigo?
Sempre querido. Mas tens que trabalhar, és o nosso “abrigo”

Um dia o José disse que era bela, doce generosa,
Casaria com ela

No outro o João, fonte do desejo, chamou-lhe sereia
De um mar em solfejo

Depois o Manuel, o Vítor e enfim, surgiu o
António para viver para si.

Todo o mundo dele era o olhar dela,
Reescreveu ternura, reescreveu candura

De tudo o que queria, tudo se consumia no sorriso dela.

Quando ele voltou, um dia cansado,
E se acostou à pedra do castelo que erguera a seu lado
Deu por falta dela,
Ai, como ela o amara, ceguinha, em prece e em pranto.
Era sempre bela, fora sempre encanto…
Como pudera ela que o quisera tanto,
Mudar-se para o colo de um pobre António que vive no campo …

Maria

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Manta de Retalhos


Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.


Eugénio de Andrade

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Chave de Sonhos


Aproxima-se mais um fim de semana.

É uma tempo estranho, este final de Agosto. Como um pequeno pedaço de terra situado entre dois cursos de um mesmo rio que não chegou ao mar, nem dispõe de espaço bastante para nele se montar tenda.

Algumas pessoas ainda estão de férias.

Vão regressando, aos poucos.

É o tempo de chegar ...

Foi neste tempo, meio fora de tempo, que encontrei pela manhã, a minha amiga Cila.

Gosto tanto dela mas nunca acertamos tempo de estar juntas.

Cumprido o protocolo da futilidade feminina, elogiadas formas, modelos, vestidos e despidos, um olhar mais profundo soltou-lhe o verbo verdadeiro:

- Não tens andado a dormir bem, Maria... quererás contar-me o que se passa?!...

- Também conheces receitas para dormir ? Perguntei-lhe ciente de que seria a provocação suficiente para a fazer falar durante o tempo necessário a esquecer o que me havia perguntado.

E claro que a resposta veio pronta, cozinhada com requinte e graciosidade.

- Ai duvidas?!...

Pois aqui vai ,

RECEITA DA CILA PARA BEM DORMIR

Ingredientes necessários:
- 1 homem paciente, ternurento e muito apaixonado,
- 1 cd contendo música relaxante e simultaneamente estimulante, sugerindo-se p ex este tema musical : http://www.youtube.com/watch?v=gh_9leIFl7Y ,
- 1 banho perfumado a essência de rosas e flores silvestres,
- 1 potezinho de morangos e amoras ou outros frutos silvestres coloridos,


-1 embalagem de natas frescas com açúcar,


- 1 pequenina malagueta,


- Bebida a gosto...


Grau de dificuldade na execução : variável :-)

Desenvolvimento:


Comece por emergir num banho morno , perfumado a essências florais até sentir impregnada na pele hidratada a óleo para bebé, o perfume em causa.


Dispa as preocupações, feche a porta ao mundo e entregue-se nas mãos do primeiro ingrediente da nossa receita.


Deixe-se amar, doce, deliciosamente, fechando os olhos a tudo o que possa despertar-lhe emoções negativas.


Alterne com imaginação os demais ingredientes por forma a adensar e tornar mais gostoso e estimulante o resultado final


Repita sempre até à perfeita execução .


Após, adormecerá como um anjinho até pelo menos o raiar de um novo dia.



Descrita a "receita" Cila olhou-me como se gloriosamente possuísse a chave dos sonhos e perguntou-me :


- Compreendeste ?...


- Claro, Cila, compreendi. Mas diz-me aonde queres tu que eu vá arranjar amoras nesta época do ano ?!...




Maria