terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Luto

CHORANDO A MORTE DE DEUS : MEU DEUS É MORTO...
Deus morreu
E levou consigo
Meu amor prometido
Que jamais aconteceu

Levou também a esperança
De viver um dia
O sonho criança

Deus apagou as estrelas
Cobriu a lua
Com um manto de tristeza

Secaram-se os jardins
A noite agora não tem fim

Deus não morreu para você
Deus morreu pra mim

Ele ainda te ilude com cores
E falsos amores

Ainda há uma surpresa no final…
Rauan Oliveira

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A insustentável leveza do ser

(Maria 2009)

Solicitaram-me hoje que apoiasse uma instituição de solidariedade no domínio da prevenção e repressão da violência doméstica.
Qualquer abuso ou agressão sem justo motivo de um ser humano sobre outro, ou sobre qualquer outro ser, tem à partida a minha repulsa.
Logo e como bem se compreende, coisa diversa não podia defender no âmbito de relações familiares ou de proximidade similar.
Talvez por isso, desde que me conheço, expresso em tom audível a minha voz para dizer o que penso a este respeito e ainda que em silêncio faço o quanto alcanço para minorar este fenómeno.
Há quem não consiga separar a luta da mulher pela igualdade de direitos e esta situação e erradamente, reconduza uma coisa a outra de forma absolutamente redutora.
Nunca desconsiderei o esforço das mulheres que ao longo da história, com luta e o sacrifício da sua própria condição feminina e por vezes de suas vidas, conquistaram o direito ao voto, a exercer uma profissão independentemente da determinante sexual, que ganharam o direito a frequentar universidades, a ocupar órgãos de Soberania, designadamente as funções inerentes à Magistratura em Portugal que estavam vedadas até a " Abril" a mulheres.
E esta é uma área aonde nada está ainda "assente" e segura, eu acho.
Contudo o problema na questão da violência é mais que esse : não pensamos que uma pessoa não deva ser agredida porque é igual ao agressor, mas porque é pessoa. E essa sublime condição essencial garante-lhe como sacro, o direito à sua integridade física, psíquica e mental.
Trabalhar contra a violência é trabalhar pela dignificação da pessoa.

Não estão apenas em causa as mulheres. Por vezes crianças, idosos, pessoas portadoras de deficiência e mais indefesas.

Mas a dignificação da pessoa antes de mais, tem que ver com a dignificação pessoal de cada um.

Quando alguém compreende o verdadeiro valor da sua dignidade enquanto pessoa, mais dificilmente tolera o abuso ou a agressão desse valor.

Hoje, casualmente, entre os meus livros de quarto, peguei na obra de Milan Kundera que deu aliás origem ao filme com o mesmo título "A insustentável leveza do ser" e reli alguns dos seus trechos.

Como por certo se recordam o livro trata da história de um jovem médico ( Tomas ) que mantem dois relacionamentos amorosos . Sabina, para quem isso é absolutamente indiferente, pois encara os relacionamentos a dois como Tomas e Teresa com quem é empurrado para um compromisso de vida comum.

Esta mulher sofre dilaceradamente a partilha dos afectos, da dávida de corpos por parte de Tomas e Sabina, mas estoicamente tolera tudo isso, porque por mais ferida, espartilhada que ficasse a sua alma, perdê-lo ser-lhe-ia mais intolerável.

Há um momento especialmente impressionante em que Teresa visita Sabina e lhe pede que a deixe ver, assistir a um acto de relacionamento sexual entre Tomas e esta última.

A fragilidade e a entrega tão absoluta de Teresa acabam por "vencer" o coração de Tomas e até comover Sabina.

A questão que gostaria de perceber é esta : porquê aceitar essa fragilidade insustentável de um ser amado, ao invés de buscar algo que nos segure, que nos faça bem, que nos fortaleça?

Este é o grande dilema, o verdadeiro dilema profundo de quem se deixa maltratar : é a primeira pessoa a escolher para ela um veículo de sofrimento, aprisionar-se a ele, sem se dignificar a si própria antes de mais...

O mais grave de tudo, é que a toda a escala, mesmo as mulheres mais alertadas, as pessoas mais bem preparadas, vêm-se por vezes aprisionadas a factores que lhes projectam as vidas e os seres nas flutuações de uma insustentável leveza de um ser...


É para aí que devem antes de mais ser voltadas as nossas munições. Trabalhando a auto estima, desmistificando por vezes aqueles que entronizamos ...

Em suma : a primeira luta pela dignidade é connosco próprios !


Maria

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Voo rasteiro



Depois de ler esta notícia confesso que não contenho a curiosidade:

Que poderão ter conversado os senhores pilotos que tanto chamuscou as asinhas dilectas

da nossa distinta transportadora aérea?


terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"A liberdade é isto ..." SIC é televisão ...

(Só tem 17 anos. Espero que prossiga caminho na música.Em mim já tem fã.)

"ÍDOLOS"-UM PROGRAMA FEITO À MEDIDA PARA ENCONTRAR UM ÍDOLO...

PARA QUEM?! ...



Toda a arbitrariedade, toda a injustiça, toda a prepotência me transtorna.

Que fazer?! É mais forte do que eu...

Durante meses a fio um júri nem sempre constituído pelos rostos ora visíveis na SIC no programa ídolos, seleccionou entre mais de uma quinzena de milhares de jovens, 15 candidatos que considerou terem as melhores vozes e características mais adequadas para se tornarem num ídolo da música pop em Portugal e mais além :)

Pessoalmente conheço algumas vozes que concorreram e travei contacto pessoal com outros tantos jovens que foram a prova e devo dizer que ouvi muitas vozes belíssimas excluídas sem compreender muito bem os critérios que determinaram a opção por estes 15 concorrentes em concreto apurados.

Facto é que restaram estes 15.

Ao contrário do que supõe o júri do Ídolos, os portugueses percebem o que é uma voz afinada.

Muitos portugueses percebem. Compreendem em que consiste a amplitude vocal de um cantor e genericamente deve dizer-se que de tanta escolha não restou uma voz como um Paulo de Carvalho, um Carlos do Carmo, um Rui Velozo ou um Miguel Ângelo(Delfins). E nem , de todo, uma voz feminina de soprano minimamente decente.

Isto é um facto, por muitas maravilhas que possam atribuir aos candidatos em prova.

Agora, claramente, um ídolo não se faz só de voz.

Pedro Abrunhosa não tem grande voz mas quem dirá que não é um dos nossos ídolos?

E até mesmo Madona ? Tem voz ?

Eu penso que Laurent é claramente o membro dos jurados dos ídolos com genuína sensibilidade musical e conhecimento de música.

Admito estar enganada.

Os demais, terão alguma, mas sobretudo um grande sentido

de espectáculo musical.

Ao exercerem aquelas funções não podem perder nunca de vista que o ídolo que procuram não é para eles, ou seja, não estão ali para encontrar o seu ídolo, mas aquele dos candidatos que aos olhos da maioria das pessoas que compra música possa funcionar como ídolo bastante para que a sua música venda.

Por isso, não tem o senhor Manuel Moura dos Santos o direito de "se estar nas tintas para o gosto da maioria", porque ele não é ali só o Senhor Manuel Moura dos Santos com os seus gostos pessoais, na busca de um ídolo seu. Não, o seu dever como júri, é mesmo colocar de parte esses gostos e verificar quem junto do público funciona como um ídolo.

Claramente é tendencioso no modo como avalia os concorrentes. A ideia de querer que vença a Diana ou o Filipe são por demais óbvias.

Já o foi assim aquando da rejeição da Luciana Abreu. Contudo veja aonde ela vai e aonde pára o ídolo que então escolheu ...

Eu admiro a inteligência e a garra desse rapazito de apenas 17 anos, o Carlos Costa, que sem nunca perder a humildade, cresce de gala para gala não obstante todo o mal dizer do senhor Moura dos Santos.

Reconheça Senhor Moura dos Santos, esse rapaz tem TODAS as características para ser um sucesso de qualquer bilheteira : não tendo um vozeirão( nenhum candidato a tem), é afinado, eficaz, tem um sentido tremendo de espectáculo, e busca interpretar o que deseja o público para ir ao encontro do seu gosto .

É inteligente? Tem estratégia?

Quer que lhe peça desculpa por isso?

Se a maioria dos portugueses gosta do tal "pop foleiro" que o Senhor Moura dos Santos rejeita, será só o Senhor Moura dos Santos depois o único dos portugueses a comprar a música do(a) seu(a) ídolo erudito(a)?

Contudo, não se aflija tanto, pois mesmo não ganhando este concurso, este rapaz vai singrar no mundo do espectáculo. Quer apostar?!...
Antes do seu direito à livre opinião, tem o senhor um dever como jurado : ser isento e isso, até o "povinho foleiro" já percebeu que não é.
E sabe mais : também há quem veja nisso qualquer coisa de igualmente pouco" elegante"...

Assim o designo por ser para si. :)

Liberdades... Maria



domingo, 17 de janeiro de 2010

Um pequeno gesto a quem está por perto ...

(Praia de Afife- Viana do Castelo)


Uma notícia da autoria de Ana Peixoto Fernandes do Jornal de Notícias, captou particularmente a minha atenção :

"Joaquim Carvalho foi durante três décadas o proprietário do restaurante mais conhecido de Viana do Castelo. Há seis meses, a ASAE fechou-lhe a casa por alegadamente não ter condições. O desgosto levou o empresário para o desleixo, abandono e miséria.
Foi dos anos 60 aos 80 o salão de festas mais badalado da região de Viana do Castelo e o restaurante predilecto de várias gerações pela sua localização à beira mar, em Afife. Fechado há pouco mais de seis meses pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), o estabelecimento conhece agora a decadência. O proprietário, Joaquim Carvalho, vive lá dentro, abandonado a si próprio e em condições degradantes."

Leia aqui o texto integral.

E aí por Viana do Castelo não existe nenhum investidor interessado em associar-se a este homem que deu nome e história na cidade a esse Restaurante com vista a reerguer tal espaço ?

Sabem, há grandes tragédias que em nada podemos remediar.

Lamenta-mo-las, chora-mo-las, mas não está ao nosso alcance minorá-las.

Mas há um verdadeiro herói em todo o homem que diminui o peso de uma tragédia que lhe está próxima ao invés de lhe ficar indiferente.

Se esse é o seu caso, não hesite em devolver a Viana do Castelo a excelência desse espaço que emblematicamente serviu por décadas a cidade e devolver dignidade a esse Homem que "preso" a ele permanece.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Se eu não precisasse de Deus ?!...

 
"Só a necessidade que eu tenho me justifica.
Que seria de mim se eu não precisasse?
Que seria de meu corpo se não houvesse
o aviso da fome? Que seria de mim se não
houvesse o futuro? Que seria de mim se eu
não precisasse de Deus?"
Clarice Lispector, "Esboço para um possível retrato"
"Mas há a vida que há para ser vivida, há o amor.
Há o amor. Que é para ser vivido até a última gota.
Sem medo. Não mata."

Clarice Lispector

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

SERÁS SEMPRE TU !


LETRA ADAPTADA AO PORTUGUÊS :

Através da escuridão,
Eu posso ver a tua luz .
E tu sempre brilharás ...
Posso sentir o teu coração no meu
Teu rosto eu memorizei,
Eu te idolatro pelo que tu és

Eu olho para
Tudo o que tu fazes,
Aos meus olhos tu não fazes nada errado .
Eu te amo há tanto tempo
E depois de tudo dito e feito
Tu ainda és TU
Depois de tudo
Tu ainda és Tu.

Tu passaste por mim
Posso sentir a tua dor
O tempo muda tudo
Mas uma verdade permanecerá
Tu ainda és tu
Depois de tudo
Tu ainda és tu

Eu olho para
Tudo o que tu és
Aos meus olhos tu não fazes nada errado
e embora nunca me perguntes
Eu te lembrarei
E do que a vida te fez passar

Neste mundo cruel e solitário
Eu encontrei um amor:
Tu ainda és tu
Depois de tudo
tu ainda és tu.

sábado, 9 de janeiro de 2010

HÁ PENA DE MORTE EM PORTUGAL !


Talvez você seja pai, mãe e como todos os pais empenhe todos os seus sacrifícios, quantas vezes, além das próprias forças na preparação de uma vida estável para os seus filhos.
Alguns lembrar-se-ao das horas que se sentaram junto a eles para que eles preparassem um texto para a escola, um trabalho, ou até numa pontual situação de sobrecarga do seu filho lhe redigiu o mesmo , depois da sua própria esgotante jornada de trabalho diário.
Lembrar-se-ao das horas que o motivou a ir mais além, a prescindir de passear, sair, viver e permanecer no quarto, fazendo "directas" a estudar para se preparar para exercer uma profissão digna.
Talvez você mãe até tenha dito à sua filha que nada mais importante para ela do que ter a garantia de uma remuneração condigna da qual pudesse sobreviver honestamente, ainda que o casamento lhe falhasse e ela não pudesse contar com o apoio de terceira pessoa.
E por certo se lembra da festa com o seu filho quando terminou o liceu, o fôlego de alma no reforço do orçamento e o empenho de toda a família quando entrou para a faculdade e o êxtase de felicidade que foi o momento da sua licenciatura.
O orgulho depois, a luta por um emprego, até à sua estabilização profissional.
Quantas vezes você comentou no café, aos amigos, da tranquilidade que sentia porque formou o seu filho ou filha e ora já na sua velhice descansava na ideia de que estava encaminhado e tinha garantida, pelo trabalho, a sobrevivência da sua família.
Pois bem, tenho a certeza de que me compreendeu.
Porque eu própria já vi estas emoções em pessoas muito próximas de mim.
E sei também das emoções do próprio que com o esforço de muitos anos da sua vida se prepara para exercer uma profissão, sobretudo quando esta é para si também uma paixão, uma missão de vida, uma forma de interferir no mundo dos outros procurando à sua escala de indivíduo, melhorá-la.
Imagine agora que exerce uma profissão, procurando fazê-lo o melhor possível e que inopinadamente um superior hierárquico, um chefe , lhe abre um processo disciplinar alegando que não executou nas melhores condições determinado serviço.
Pensará que se realmente isso aconteceu é essa pessoa o merece.
E talvez assim seja em termos abstractos.
Contudo, você conhece a vida também e sabe que nem sempre isso acontece por a pessoa o merecer.
Quantas vezes, pessoas que desassombradamente e arriscando a vida dizem o que lhes ordena a consciência e o seu quadro de valores seja lá em que situação for, recebem do "chefe" uma declaração neste estilo " eu vou dobrar-lhe a crista, apagar esse fogo que incendeia alegadas consciências ao seu redor, fechar-lhe a boca, dobrar-lhe a língua"...
Para os funcionários públicos e para todos os profissionais a que se aplique o mesmo regime jurídico disciplinar, (e foco aqui o objecto deste texto pela especial proximidade minha a este regime, contudo sem deixar de esclarecer que o problema pode colocar-se em geral em qualquer relação de trabalho subordinado e não só, como é o caso da advogacia ) sendo que cabem aqui quase todas as profissões entre quadros técnicos superiores, técnico profissionais e muitos outros desde os hospitais, às escolas, às Polícias, aos Tribunais, etc, etc .
A definição dos respectivos deveres funcionais vem prevista na lei por remessa a conceitos vagos, imprecisos e que são preenchidos na prática pelas decisões dos tribunais e pela doutrina de direito administrativo e de direito constitucional.
Especificando com alguns exemplos hipotéticos, mas muito possíveis :
a) um médico está sozinho na sua especialidade num hospital e em urgência hospitalar surgem-lhe 3 ou 4 grávidas em risco.
Ele tem a noção que as 4 estão em risco, mas sabe que não poderá intervir na remoção desse risco em todas elas em simultâneo, porque está só. Então procura avaliar o grau de risco de cada uma e opta por iniciar a primeira cesariana. Contudo, outra destas mulheres morre ou perde o bebé nesse período que que intervencionava a que julgou em maior risco.
É aberto um processo para apurar responsabilidades e cai-lhe em sorte um instrutor que não gostava daquele médico.
Não que tivesse razões objectivas para não gostar. Simplesmente lhe parecia muito bem sucedido com as mulheres e sempre aspirara em segredo ao amor da mulher dele.
Este instrutor conduz o processo levando a administração do hospital a pensar que a escolha daquela doente constituiu um erro grosseiro por parte do médico.
Junta depoimentos da vítima e seus familiares, dando nota das dores de que se queixava, dos evidentes sinais, o sangramento, até a chamada de atenção de uma enfermeira para aquela paciente.
E omite os sinais de perigo que o médico verificou na mulher que conseguiu salvar.
Acresce que aquele médico frequentemente confrontava a administração com reivindicações de recursos, meios, expunha ideias que geravam polémica.
Escrevia num blogue e comentava blogues da especialidade e não se inibia de dizer o que pensava por considerar que isso faria as autoridades repensarem certas questões e consequentemente assim contribuiria para uma melhor qualidade de vida dele próprio e dos demais cidadãos.
Então a administração desse hospital, recebendo do instrutor aquela posição, tinha ainda o argumento do "efeito opinião pública" em choque e natural consternação pelo sofrimento daquela mulher que morreu e fica em circunstâncias ideais para livrar-se ou punir severamente aquele médico tão incómodo, tão polémico.
Assim, atentas as consequências do acto (uma morte) aplica-lhe uma pena de inactividade.
Ou seja, o médico fica impedido de prestar funções e durante esse período não recebe vencimento ou remuneração.
Decorre da lei, a pessoa a quem for aplicada uma pena de inactividade não recebe remuneração.
É assim para o médico, mas é assim também para todos os outros profissionais a quem se aplique.
Este exemplo serve apenas para elucidar como uma pena disciplinar que deve ser aplicada apenas a faltas disciplinares muito graves, pode sê-lo até a pessoas que não o mereçam, pois no caso quem pode garantir que se o médico optasse por operar primeiro a outra paciente, não era a outra que morria?
Ora bem, esta pena disciplinar acarreta efeitos pessoais muito mais gravosos que uma pena criminal.
Repare, de um momento para o outro qualquer pessoa, por vezes já ao fim de 15, 20 anos de exercício da mesma profissão é remetida a uma situação pior que um desemprego.
E porquê pior?
Um desempregado pode requerer um subsídio de desemprego enquanto procura trabalho, o que não é o caso da pessoa que sofre mais ou menos justamente esta pena.
Mais, pior que isto, há certas profissões e estou a pensar por exemplo nas polícias, nos magistrados, sejam eles judiciais ou do ministério público que estão mesmo impedidos por força da lei de trabalhar em qualquer outra coisa.
Ou seja o respectivo estatuto profissional não lhes permite o exercício de qualquer outra função remunerada.
Assim se um desses profissionais for condenado a uma pena de inactividade de um ano, por exemplo, durante esse período não pode exercer outra função, nem recebe remuneração.
E perguntarão : mas isso acontece a magistrados? E porquê?
Por corrupção ? Por factos muito graves que atentem contra a mais elementar consciência pública ?
Não, necessariamente.
Poderá acontecer-lhes como ao médico deste texto.
Na verdade, por exemplo, aqui está um caso em que assim não ocorreu. Segundo o autor deste blog, um magistrado que não conheço e a cujo blogue casualmente acedi,
diz que sofreu essa pena apenas porque por objecção de consciência não cumpriu ordens superiores.
O mais impressionante no caso é que a pena de inactividade é aplicada por um ano em 1993 (há 16 anos) e pelo que compreendo este Senhor fez o que é possível fazer no caso : recorreu da aplicação dessa pena para o Supremo Tribunal Administrativo que lhe deu razão, anulando a decisão em 2008.
Contudo, ao que conta até hoje o Conselho Superior do Ministério Público não o devolveu às suas funções alegando a satisfação do interesse público para não cumprir a decisão do Supremo Tribunal Administrativo.
Quando alguém sofre uma punição como esta, vai para casa. Decorrido o primeiro mês sem vencimento, começa a sentir que não há dinheiro que lhe permita pagar a electricidade, a água, o gaz, o telefone, as despesas escolares dos filhos, a mesada com que auxiliavam os pais velhotes que o ajudaram a formar-se, as prestações do carro, da casa, os créditos, as finanças, até chegar ao momento em que falta para a comida.
Se não conseguir empregar-se ou estiver impedido de o fazer enquanto aguarda a decisão do Tribunal Administrativo, mesmo que ela venha, como neste caso citado, a ser-lhe favorável, já a sua morte civil terá ocorrido e a sua desacreditação profissional e pessoal estará irremediavelmente consumada.
Desde Egas Moniz que uma pena não reveste na história de um Estado civilizado um carácter tão ignóbil : os filhos menores, os dependentes daquela pessoa, totalmente inocentes, com ela passam fome, ficam sem electricidade, água, gaz, telefone, dificilmente prosseguem na escola até sabe-se lá que destino lhes ser dado quando tudo estiver irremediavelmente perdido.
Num País aonde um Governo se mostra suficientemente aberto e "humano" para admitir o "direito ao bem estar psicológico" na constituição de uma família independentemente do seu sexo, como é possível que ninguém erga a voz para eliminar esta pena, nas circunstâncias que existe, das penas disciplinares previstas em lei?
Porque é que constitucionalistas como Jorge Miranda, Rui Medeiros e outros de reconhecido saber em direito constitucional não alertam para a inconstitucionalidade desta pena por patente violação dos mais elementares direitos fundamentais da pessoa humana ?
Tinha muita curiosidade em conhecer números e casos. E penso que as pessoas de séria consciência neste País e que na condução do seu destino têm responsabilidades, também deveriam tê-la.
Nunca vi este tema abordado por nenhum meio de comunicação social.
Contudo não será difícil encontrar dados pelos diversos departamentos e serviços do Estado e até entre as Polícias e as magistraturas que permitirão fazer uma análise desta situação que não deveria deixar ninguém descansado.
A minha última palavra neste texto que já tanto se alongou vai para aquelas pessoas que cientes de que estão a provocar não só a desgraça pessoal, familiar e profissional de uma pessoa, o fazem sabendo que nesse caso concreto nem há qualquer acto real de justiça na aplicação dessa pena em concreto àquela pessoa.
Quem sabe um dia a roda da vida os surpreenda e não sejam eles a cair em desgraça?
Quem não se recorda da imponente Torre de Babilónia, da força do Muro de Berlim ?
Betão e aço, sangue, suor e lágrimas de tantos que o tempo parecia revelar indestrutíveis...
Mas mesmo esses cairam...
E eu tenho muito pena daqueles que caiem e se afogam no lodo da própria desgraça que promoveram e criaram ...
Esta pena, nos termos em que se mostra consagrada na lei e nas circunstâncias de acesso à Justiça Administrativa actualmente existentes, contitui uma verdadeira declaração de morte civil.
E tantos há que como Pilatos se limitam a lavar as mãos de olhos fechados ao sangue de inocentes...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A sagrada instituição do matrimónio ...

(imagem retirada da net de um dos muitos sites que promove acompanhantes de
luxo em Portugal )


Prolongam-se as vozes da discórdia sobre a questão do casamento homossexual.
São poucos aqueles que com a verdade politicamente fora de moda, mas pelo menos autêntica, assumem corajosamente a posição de defender o não, por razões religiosas e morais.
Na verdade para os cristãos "homem" é "homem", "mulher" é "mulher".
Foram criados para se complementarem e por isso se atraem naturalmente.
As sagradas escrituras referem-se àquilo que devem ser as vestes do homem e da mulher e referenciam expressamente que a mulher não deve vestir-se como se homem fosse. Deve usar cabelos longos como se fora um véu.
Depois temos Sodoma e Gomorra, as cidades malditas que Deus terá destruído por nelas ter acabado toda a espécie de moralidade, sendo que homens se deitavam com homens e mulheres com mulheres.
A homossexualidade é assim para muitos um pecado.
Admitir o casamento entre homossexuais seria institucionalizar o pecado.
Os que não tem coragem de assumir esta ideia vão por ínvios caminhos : para quê casar, afinal o que mudará na vida desses homossexuais que querem casar ?
Eu respondo : o mesmo que muda para qualquer pessoa que case.
Pois, mas dizem outros, suposto é que um casamento consagre um verdadeiro amor, para ser vivido nas boas e más horas, até à morte.

Ora bem ...
Recentemente uma amiga descobriu que uma filha sua ainda adolescente fizera uma nova amizade. Tratava-se de uma moça que dançava no varão de um bar de alterne de quinta categoria nos arredores da cidade aonde viviam.
Que pânico! Que péssima influência... que fazer para afastá-las?
Quis conhecer a putita.
Era uma menina com 19 anos (apenas 4 a mais que a sua filha). Filha de pai incógnito, perdeu a mãe aos 14 anos. Foi acolhida por uns primos. Um casal . E com o primo conheceu o alterne e teve a primeira relação sexual. Agora tinha um namorado que "amava muito" e só ia para a cama com outros se lhe faltasse mesmo o dinheiro.

Nunca completou sequer o 6º ano de escolaridade obrigatória.
Mas ela conhecia o casamento.
Ela não casara, mas todos os seus clientes eram casados.
Homens que compravam sexo a diversos montantes, variáveis dos 50 aos 250 € a meninas como ela.
O que mais a preocupava era as "acompanhantes" licenciadas. Estavam mais preparadas para dar fantasia aos homens casados e até passavam por boas meninas prestando-lhes outros serviços remunerados, acompanhando-os em eventos vários.
Os homens casados que não podiam pagar "acompanhantes de luxo", só mais raramente iam ao alterne e era mais difícil fazê-los beber e gastar. Mas , fazia-se ...
Então eles falavam das suas frustrações, do tempo que se masturbavam graças à "benta net", em sites de pornografia gratuita e razoável qualidade e até das vezes que iam à mata nos momentos de crise muito aguda ...
Alguns elogiavam as mulheres, boas mães, bonitas até, porém exaustas da rotina do dia a dia, sem encanto e fulgor, sem ardor e paixão.
Como se vê não é necessário ser casado para conhecer o casamento.
E é então a este maravilhoso mundo de afectos que pretendem aceder os homossexuais?
Não, não é.
Querem casar pelos motivos que toda a gente casa: porque querem um projecto de vida comum, um património comum, direitos inerentes a esse projecto comum e a esse património comum. Querem ser reconhecidos como casal. Como os demais.
Família, amor, verdadeiro amor....
Meus senhores, se existe e se é possível, garantidamente, isso é outra coisa !
Então, e assim sendo, casamento de homossexuais, porque não ?!

Até ao eclipse imprevisto


quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Deixa que te diga ...


É mais que certo que para tudo nos dias de hoje se encontra um estudo.
O que mais impressiona é quando vemos descritas verdadeiras banalidades e lugares comuns por parte de vozes de especialidade técnica.
Exemplificando : alguém pergunta se mulheres dos 14 aos 50 anos reagem da mesma forma à rejeição.
E claro, é necessário que o/a psicólogo/a exaurido/a de tanto estudar o assunto, conclua que não, pois faz toda a diferença a maturidade da pessoa no modo como enfrenta um sentimento de rejeição.
Isto não é óbvio ?!...
Mais curioso ainda é depois a conclusão de que algumas mulheres mais maduras reagem à rejeição como uma adolescente.
E como reage uma adolescente ?
Não apenas com a dor da perda mas perdendo a sua própria estrutura funcional no domínio dos afectos.
Perdendo a auto estima, iniciando uma série de novos relacionamentos, num misto de necessidade de sobre avaliar a auto estima, de auto-compensação afectiva e de punição , com a entrega a terceiros, do afecto que tão especialmente reservara ao rejeitante.
O estudo conclui assim que mulheres adultas , mais excepcionalmente reagem igualmente desta maneira.
Porém, também certas adolescentes reagem com maior maturidade.
Ou seja, o estudo conclui tudo o que pode observar-se no mais comum dos olhares sobre a vida.
Mas o mais engraçado de todos os estudos que a este nível vi, abordava uma questão pungente para as mulheres : como fazer-se amar pelo respectivo companheiro sem ser traída ?
Vejamos então uma fórmula mágica:
"Para o homem é muito importante se sentir valorizado e amado, pela esposa ou namorada. Por isso, seja carinhosa em todos os momentos da sua conquista, fazendo-lhe sempre elogios .
Diga-lhe que gosta do seu cheiro, que ele tem um corpo maravilhoso (mesmo que ele tenha uma barriguinha saliente), que ele é carinhoso, e demonstre sempre a sua felicidade e satisfação por estar com ele em todos os lugares, na cama, na rua, no trabalho, na cozinha, etc."
Se isto lhe parece brincadeira ou desconsideração pela inteligência dos homens, engana-se. Isto é defendido pela psicologia ou psicoterapia relacional conjugal em voga( "aquela que concerta casamentos" ).
Ou seja, se o seu marido chegar a casa a cheirar a cavalo depois de um arraial de feijoada, não se esqueça de lhe dizer : ai filho, que cheirinho a rosas...
É garantia de fidelidade absoluta.
Porque se ele estranhar e lhe perguntar de onde provém tal cheiro, acrescente que não só são rosas, como pérolas tudo o que sai da pessoa dele...
Portanto, quanto à garantia de fidelidade, fiquei esclarecida !
Só há uma questão que nenhum estudo ainda explicou suficientemente e me atormenta, pois devo confessar já ter experimentado o fenómeno : porquê que as pessoas verdadeiramente apaixonadas adoram o cheiro a cavalo, e vêm um Adónis na pessoa objecto da sua paixão, ainda que isso não seja particularmente visível aos demais seres viventes ?!...
Ninguém sabe.
Pronto. Far-se-á então um exaustivo estudo sobre isso...
:)

Maria

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

sábado, 2 de janeiro de 2010

Morada aberta ...

Que em todas as portas entrem milagrosas maravilhas : bom ano !

Diz me rio que conheço
Como não conheco a mim
Quanta magua vai correr
Até o desamor ter fim

Tu nem me ouves lanceiro
Por entre vales e montes
Matando a sede ao salgueiro
Lavando a alma das fontes

Vi o meu amor partir
Num comboio de vaidades
Foi à procura de mundo
No carrocel das cidades

Onde o viver é folgado
E dizem não há solidão
Mas eu no meu descampado
Não tenho essa ilusão

Se eu fosse nuvem branca
E não um farrapo de gente
Vertia-me aguaceiro
Dentro da tua corrente

E assim corria sem dor
Sem de mim querer saber
E como tu nesse rumor
Amava sem me prender

Vem rio que se faz tarde
para chegares a parte incerta
espalha por esses montes
que tenho a morada aberta (bis)