Na verdade esta data deveria estar longe de conteúdo tão superficial, pese embora o agrado que nos causa a todos nós seres humanos qualquer especial manifestação de carinho e sem as desmerecer de modo algum.
Há cerca de 100 anos atrás as mulheres não tinham qualquer participação na vida cívica dos seus Países e mesmo no que respeita aos seus direitos civis mais elementares, constavam para o direito, mais ou menos, como os menores e outros incapazes hoje constam : a capacidade de gozo e o exercício pessoal de certos direitos estava-lhes vedada sem autorização ou consentimento expresso do pai ou do marido.
A mulher não votava.
Quando admitida a fazer o mesmo trabalho que o homem, a lei previa que pela sua inferior capacidade do sexo decorrente, obtivesse salário inferior pelo mesmo trabalho realizado.
A mulher não acedia a determinadas profissões, exclusivamente reservadas aos homens, um pouco como hoje o sacerdócio católico é ainda reservado .
Não podia celebrar negócios, meros contratos de compra e venda dos seus próprios bens pessoais sem autorização do marido.
Etc, etc
Contra esta situação discriminatória e mais tarde com o propósito de conservar direitos adquiridos, foi criada esta data que recorda ao mundo que um grupo de valorosas mulheres saiu á rua, mobilizou fábricas, famílias, nações, tocou corações…
Para que a todos fosse reconhecido o seu direito igualmente, inerente à essência de ser humano que todos somos.
Em Portugal em 1911, apenas os “chefes de família” maiores de 21 anos que soubessem ler e escrever, eram eleitores votantes.
Carolina Beatriz Ângelo médica e viúva, alegando ser “chefe de família” foi a primeira mulher a votar em Portugal e na Europa comunitária.
Logo alteraram a lei para do seu âmbito expressamente serem excluídas as mulheres.
Em boa verdade o sufrágio universal integral para as mulheres portuguesas só ocorre em 1975.
É também após a Revolução dos Cravos que carreiras reservadas a homens se abrem às mulheres, designadamente as próprias Magistraturas.
Ainda hoje a meu ver, a mulher é discriminada no trabalho, na família, na vida .
Para os homens serão as próprias “máscaras de Deus “ na Terra, raro complemento cuja beleza exterior e interior, riqueza e sensibilidade tão singulares não podem ser prescindidas.
Confiar o respectivo destino político a uma mulher, o seu trabalho ao critério de uma mulher, aceitar os planos de uma mulher… continua a ser muito complicado.
A não ser que lhe reconheçam que Ela por ser especial, não obstante mulher, pensa, conduz-se, luta”como se fosse um homem” . “Uma mulher que até parece um homem… “
Afirmá-lo é incorrecto politicamente, eu sei…
Sou MULHERRRRRRRRRRRRRRRRRR!!!...............................














