Adoptar
uma criança é muito mais do que conduzir-se na vida generosamente.
Adoptar
uma criança não pode ser a satisfação de uma necessidade interna , pessoal de
maternidade ou paternidade. Nestes casos seria mais adequado dizer –se temos
pais para dar para adopção e não temos crianças a necessitar de pais.
Erguer
a voz para dizer eu tenho tanto direito a ser pai ou a ser mãe como qualquer outro ou outra, eu tenho
direito a ter um bebé, a ter uma criança a que chame minha, a que troque
fraldas e dê papas e banho, coloque a dormir, trate pequenas doenças com a
febre inaugural da dor de quem nos está próximo é uma absoluta inversão dos
valores que motivam o instituto da adopção.
Ninguém
tem direito a criança nenhuma, é a criança que tem direito a uma família, ela,
a criança.
Se uma
criança pudesse escolher a sua família seria certamente surpreendente verificar
que mesmo as que foram institucionalizadas porque os pais viviam
miseravelmente, nada tinham para lhes proporcionar uma vida aonde vissem satisfeitas as suas necessidades
essenciais, iam preferir os seus pais, se os tivessem.
É que
uma família é uma instituição de laços de afeto e os pobres também amam os
filhos.
Bom
dirão , mas casos há em que esse afeto não existe, verificam-se abusos
inadmissíveis de que há que proteger a criança.
Pensemos
então na adopção.
Como
são escrutinadas as famílias adoptantes?
Quem é
leigo nesta matéria como é o meu caso coloca-se as questões que me coloco :
suponho que uma equipa de tecnicos de serviço social avaliae estas famílias.
Uma
casa com luxos, estatuto social, notoriedade, serão factores que impressionam ?
Além
das motivações para adoptar o que pensa aquela família que é ter um filho ou
uma filha ?
Nos
primeiros anos, tanto mais se estiver em causa uma criança saudável, tudo é
engraçado e apelativo. As crianças vestem-se como bonequinhos de luxo, dizem
gracinhas que nos enchem o ego numa casa farta e cheia de amigos.
Mas
crescem.
E as
crianças, por mais amadas, nem sempre crescem como esperamos.
Quantas
vezes, nos melhores colégios, os adoptantes começam a receber da escola os
primeiros avisos de faltas, de comportamentos desaquados. A dada altura a
criança roubou o computador de um
professor e furou os pneus do carro a outra.
Essa
criança linda que tanto quisemos generosamente chamar filho experimentou droga
e agora furta para arranjar dinheiro
para os seus consumos.
Furta
os próprios pais.
E
agora, que fazer ?
Depois
de tanto advertir, corrigir, buscar soluções, a nossa criança já não é o motivo
da nossa festa e até fez da nossa vida um inferno.
Os pais
desavindos, separam-se.
Há que
regular o poder paternal entre eles . Há que acompanhar a criança nas ações que
ela já tem contra si em Tribunal porque algumas pessoas furtadas por ela ,
apresentaram queixa.
Há que
ressarcir, pagar. Se há muito dinheiro esse não é o problema, mas um filho
assim ... que transtorno num meio que sempre foi de tanto bem, de tanta
elevação social.
Antes
disto, muitos desistem. Outros desistem depois de muito, mas desistem.
Mas só os que amam, não desistem jamais!
Mas só os que amam, não desistem jamais!
E os
que desistem, para aliviar as suas consciências vão dizer que as professoras é
que não ensinaram bem. Foi a escola que não fez da criança o filho esperado, ou
o Tribunal que obrigado a tomar uma medida , tomou entre as que dispunha a que
lhe pareceu mais adequada.
“Não
fica assim “, demonstrarão o seu amor procurando uma amiga, um amigo bem
colocado, quem sabe a quem já fez alguns favores de circunstância e apresentará
queixa das professoras, dos magistrados.
Pois
foram eles os culpados da sua criança se tornar no que é. Enfim ...
Tive um
dia um cão de água que amei muito . A dado momento da minha vida, por não reunir
condições para o ter num apartamento procurei uma família amiga que o
adoptasse. Escolhi um casal que do que me era dado saber com segurança, tinha
meios para o alimentar e cuidar, tinha espaço, tinha todas as condições para
lhe proporcionar uma vida feliz.
Mas
certo dia visitei-os e constatei que o meu cão estava amarrado a guardar uma
oficina sob um calor tórrido. Não pude conter as lágrimas. Abracei o cão , sujo,
que ainda me reconheceu e fui buscar-lhe água fresca. Silenciosamente pedia-lhe
que me perdoasse aquela escolha, que me perdoasse o engano. Quis retirá-lo
dali, mas não mo permitiram já.
Então
acorreu-me pensar que também muitas vezes se escolhem pais só pelo que
aparentam, NUNCA É MEDIDA A RESPECTIVA CAPACIDADE DE AMAR, tal como eu escolhi
a família que ficou com o meu cão.
O papel
da psicologia nesta matéria é de um relevo inestimável. Quem quer adoptar uma
criança deve ser avaliado e bem, sob este ponto de vista.
Pensar
que uma criança que vive numa família monoparental, ou que apresente diferenças
da norma comum não será discriminada é uma questão de ideologia, é um erro grave.
Recordem-se
da “Gisberta” o transxessual barbaramente mutilado e assassinado por “crianças”.
Se há população menos preparada pedagogicamente para compreender e acolher
diferenças, essa é a infantil que muitas vezes, é crudelíssima. Pode ser
incorrecto politicamente dizê-lo, mas é verdade.
E as
crianças adoptadas além das suas fragilidades adquiridas pelo que a vida já as
feriu, terão por acréscimo que lidar com todas essas situações.
Ou seja
, o nível de exigência que conhece toda a pessoa que vive uma situação de
parentalidade, é muito maior, mais complexo, mais dificil de desempenhar.
Escolher
um pai ou uma mãe para uma criança é tornar-se
co- autor ou cúmplice do seu futuro.
NINGUÉM
TEM DIREITO A UMA CRIANÇA!
Todas
as CRIANÇAS TÊM O DIREITO A SER AMADAS E A CRESCER no seio DE UMA FAMÍLIA que
as proteja, que as eduque, não apenas nos seus bons momentos, mas para todos os
momentos e pelo resto das suas vidas.









