sábado, 4 de julho de 2015
A LAURA
A LAURA :
Quando tu sentires saudade de alguém que amas e que partiu, sente,
Sente profundamente.
A saudade, a dor, ou mesmo a angústia que te causa a falta desse amor.
Se a vida te maltratou e te colocou em situação de nem ter no bolso
os cêntimos que bastem para comprar um pão e isso gera em ti grande
desolação, chora.
Chora tudo o que doer , ter um filho e não poder satisfazer as suas
mais básicas necessidades, por nada ter, porque o que construíste
te foi abalroado por circunstâncias para as quais em consciência,
não contribuíste.
Estás de luto, cola à pele o fel dessa dor sem cor que alguns vestem
de negro, não tenhas medo de sentir.
Quem não sente nada em relação aquilo que o rodeia
é porque não está bem.
Já amputou a capacidade de reagir às vicissitudes
da vida,
está demente quem já não sente.
(Amorfo , numa anomia colorida para que a quem o rodeia
pareça bela a vida. )
Se te cortas, e tens exposta uma ferida que sangra, de que te
rirás tu ?!...
Chora as tuas dores e sem vergonha expõe as tuas feridas.
Mas não te feches nelas, nem as trates de forma a que
não mais cicatrizem.
Guarda dentro de ti entre a lágrima e o soluço
o espaço para respirar fundo.
Não alimentes rancores, educa a tua mente para perdoar :
A quem te feriu, a ti, especialmente...
E sobretudo nunca penses
que essa dor que hoje te atormenta irá durar para sempre.
Nada é para sempre. Um dia essa dor já não estará ali , aonde
hoje tanto te fere e te magoa.
Olha como nasce o Sol depois de uma noite de chuva e trovoada.
E os pássaros fazem festa e
dançam à sua chegada.
Escuta as vozes do Mar profundo pois
nada como o Mar para nos recordar o quanto é vasto, diverso
belo e secular o nosso Mundo.
Não deixes de sonhar, sonha muito, porque o sonho é verde,
como uma floresta viva e fresca,
verde de esperança...
E mantém a alma aberta
tal qual uma criança, sempre pronta de novo, para amar.
A roda da vida um dia vai virar, e então se tiveres de rir, ri,
festeja cada instante em que te podes alegrar,
Pois tudo é efémero, raro, escasso, demasiadamente
raro para mal gastar ...
Maria Portugal
quarta-feira, 1 de julho de 2015
O QUE NINGUÉM DIZ SOBRE A ADOPÇÃO, MAS É PRECISO DIZER
Adoptar
uma criança é muito mais do que conduzir-se na vida generosamente.
Adoptar
uma criança não pode ser a satisfação de uma necessidade interna , pessoal de
maternidade ou paternidade. Nestes casos seria mais adequado dizer –se temos
pais para dar para adopção e não temos crianças a necessitar de pais.
Erguer
a voz para dizer eu tenho tanto direito a ser pai ou a ser mãe como qualquer outro ou outra, eu tenho
direito a ter um bebé, a ter uma criança a que chame minha, a que troque
fraldas e dê papas e banho, coloque a dormir, trate pequenas doenças com a
febre inaugural da dor de quem nos está próximo é uma absoluta inversão dos
valores que motivam o instituto da adopção.
Ninguém
tem direito a criança nenhuma, é a criança que tem direito a uma família, ela,
a criança.
Se uma
criança pudesse escolher a sua família seria certamente surpreendente verificar
que mesmo as que foram institucionalizadas porque os pais viviam
miseravelmente, nada tinham para lhes proporcionar uma vida aonde vissem satisfeitas as suas necessidades
essenciais, iam preferir os seus pais, se os tivessem.
É que
uma família é uma instituição de laços de afeto e os pobres também amam os
filhos.
Bom
dirão , mas casos há em que esse afeto não existe, verificam-se abusos
inadmissíveis de que há que proteger a criança.
Pensemos
então na adopção.
Como
são escrutinadas as famílias adoptantes?
Quem é
leigo nesta matéria como é o meu caso coloca-se as questões que me coloco :
suponho que uma equipa de tecnicos de serviço social avaliae estas famílias.
Uma
casa com luxos, estatuto social, notoriedade, serão factores que impressionam ?
Além
das motivações para adoptar o que pensa aquela família que é ter um filho ou
uma filha ?
Nos
primeiros anos, tanto mais se estiver em causa uma criança saudável, tudo é
engraçado e apelativo. As crianças vestem-se como bonequinhos de luxo, dizem
gracinhas que nos enchem o ego numa casa farta e cheia de amigos.
Mas
crescem.
E as
crianças, por mais amadas, nem sempre crescem como esperamos.
Quantas
vezes, nos melhores colégios, os adoptantes começam a receber da escola os
primeiros avisos de faltas, de comportamentos desaquados. A dada altura a
criança roubou o computador de um
professor e furou os pneus do carro a outra.
Essa
criança linda que tanto quisemos generosamente chamar filho experimentou droga
e agora furta para arranjar dinheiro
para os seus consumos.
Furta
os próprios pais.
E
agora, que fazer ?
Depois
de tanto advertir, corrigir, buscar soluções, a nossa criança já não é o motivo
da nossa festa e até fez da nossa vida um inferno.
Os pais
desavindos, separam-se.
Há que
regular o poder paternal entre eles . Há que acompanhar a criança nas ações que
ela já tem contra si em Tribunal porque algumas pessoas furtadas por ela ,
apresentaram queixa.
Há que
ressarcir, pagar. Se há muito dinheiro esse não é o problema, mas um filho
assim ... que transtorno num meio que sempre foi de tanto bem, de tanta
elevação social.
Antes
disto, muitos desistem. Outros desistem depois de muito, mas desistem.
Mas só os que amam, não desistem jamais!
Mas só os que amam, não desistem jamais!
E os
que desistem, para aliviar as suas consciências vão dizer que as professoras é
que não ensinaram bem. Foi a escola que não fez da criança o filho esperado, ou
o Tribunal que obrigado a tomar uma medida , tomou entre as que dispunha a que
lhe pareceu mais adequada.
“Não
fica assim “, demonstrarão o seu amor procurando uma amiga, um amigo bem
colocado, quem sabe a quem já fez alguns favores de circunstância e apresentará
queixa das professoras, dos magistrados.
Pois
foram eles os culpados da sua criança se tornar no que é. Enfim ...
Tive um
dia um cão de água que amei muito . A dado momento da minha vida, por não reunir
condições para o ter num apartamento procurei uma família amiga que o
adoptasse. Escolhi um casal que do que me era dado saber com segurança, tinha
meios para o alimentar e cuidar, tinha espaço, tinha todas as condições para
lhe proporcionar uma vida feliz.
Mas
certo dia visitei-os e constatei que o meu cão estava amarrado a guardar uma
oficina sob um calor tórrido. Não pude conter as lágrimas. Abracei o cão , sujo,
que ainda me reconheceu e fui buscar-lhe água fresca. Silenciosamente pedia-lhe
que me perdoasse aquela escolha, que me perdoasse o engano. Quis retirá-lo
dali, mas não mo permitiram já.
Então
acorreu-me pensar que também muitas vezes se escolhem pais só pelo que
aparentam, NUNCA É MEDIDA A RESPECTIVA CAPACIDADE DE AMAR, tal como eu escolhi
a família que ficou com o meu cão.
O papel
da psicologia nesta matéria é de um relevo inestimável. Quem quer adoptar uma
criança deve ser avaliado e bem, sob este ponto de vista.
Pensar
que uma criança que vive numa família monoparental, ou que apresente diferenças
da norma comum não será discriminada é uma questão de ideologia, é um erro grave.
Recordem-se
da “Gisberta” o transxessual barbaramente mutilado e assassinado por “crianças”.
Se há população menos preparada pedagogicamente para compreender e acolher
diferenças, essa é a infantil que muitas vezes, é crudelíssima. Pode ser
incorrecto politicamente dizê-lo, mas é verdade.
E as
crianças adoptadas além das suas fragilidades adquiridas pelo que a vida já as
feriu, terão por acréscimo que lidar com todas essas situações.
Ou seja
, o nível de exigência que conhece toda a pessoa que vive uma situação de
parentalidade, é muito maior, mais complexo, mais dificil de desempenhar.
Escolher
um pai ou uma mãe para uma criança é tornar-se
co- autor ou cúmplice do seu futuro.
NINGUÉM
TEM DIREITO A UMA CRIANÇA!
Todas
as CRIANÇAS TÊM O DIREITO A SER AMADAS E A CRESCER no seio DE UMA FAMÍLIA que
as proteja, que as eduque, não apenas nos seus bons momentos, mas para todos os
momentos e pelo resto das suas vidas.
sábado, 20 de junho de 2015
À TROIKA - APELO : POR FAVOR NÃO MATEM A GALINHA DOS OVOS DE OIRO !
À TROIKA - APELO : POR FAVOR NÃO MATEM A GALINHA DOS OVOS DE OIRO !
Todos se recordam desta velhinha estória da nossa terra que conta de um
lavrador que encontrou uma galinha que todos os dias lhe punha um ovo
de oiro e enriquecia. Mas querendo enriquecer muito e depressa resolveu
matá-la. Ora sendo uma simples galinha normal, acabou para o lavrador
qualquer espécie de oiro.
O que é a troika, além de assustadora ?!...
Troika é uma palavra de origem russa que designa um comitê de três membros.
Em russo significa um carro conduzido por três cavalos alinhados lado a lado, ou mais frequentemente, um trenó puxado por cavalos.
Troika é uma palavra de origem russa que designa um comitê de três membros.
Em russo significa um carro conduzido por três cavalos alinhados lado a lado, ou mais frequentemente, um trenó puxado por cavalos.
Em política,
a palavra troika designa uma aliança de três personagens do mesmo nível e poder que se reúnem em um esforço único para a gestão de uma entidade ou para completar uma missão.
a palavra troika designa uma aliança de três personagens do mesmo nível e poder que se reúnem em um esforço único para a gestão de uma entidade ou para completar uma missão.
É por esta razão que o termo troika foi usado como referência às equipas constituídas por responsáveis da
- Comissão Europeia,
- Banco Central Europeu e
- Fundo Monetário Internacional
que negociaram precisamente as condições de resgate financeiro pelas dívidas em que incorreram designadamente países como a Grécia, o Chipre, a Irlanda e Portugal.
- Comissão Europeia,
- Banco Central Europeu e
- Fundo Monetário Internacional
que negociaram precisamente as condições de resgate financeiro pelas dívidas em que incorreram designadamente países como a Grécia, o Chipre, a Irlanda e Portugal.
Salta logo à atenção que nestas três instituições, uma não é da União Europeia.
Muitos recordam e outros estudaram , a União Europeia nasce antes de
mais como uma promessa de paz para este Continente, na sequência da
devastação da Guerra.
Acredita-se que os países da União têm em comum uma série de interesses que ficam melhor assegurados se os garantirem juntos.
Conquistada a liberdade de circulação de pessoas e bens , muito se
trabalhou até se conseguir um mercado que fosse realmente comum naquele
espaço, aonde todos pudessem usar a mesma moeda, quer estivessem em
Berlim, no Luxembrugo ou na Ponta de Sagres.
E a Europa firmou políticas comuns, assentando num princípio de solidariedade.
Não é para passar a imagem de instituição boazinha, é porque os interesses que os juntaram e que permanecem , ora em risco por vários outros perigos e desafios , vivamente recomendavam e recomendam que apoiem as suas fragilidades recíprocas por um bem maior..
Não é para passar a imagem de instituição boazinha, é porque os interesses que os juntaram e que permanecem , ora em risco por vários outros perigos e desafios , vivamente recomendavam e recomendam que apoiem as suas fragilidades recíprocas por um bem maior..
Mas
para lá das Instituições existem as pessoas e essas já agem com coração,
não são mero betão. Todos temos amigos, conhecidos, simpatias várias e
tanto em comum com os nossos concidadãos da Europa desta UE.
Nós festejamos as suas vitórias e choramos os seus fracassos. Nós temos uma História em comum.
Nós festejamos as suas vitórias e choramos os seus fracassos. Nós temos uma História em comum.
Ninguém pense que a Grécia saía da zona Euro e cidadãos desde os mais
reconditos espaços desta UE não o lamentariam. Não seriam seus Governos
por decreto a mudar o que isso lhes faria sentir : perdíamos um dos
nossos. Depois de tanto esforço e sacríficio para sermos um...
E sabem, claro que o equilíbrio de forças na Europa se alteraria.
Pois a Grécia por uma questão de sobrevivênciia tinha que arranjar outros parceiros, tinha que ratificar acordos com Estados e Organizações terceiras.
E sabem, claro que o equilíbrio de forças na Europa se alteraria.
Pois a Grécia por uma questão de sobrevivênciia tinha que arranjar outros parceiros, tinha que ratificar acordos com Estados e Organizações terceiras.
SERÁ QUE ESTAMOS MESMO A PONDERAR COM SAPIÊNCIA, COM SENTIDO DE RESPONSABILIDADE O QUE ISTO PODERÁ VIR A SIGNIFICAR?
Dividiremos de novo a Europa ...
Quanto tempo sobreviveria em equilibrio e em paz essa nova UE ?
Dividiremos de novo a Europa ...
Quanto tempo sobreviveria em equilibrio e em paz essa nova UE ?
Os interesses do FMI são os do lavrador da nossa velha estorinha.
A América com o seu plano Marshall promoveu este modelo para a Europa para ter paz neste Continente, mas HOJE parece que se dispõe a arriscar sem avaliar bem tudo o que está em risco !...
A América com o seu plano Marshall promoveu este modelo para a Europa para ter paz neste Continente, mas HOJE parece que se dispõe a arriscar sem avaliar bem tudo o que está em risco !...
NÃO MATEM A GALINHA DOS OVOS DE OIRO.
É melhor receber um ovo diariamente que matar a galinha ...
Devo dizer que sem surpresa, gostei de ver a Senhora Merkel sair em
defesa da ideia de necessidade de acordo. O nosso Primeiro Ministro
também cautelosamente me pareceu partilhar essa posição.
Este é um pedido de alguém que não saberia produzir riqueza no mundo
mas sabe bem o que significa , em dor humana, para todos nós, UM MUNDO MAIS POBRE.
mas sabe bem o que significa , em dor humana, para todos nós, UM MUNDO MAIS POBRE.
Senhores da Troika, sejam mais maleáveis, NÃO MATEM A GALINHA DOS OVOS
DE OIRO ! Acordem com a Grécia ! Queremos a Grécia na UE . Ela
pertence-lhe como nós !
Maria Portugal
segunda-feira, 15 de junho de 2015
QUEM PODE FAZ O QUE QUER SOBRE QUEM NÃO PODE OU PODE MENOS...
ASSÉDIO MORAL
O dicionário diz que “assédio” significa, entre
outras coisas, insistência inoportuna junto a alguém, com perguntas,
propostas e pretensões, entre outros
sintomas. “Assediar”, por sua vez, significa perseguir com insistência,
que é o mesmo que molestar, perturbar, aborrecer, incomodar, importunar.
*
É uma questão muito pertinente nos nossos dias , em vários domínios :
- no trabalho : há sempre aqueles indivíduos que não se enquadram numa
situação de aceitação ou pela personalidade que têm, ou porque não se
inibem a expôr as suas discordâncias com as chefias, ou simplesmente
porque não suscitam a simpatia das mesmas.
O ambiente e os
contrangimentos que esse indivíduo pode sofrer é em alguns casos, causa
de um sofrimento muito grande, gerando a mimetização pelos seus pares
nessa discriminação, pelo que o trabalhador sofre mesmo entre os seus
que assim julgam elevar-se perante as chefias ou salvaguardar-se de
similar tratamento.
TUDO NA VIDA ressalta enfim para as RELAÇÕES DE PODER.
Uma pessoa que já exerceu funções de autoridade, por exemplo, um
polícia e que cai em desgraça, mais facilmente é alvo de abusos e
situações de constrangimento que decorrem do facto de se pensar que ele
está agora fora da alçada de proteção do grupo.
O SER HUMANO NÃO É BOM POR NATUREZA.
Ao contrário das correntes de solidariedade que por aí pululam, NÃO É SOLIDÁRIO POR NATUREZA.
Ao contrário das correntes de solidariedade que por aí pululam, NÃO É SOLIDÁRIO POR NATUREZA.
Ser JUSTO não é uma questão de cumprir uma lei ou um decreto. É QUESTÃO DE CARACTER.
SÓ É JUSTO QUEM É POSSUIDOR DE UMA NATUREZA JUSTA.
SÓ É JUSTO QUEM É POSSUIDOR DE UMA NATUREZA JUSTA.
E isso é algo tão raro, tão escasso, como a verdade para os nossos dias...
É por isso que pessoas que considerávamos afáveis e simpáticas, POSTAS
NUMA SITUAÇÃO DE EXERCÍCIO DE PODER revelam uma CRUELDADE inesperada e
surpreendente.
E por vezes, prova-se do próprio veneno.
Aquele que PROMOVEU O CONSTRANGIMENTO porque podia, PODE AMANHÃ SER
CONSTRANGIDO porque o PODER muda de mão e a vida é realmente um grande
círculo sempre em rotação tal qual o planeta...
Lá diz o filósofo :
SE QUERES CONHECER REALMENTE ALGUÉM ENTÃO DÁ-LHE PODER.
SE QUERES CONHECER REALMENTE ALGUÉM ENTÃO DÁ-LHE PODER.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
PRÓS E CONTRAS
PRIVATIZAÇÕES :
PRÓS E CONTRAS
No País assiste-se a um fenómeno de privatizações em
série de sectores empresariais antes garantidos e assegurados pelo Estado.
Serão as privatizações uma imposição externa ao governo ou serão uma forma
de raciocínio político sobre a economia que caracteriza em particular certa
chamada “direita liberal “ ?
Dirão que a Troika, o(s) memorando(s) as impõem. Que a resolução da dívida
e do déficit o impõem.
Mas isso é uma falácia, com todo o respeito.
Externamente só querem receber o dinheiro, como o arranjamos não é problema
dos credores. É de quem deve. Sempre assim foi e sempre assim será.
Portanto é internamente , uma corrente governativa que entende que
privatizar é um bem, é solução.
E porquê ? Porque desonera o Estado de investir, de pagar, liberta recursos do
Estado que passam a onerar os privados, as empresas que passarão a gerir os
sectores em causa.
A forma como esses serviços que respondem em regra a necessidades
essenciais dos cidadãos serão prestados e cobrados ficará também à margem das
funções do Estado.
O cidadão tem de entender-se agora
directamente com as empresas se quiser usufruir desses serviços e bens que lhe
são imprescindíveis.
A agravar este quadro, paulatinamente e diga-se a bem da verdade e da
justiça, bem antes mesmo do início de funções do actual Governo, foram sendo
criados mecanismos para cobrança de débitos de uma agressividade letal para o
cidadão desarmado , face aos que são os meios e recursos dessas empresas.
A par de um regime jurídico de execuções facilitista de penhoras, (quantas
vezes se penhora até por aquilo que se não deve ).Sendo certo que o cidadão só
poderá reagir depois e se verificam, na prática abusos gravíssimos, violações
de forma, inoberservância de garantias
básicas às quais o cidadão comum sem recursos que requer ainda apoio judiciário
e cada vez mais tem dificuldade em conseguir que lhe seja concedido, seja por desconhecimento, escassez de meios e
recursos ou mesmo de informação não tem capacidade de responder com adequada
defesa. Entretanto, já perdeu o bem, já lhe levaram a pensão, o vencimento, a
viatura, os móveis, os imóveis, mesmo que seja a sua habitação e isso o remeta
à rua.
É preciso ter a coragem de afirmar que há hoje em Portugal pessoas a viver
bem à custa da actividade das cobranças e estas nem sempre são correspondentes
a uma quantia devida por direito.
Ainda por cima, facultou-se nas leis tributárias, aos Serviços de Finanças,
designadamente através do mecanismo da
compensação de créditos, a cobrança de dívidas de particulares.
Ora se achamos qualquer Exequente agressivo, até o mais cumpridor da Lei,
que dizer das Finanças? A sua eficácia e sensibilidade é conhecida e bem por
todos nós e não carece de outros adjectivos.
Temos assim um Estado que deixa de investir em sectores, passando esse
encargo a empresas, mas lhes faculta o” ius imperium” dos seus serviços de
Finanças para cobrar as suas dívidas.
Supomos que a circulação dos capitais através deles lhe trará benefícios.
Nenhum Governo deveria esquecer que hoje é governo, membro de governo, mas
amanhã pode não ser. E então será ele a debater-se com as penhoras no
vencimento de €3.000 Euros por exemplo que uma EDP ou outra empresa entenda que
deve, será ele a ser penhorado na sua habitação citado na casa dos velhos avós
aonde já não vai há 30 anos, etc, etc...
Não é boa política governar para hoje sem pensar que existitrá o amanhã e
se cá estivermos vamos vivê-lo todos.
Se o caminho é privatizar para poupar recursos ao Estado então impunha-se
um trabalho muito sério quer no sentido de controlar a prestação dos serviços
pelas empresas e a cobrança desses serviços, quer aos modos como por via disso
pode ser atacado o património dos cidadãos.
Mais, a defesa dos créditos do Estado cabe à Magistratura do Ministério
Público. Será legítimo colocar
magistrados vinculados pelo dever funcional da isenção e da
imparcialidade na defesa dos créditos destas empresas como se de créditos do
Estado se tratassem , ainda que cobrados pelas Finanças ?
Entre a privatização e o seu oposto a doutrina administrativista de que é
nome de grande mérito o Prof D Freitas do Amaral sempre delinou áreas intermédias, a chamada Administração
Indirecta do Estado, com modelos empresariais que consentiam ainda a presença
do Estado nas Empresas minorando em muito os riscos de lançar nas mãos de
particulares a prestação de serviços de que a população não pode prescindir e
que assumem um caracter que ultrapassa a visão meramente economicista
empresarial.
Tudo recomenda , tudo se prefigura de bom aviso, repensar cuidadosamente
esta matéria, adequando realidades, antecipando problemas através de um
conhecimento profundo dos interesses em causa e antecipando-se às consequências
das medidas.
Fazer leis ou políticas sem ter isto
em conta não é bem cuidar da causa pública.
Acresce que a certeza para o Direito, a segurança jurídica é um valor caro.
Porém , nos nossos dias anda a monte : o cidadão nada sabe, nada pode ter como
adquirido, mesmo o que já fora dado como tal. Hoje, vive-se sem saber o que
esperar do Estado, do legislador .
Esta sensação psicológica podia ser adjectivada, mas não o farei. Faça cada
um o seu juízo, o meu reservo.
A quem interesse...
Maria Manuel Rendiz
domingo, 24 de maio de 2015
ESBULHO

Agarre-me aí o tempo.
É o meu tempo,
esse que passa a correr...
É o meu tempo de viver.
Eu quero morrer amando.
E o tempo não espera, o tempo passa a correr.
Segure-o nas suas mãos.
Não deixe que corra tanto.
É meu!...
O meu tempo de viver...
O meu tempo de viver...
Meu tempo passa a correr
enquanto busco alcançar tudo quanto me levaram.
Tudo o que tinha, tiraram-me.
E eu luto por alcançar,
o tanto que me levaram
E a vida obriga-me a esperar.
Agarre-me aí o tempo.
Segure-o.
Eu quero o tempo devido à vida
pelo direito de amar,
de existir com dignidade,
ser útil e trabalhar.
E tenho tanta aguarela
colorida para pintar...
Vejo desta janela como ele corre veloz,
como persiste em passar.
Segure-o amigo.
Faça este trato comigo :
eu quero o tempo para amar.
Não deixe o Tempo passar !...
Maria Portugal, aos 24 de Maio de 2015
Segure-o.
Eu quero o tempo devido à vida
pelo direito de amar,
de existir com dignidade,
ser útil e trabalhar.
E tenho tanta aguarela
colorida para pintar...
Vejo desta janela como ele corre veloz,
como persiste em passar.
Segure-o amigo.
Faça este trato comigo :
eu quero o tempo para amar.
Não deixe o Tempo passar !...
Maria Portugal, aos 24 de Maio de 2015
Para! Para ! ( ou à Portuguesa Pára s f f ! )
Rimos ( eu incluída) da sonoridade de algumas palavras que por força de Lei nos querem impõr dizer e escrever.
O caso não é para riso. É profundamente sério.
É sério que a escassos meses de um acto eleitoral de tanta importância nos baralhem as falam e nos ponham a pensar como dizer em bom Português o que nos levarem às urnas...
ACORDO ORTOGRAFICO
É sério que tantos Portugueses a escassos meses dessa data não façam a menor das ideias das forças partidárias que existem. E mais sério ainda são as que existem e os termos em que existem e as que não existem e fazem falta !
Alguns sabem que têm o partido do Costa, o do Passos e Portas, a CDU e tanto retalho de esquerda que nem com malha de renda há quem compreenda se dali sai ponto com nó.
Quanto ao Acordo Ortográfico é evidente que é um mau acordo.
É evidente que não serve os propósitos de unificar a língua.
É evidente que nos ridiculariza em muitas palavras.
Mas quem dele fez lei sabe também que a população portuguesa em pirâmede invertida não regressa à escola e vai falar e escrever como aprendeu, como escutou de seus pais, seus avós, seus ancestrais.
Sabe que não porá fim aos regionalismos.
Sabe que há coisas que são o que são, independentemente do que o Poder pense que devem ser!
Sabe que dizer teto (tecto ) aqui e no Brasil, sempre significará o mesmo em qualquer lado do Mundo !...
E assim sendo corre na net uma petição para referendar este Acordo. Eu proponho que nos unamos em defesa da nossa Língua, pela dignidade da nossa língua.
E termino invocando um GRANDE VALOR nesta matéria : VIRGILIO FERREIRA.
Ele que bem poderia ter sido nobel da literatura escreveu um dia :
"DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR ..."
Arnalda Matafome in blog : Eu, Nalda, uma colher de nata e un petit peu du chocolat noir, url em construção
https://youtu.be/Hr9sTxkO2xw
O caso não é para riso. É profundamente sério.
É sério que a escassos meses de um acto eleitoral de tanta importância nos baralhem as falam e nos ponham a pensar como dizer em bom Português o que nos levarem às urnas...
ACORDO ORTOGRAFICO
É sério que tantos Portugueses a escassos meses dessa data não façam a menor das ideias das forças partidárias que existem. E mais sério ainda são as que existem e os termos em que existem e as que não existem e fazem falta !
Alguns sabem que têm o partido do Costa, o do Passos e Portas, a CDU e tanto retalho de esquerda que nem com malha de renda há quem compreenda se dali sai ponto com nó.
Quanto ao Acordo Ortográfico é evidente que é um mau acordo.
É evidente que não serve os propósitos de unificar a língua.
É evidente que nos ridiculariza em muitas palavras.
Mas quem dele fez lei sabe também que a população portuguesa em pirâmede invertida não regressa à escola e vai falar e escrever como aprendeu, como escutou de seus pais, seus avós, seus ancestrais.
Sabe que não porá fim aos regionalismos.
Sabe que há coisas que são o que são, independentemente do que o Poder pense que devem ser!
Sabe que dizer teto (tecto ) aqui e no Brasil, sempre significará o mesmo em qualquer lado do Mundo !...
E assim sendo corre na net uma petição para referendar este Acordo. Eu proponho que nos unamos em defesa da nossa Língua, pela dignidade da nossa língua.
E termino invocando um GRANDE VALOR nesta matéria : VIRGILIO FERREIRA.
Ele que bem poderia ter sido nobel da literatura escreveu um dia :
"DA MINHA LÍNGUA VÊ-SE O MAR ..."
Arnalda Matafome in blog : Eu, Nalda, uma colher de nata e un petit peu du chocolat noir, url em construção
https://youtu.be/Hr9sTxkO2xw
sábado, 25 de abril de 2015
LIBERDADE , o pão de cada dia ...
A liberdade, sim, a liberdade !!...
.
A liberdade, sim, a liberdade!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções....
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!
.
A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim...
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!
.
Passos todos passinhos de criança...
Sorriso da velha bondosa...
Apertar da mão do amigo [sério?]...
Que vida que tem sido a minha!
Quanto tempo de espera no apeadeiro!
Quanto viver pintado em impresso da vida!
.
Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade,
Dêem-ma no púcaro velho de ao pé do pote
Da casa do campo da minha velha infância...
Eu bebia e ele chiava,
Eu era fresco e ele era fresco,
E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre.
Que é do púcaro e da inocência?
Que é de quem eu deveria ter sido?
E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?...
.
A liberdade, sim, a liberdade!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções....
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!
.
A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim...
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!
.
Passos todos passinhos de criança...
Sorriso da velha bondosa...
Apertar da mão do amigo [sério?]...
Que vida que tem sido a minha!
Quanto tempo de espera no apeadeiro!
Quanto viver pintado em impresso da vida!
.
Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade,
Dêem-ma no púcaro velho de ao pé do pote
Da casa do campo da minha velha infância...
Eu bebia e ele chiava,
Eu era fresco e ele era fresco,
E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre.
Que é do púcaro e da inocência?
Que é de quem eu deveria ter sido?
E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?...
Álvaro de Campos - Fernando Pessoa.
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