Existem pelo menos quatro tipos de eutanásia, divididos em duas categorias: a voluntária e a involuntária, e a passiva e a activa.
Na eutanásia activa, também chamada de positiva ou directa, o paciente recebe uma injecção ou uma dose letal de medicamentos.
Conhecida ainda como negativa ou indireta, a eutanásia passiva foi a que matou por exemplo a italiana de 37 anos Eluana Englaro, cuja alimentação foi suspensa.
Aqui, é a omissão: o paciente deixa de receber algo de que precisa para , sobreviver.
A diferença entre eutanásia voluntária e involuntária está na participação do paciente.
Numa, ele coopera, tomando parte da decisão. Na outra, é praticada sem o seu aval ou mesmo sem o seu conhecimento
. Uma outra classificação, que cruza fins e voluntariedade, divide a eutanásia em libertadora (aquela que abrevia a dor de um doente incurável),
Piedosa (aplicada a pacientes terminais e em estado inconsciente)
e eugénica (do tipo que os nazistas praticavam para eliminar indivíduos apsíquicos e associais).
A eutanásia é permitida pelo menos na Holanda desde Abril de 2002, na Bélgica, desde Setembro de 2002, na Suécia, debatendo-se a sua legalização em vários outros países, em particular Europeus.
Eu sou frontalmente contra a eutanásia. Não por motivos religiosos, morais ou éticos cuja valia compreendo, mas por motivos de cidadania.
Há uma profunda hipocrisia dos Estados em não admitir que é muito mais simples não despender verbas com cuidados paliativos de saúde do que induzir a morte. Lucram as funerárias, dinamiza-se a economia, apoiando quem negoceia com a morte (e como estão pela hora da morte, nos nossos dias, os funerais). É cruel, mas é verdade, pensando fria e objectivamente sobre o assunto.
Legalizar a eutanásia a pedido do paciente remete para outra questão : que pacientes pedem a morte ? E porquê pede um paciente a morte ?
Porque tem uma doença incurável e irreversível ? Quantas já o foram e hoje não são ? Quantas pessoas depois de anos de coma saiem dele?
E o que dizer do estado psíquico de alguém que pede a morte ao invés da vida?
Pessoas deprimidas tantas vezes pedem a morte. Tomam iniciativas para pôr termo às suas vidas. Às vezes bem sucedidas.
Se o critério for a autodeterminação do doente, qual é o limite? Quem decide ?
Em última instância matar alguém em estado terminal pode ser na realidade matar alguém que ainda pudesse viver. Seja porque a investigação e a ciência estão em permanente evolução, seja porque os motivos da morte e da vida, por mais que custe a aceitar, escapam à racionalidade e à vontade humana.
Quantas vezes tudo se faz para salvar uma jovem vida, por exemplo, mas a morte impõe-se apesar de se nos afigurar absurda para as suas circunstâncias.
Assim como eu abomino a pena de morte porque prefiro a ideia de libertar por erro um culpado do que matar por erro um inocente, abomino a ideia da eutanásia.
A vida é um direito fundamental . Deve ser defendido por aqueles que investimos para defenderem os nossos direitos. O contrário é uma aberração.
Maria








