A Lua surgiu, redonda, e distraíu-nos (na janela sobre a magnólia),
estava quase a dizer: " Não és tu o amor .
Eu só quero agarrar-te, ter-te
por uma eternidade que não meço ".
Correram os dias, a Lua surgiu de novo
(no vento leve, sobre a magnólia)
e disseste-me : "Parto amanhã ",
com a voz de quem não quer ferir,
enquanto afunda no ventre uma faca .
E uma confusa vontade de me sumir:
Nem uma voz que me vem chamar
No poço vazio onde estou aninhado.
É morte isto que já me encerra.
A memória está desfeita. houve um tempo
( a quem pertenceu se nada resta ?)
Quando esperava pelo teu regresso
E sofria, chamava, e tu aparecias
Muito te rindo desse meu sofrer.
Elio Pecora, tradução de Simonetta Neto
8 comentários:
Olá amiga Maria, bons olhos a vejam de tão arredia que tem andado. Hoje foi dia de sorte!
Bonitos o poema, a música e tudo como sempre.
Um beijinho amigo.
Alberto Cardoso
Olá Alberto, obrigada pela simpatia do comentário. Tenho andado mesmo impossibilitada de facto de andar por estes espaços.
um beijinho muito amigo também
É sempre um prazer saber que ainda anda por cá.
Cumps
Ando ocupado, muito mesmo, mas a propósito da homenagem a um amigo que cantou, e bem uma música intitulada Maria, lembrei-me de procurar a Maria, que afinal ainda nos dá o prazer de estar por perto.
Abraço do Zé
E se por acaso se retirar a magnólia do poema? Se isso acontecer, talvez tudo não passe dum caso que desaparecerá afogado na poesia! E no entanto sabemos que haverá sempre barqueiros...
Beijos de água
Olá Guardião, meu querido amigo. Fico muito feliz também por o ver cá.
Obrigada pela sua amizade.
Um beijinho amigo
Maria
Zé, meu amigo Zé Povinho, muito obrigada por se lembrar desta sua amiga nessa fase tão conturbada da sua vida.
Saiba que também não o esqueço.
Acarinho muito a amizade, mas também não tenho estado em circunstâncias de aparecer...
Beijinhos
Maria
Majestade, Majestade
Obrigada por passar por cá.
Sabe, tenho fascínio por magnólias.
Acho uma bela flor, pese embora adore flores em geral.
A magnólia, mesmo poética, precisa de terra para florescer. Tal qual uma rainha que se sustenta na glória do seu rei, a magnólia só por um reino terrestre é sustentável. Só na Terra ela é o que a sua natureza lhe requer que seja.
Porque permitiria o Rei da Terra das Magnólias que um barqueiro levasse a sua magnólia para as águas?
Se assim o permite talvez se possa dele dizer com propriedade que a beleza da poesia o distrai da sua obrigação de zelar pela terra do reino...
:-)
Desculpe, este comentário nada tem de lógico, mas como fica entre nós, espero que o não leve a mal
:-)
Beijinhos
Maria
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