segunda-feira, 23 de março de 2009

Que bem lhe vai o mar, Senhor Professor ...

Recordo-me tão bem a primeira vez que escutei o Professor Jorge Miranda. Apresentava-se a uma turma de direito constitucional ainda numa fase muito inicial de um curso de direito, onde todos os sonhos de justiça parecem concretizáveis.
Naquela época cada palavra sobre direitos do homem que os tem pela exclusiva razão de Ser Pessoa, tinha uma grandiosidade difícil de descrever.
Como era bom acreditar que o aprendizado, o empenho, a esperança nos valores do direito e da justiça mudariam o mundo ...
Quanto esforço se colocou nesse propósito...
Quantas vezes tropeços, quedas, arremessos seguidos de tantos renascimentos quantos os do valor da nossa esperança...
Era tanta...
Acreditará mesmo no que diz, indagavam-se os discentes?
Nesse dia falando sobre a autodeterminação de Timor Leste invadido de dor três dias após o 25 de Abril , pela Indonésia e referindo o facto de por tal ocasião se ter assistido ao choro de alguns Timorenses que não pretendiam a saída do território dos Portugueses, declarando "queremos ser Portugueses, somos Portugueses", o Professor não conteve a voz embargada por uma lágrima autêntica à qual não podemos deixar de prender a alma .
Certamente não lerá a Maria, mas se por improvável possibilidade isso acontecer, saiba que jamais esqueci esse momento.
Acreditei que era real aquilo de que falava.
Acreditei ...
Ainda acredito.
Sei que a vida não terá alterado a sua natureza e que o Senhor Professor também acredita ainda nos Direitos Humanos, na importância de promovê-los, defendê-los.
Nada me assusta que o PS proponha o seu nome para Provedor de Justiça.
Será o PS que deveria assustar-se com isso.
Ficaria feliz com a sua nomeação. Tranquila.
E diga-me, Senhor Professor,
Evoluímos já o bastante para que me possa despedir do Senhor Professor deixando-lhe um beijinho?
Deixo, em qualquer caso.
Maria

7 comentários:

Anónimo disse...

Maria tu mantens com algumas pessoas que tiveram importância na tua formação uma relação quase umbilical.
É bonito esse teu olhar de anjo sobre as coisas.
Na realidade, será mesmo a melhor opção ?
Ed

Zé Povinho disse...

Não sei se o professor sabe mesmo em que alhada se está a meter, e muito menos sei se aguentaria a pressão do cargo. A política de hoje é para quem tem estômago, ou então para quem se esteja nas tintas para questões de integridade.
Não creio que seja o caso.
Abraço do Zé

André disse...

Seria uma boa escolha, sem dúvida. Será uma pena que o prof. Jorge Miranda seja vítima de mais uma politiquice deste desgraçado PS de Sócrates e deste desconcertante PSD de Manuela.

Um beijinho.

MARIA disse...

Ed

Tens razão. Não diria "quase umbilical", mas sim respeito profundamente o conhecimento, a sabedoria e a integridade de uma pessoa.
Nem sempre gosto das pessoas que respeito profundamente pelo perfil intelectual e humano. Mas neste caso concreto, admito. Não só respeito como gosto do meu Professor(sempre o será)e acredito que seja uma pessoa integra.
Não sei se ele estará na disposição de comprometer a sua imagem com este PS.Mas gostava de vê-lo Provedor de Justiça.

Bj Ed, obrigada por nunca me deixares. É precisamente quando alguém se" baixa " para chegar a nós, que podemos compreender aonde estão os verdadeiros amigos e os verdadeiros afectos.

Também te quero bem, sabes isso.

Bjs

Maria

MARIA disse...

Meu ternurento amigo Zé Povinho, que bom vê-lo por cá. Fico felicíssima.
Sei que estou em falta na sua caixinha de comentários, não nas visitas, mas acredite tenho ponderosos motivos para andar um pouco ausente.
No coração, isso sim, está cá sempre. Acredite.
Beijinhos
Maria

MARIA disse...

Olá André, é verdade, na tua particular perspicácia característica, pressentes que a aceitação do cargo pudesse ter riscos para o Prof.
Eu concordo.
Mas francamente acho mesmo boa opção.

Um beijinho amigo

Maria

QJ disse...

pessoalmente não conheço o professor Jorge Miranda, o único que li e por acaso até o vi pessoalmente (o tipo é baixo e ligeiramente bruto) foi o professor Canotilho.

Quando à sua nomeação, bem... se for para aquilo que tem sido neste últimos anos... eu só me lembro de ouvir falar do provedor de justiça por altura das suas nomeações que são sempre politicamente conturbadas, como qualquer nomeação politica para um cargo jurisdicional.

levaria-nos à discussão se o Estado(sentido lato) deve efectuar nomeação para cargos jurisdicionais, seja para o TC, seja para o procurador da republica, seja para o provedor de justiça, seja... bem cada vez à mais cargos por nomeação/indicação política, e cada vez menos a separação de poderes poderá estar eventualmente em risco, como forma de retribuição pelo favor que é feito em nomear para aquele ou aqueloutro cargo.

mas vamos ver o que vai acontecer, pena que o partido que governa, a única coisa que se lembra é de falar com o partido da oposição que pode vir a governar, e nunca com todos.

bom fim de semana