A imprensa digital dá nota hoje da detenção de um menor por presumível roubo e violação concretizada mediante o uso de ameaça com uma faca, a mulher de 26 anos, em Coimbra no passado mês de Abril.
Curiosamente, faz poucos dias, surpreendeu a notícia igualmente difundida na imprensa dando nota de que na escola de Pinhal Novo fora proibida a entrada e permanência no estabelecimento por parte de menores ostentando decotes pronunciados, mini-saias e calças com cintura descaída.
Tudo isto remete para um velho problema pouco estudado, pouco abordado e muito mal tratado : a sexualidade na adolescência.
Não há como não reconhecer que nos nossos dias os adolescentes se iniciam muito cedo na sexualidade. Desde as novelas, às imagens a que acedem na internet sem reserva, tudo apela a que essa experiência ocorra mais cedo.
Em regra, sem preparação física, psicológica e de estrutura mental.
Os Centros de Saúde noticiam a procura crescente por parte de meninas, entre os 10 anos e os 16 anos, para prescrição de pílula anticoncepcional, preservativos ou outros métodos destinados ao mesmo efeito.
Os rapazes, nessa faixa etária, tendem a delegar "o problema" nas meninas, via de regra, constituindo para estes aparentemente maior embaraço, procurar tais entidades para obter informação útil e necessária a quem pretenda desenvolver vida sexual activa.
Não raro, os próprios pais, adultos, lidam mal com os problemas inerentes à sexualidade.
Têm grande dificuldade em conversar com os filhos sobre este assunto e em assentar ideias sobre o que lhes deve ser transmitido, como e em que momento.
Apesar de inerente à sua humanidade, efectivamente é um facto que até aos nossos dias o Homem ainda não lida de forma equilibrada e saudável com este tipo de problemas.
E não solicita ajuda ou apoio especializado facilmente sobre o tema.
O encantamento do adolescente por uma mulher adulta que condensa aos seus olhos, por vezes, todos as características de sedução do seu imaginário, não é problemática nova.
Recorde-se o desempenho da bela Jacqueline Bisset no filme "Class" cuja personagem se envolve sexualmente com um menor, colega de turma do seu próprio filho.
Basta aliás lidar de perto com crianças nessa faixa etária, como educador, como mãe, para ter a percepção deste fenómeno, claramente.
Estas mudanças deveriam ser acompanhadas pelo legislador com a serenidade e a ponderação que o melindre da questão requer.
Diz -se que o governo pensa em criar penas criminais para menores de 16 anos.
Será esse o melhor caminho ?
Fui procurar alguns elementos sobre esta temática no reconhecimento de que importa reflectir para agir seja como pai, educador, ou simplesmente cidadão não indiferente ao destino da sua comunidade.
Espero que qualquer iniciativa legislativa nesta matéria não se faça a impulso irreflectido, como hábito nos últimos tempos e se faça preceder igualmente de algum estudo e ponderação dos interesses em confronto na matéria.
Recomendo que se espreite, por ex :
http://sexualidadeadolescencia.blogspot.com/
http://abrasuca.home.sapo.pt/quando_e_que_se_esta_preparado_p.htm
2 comentários:
Concordo plenamente. Cuidado Senhores legisladores.É necessária muita reflexão!
Mas...
Mas...
O problema é real. Há um mundo em transição!
O problema dos adolescentes...
Complexo, muito complexo!
Onde iniciar a abordagem? Por quem ou onde?
No meu entendimento deveria começar no seio da Família. Mas que Família? Pelo Pai ou Mãe que constantemente admoestam os filhos para não fazerem isto ou aquilo, que não podem ir aqui ou alí etc etc. o que pela rotina leva os filhos a não quererem ouvir os "chatos" dos Pais?!
E que tempo têm eles para estar com os filhos? E quando estão desavindos? Sim desavindos!...
Complicado, muito complicado!
Restam as Escolas, os Psicólogos...e sobretudo o estudo atento dos fenómenos sociológicos que se nos deparam e que sendo graves carecem de atenção igualmente muito especial.
Há realmente muito a fazer.
Os nossos filhos correm graves riscos, que não são apenas os inerentes à sexualidade!
Gostei do tema
Um beijinho para si
Sempreleal
Olá Sempreleal, é realmente muito delicado, pelo que requer uma intervenção cautelosa.
Estive no seu blog. Está mais lindo ainda. Quando desci o écran do poema sobre a condição humana e avistei a primeira flor não me contive :são de uma beleza inacreditável, rara, única.
Tão única que qualquer que seja a condição humana, não esquece.
Um beijinho para si também
Maria
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