segunda-feira, 1 de junho de 2009

Sempre a mesma substância ...

Na paragem do autocarro, parada, taciturnamente a olhar o céu, estava uma moça, quando dois rapazes se aproximaram dela e procurando oferecer-lhe um periódico das publicações religiosas da respectiva crença, lhe disseram:
“ Entregue a sua vida a Jesus… “
E à memória visual da rapariga ocorreram-lhe imagens de uma história que desde sempre lhe fora contada :
Tanto os evangelhos de São Mateus como de São João mencionam Caifás como participante de destaque no julgamento de Jesus organizado pelo Sinédrio.
Por ser um sumo-sacerdote, ele também ocupava a posição de chefe da corte suprema. De acordo com os evangelhos Jesus foi preso pela guarda do Templo de Jerusalém, no Jardim de Getsêmani e foi levado diante de Caifás e outros, por quem foi acusado de blasfémia.
Após considerá-lo culpado, o Sinédrio entregou-o ao governador romano Pôncio Pilatos, por quem Jesus também foi acusado de sedição contra Roma.
Conta-se que a mulher de Pilatos o terá advertido de que Jesus estava inocente, pois fora-lhe revelado em sonho e apelado para que não condenasse um inocente.
Os evangelhos relatam que Pilatos era ferrenho inimigo de Herodes Antipas.
Com efeito,
Após a morte de Herodes, o Grande, o seu reino foi desmembrado e coube a Antipas a tetrarquia da Galileia e da Peréia, que abrangia a região oriental do Jordão, inclusive as cidades helénicas da Decápode.
Ele bem tentou, junto ao Senado Romano, ser reconhecido como rei, mas apesar de ter gasto muito dinheiro com presentes e propinas, não obteve êxito, e teve que se contentar com o que lhe foi concedido.
Tentando desenvencilhar-se do julgamento de Jesus da Galileia, Pilatos mandou-O a Herodes Antipas, porquanto governador daquela.
Marca o início do entendimento e de bom relacionamento político entre Pilatos e Herodes, o facto deste ter recebido Cristo das mãos de Pilatos por ser da Galileia.
Pôncio Pilatos, também conhecido simplesmente como Pilatos (em latim, Pontius Pilatus), foi Prefeito (praefectus) da província romana da Judeia entre os anos 26 e 36. Foi o juiz que, de acordo com a Bíblia, após ter lavado as mãos, condenou Jesus a morrer na cruz, apesar de não ter Nele encontrado nenhuma culpa.

A moça interrompeu a narração da memória histórica com as despedidas dos dois moços.
E ficou a olhar para a esperança a passear-se diante dela na Calçada, nos passos que os mesmos davam, com uma ternura que apesar de tudo lhe aqueceu a alma - “Entregue a sua vida a Jesus e ele nela operará verdadeiros milagres…” -
Ele que não obstante saber que o esperava a Morte e que podia combatê-la não se salvou dela …
Paradoxal, não ?!...
Nos nossos dias, aparentemente e bem ponderadas as coisas, o processo de decisão nos meandros do poder não se desenrola de forma muito diversa: tudo se resume à salvaguarda de uns tantos interesses instalados ou a instalar …
Tantos Pilatos lavam as mãos nas condenações de pessoas, de factos ou situações, onde não encontram qualquer culpa…onde não existe qualquer culpa …
E Jesus? Nunca ressuscitará?
Ele morreu. Pilatos prosseguiu a sua vida na terra.
Mas como? Foi feliz desde então?
Eusébio de Cesaréia, em sua História Eclesiástica, afirma que Pilatos caiu em desgraça junto ao Imperador de Roma que não considerou politicamente certa a sua opção pela morte de Jesus, vindo a suicidar-se por volta do ano 37 d.C..
Chegou o autocarro …

4 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Gostei da história que contaste "por cima" da conhecida História do Pilatos. Com imenso significado.

Querida amiga, um beijo.

MARIA disse...

Olá Nilson, que bom rever-te aqui meu amigo. Parece que acabo de chegar de outro mundo e que ainda não acertei o fuso horário ...

Um beijinho muito amigo

Maria

Pata Negra disse...

Essa Igreja deve ser mesmo grande! para ter lá dentro uma paragem de autocarros!
Um beijinho pouco pilatos, nada herodes mas meio judas

MARIA disse...

Majestade, então a igreja é que é grande ...
Deus é que está em toda a parte. É omnipresente. A igreja é só uma capelinha a mais ...
Claro que nada herodes
Claro que nada pilatos
Claro que nada judas
A mania de Vª Majestade de ser mais que um, nem que seja pela metade...
Isto não é como os presuntos que se tiram dois de cada um ...
:-)
Para mim Vossa Majestade não é dois em um : a sua presença é sempre sentida e a sua marca absolutamente única, indivisível e inigualável.
:-)
Ufa...
Falou-se tanto em metades que me lembrei da "Metade".
É a única metade de que gosto. No mais, tem que ser tudo por inteiro.
:-)
Fica-lhe dedicada.
http://www.youtube.com/watch?v=P294uoircto

Beijinhos