
Pernoitas em Mim
pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer
pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas
é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves
já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes
Al Berto, in 'Rumor dos Fogos'
Visita-me Enquanto não Envelheço
visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado
tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
antes que desperte em mim o grito
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te
Al Berto, in 'Salsugem'
pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer
pressinto o aroma luminoso dos fogos
escuto o rumor da terra molhada
a fala queimada das estrelas
é noite ainda
o corpo ausente instala-se vagarosamente
envelheço com a nómada solidão das aves
já não possuo a brancura oculta das palavras
e nenhum lume irrompe para beberes
Al Berto, in 'Rumor dos Fogos'
Visita-me Enquanto não Envelheço
visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado
tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
antes que desperte em mim o grito
dalguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzo
os olhos escancarados para a infindável água
com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te
Al Berto, in 'Salsugem'
4 comentários:
Excelente escolha.
Espaço acolhedor.
Nem sei como aqui cheguei. O importante é que vim.
Bj
Ana Mar, é lindo o pseudónimo.
Muito obrigado. em boa hora o fez, já que me permitiu igualmente conhecer os seus espaços que me encantaram e passarei a seguir.
Um beijinho
Olá Maria
Tentei fazer um comentário sobre estes dois poemas, vou ser sincero não consegui, prefiro não dizer nada do que fazer um mau comentario ou falar muito e não dizer nada (sinceridade acima de tudo).
Apenas faço um comentário sobre o título "Visita-me enquanto não envelheço"
Devemos visitar as pessoas independentemente da sua idade eu costumo dizer que nós não estamos mais velhos a medida que o tempo passa, as verdades têm de ser ditas: nós estamos "menos novos" e "mais experientes".
Por agora é tudo beijinhos do: José Bonacho
Olá José, obrigada pelo comentário.
Estes poemas infelizmente não são da minha autoria que para tanto não teria arte.
São de Al Berto.
O título do poema que refere também é ele.
Se fosse meu jamais o colocaria. É que já nasci velha por isso dificilmente poderia pedir a alguém que me visitasse antes disso.
:-)
Um beijinho
Maria
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