terça-feira, 2 de março de 2010

Cântico Negro

(fotografia de Anita da autoria de R. Madruga e gentilmente cedida a este espaço)


Morri ontem, morro hoje, a toda a hora.
A cada lágrima de uma criança que chora,
A cada parto que não sucedeu.
Sempre que o teu olhar se afasta do meu,
Naufrago numa dor de desalento
E espalho a alma em trapos ao vento.
Mas se a carniseira morte me devora
Renasço no teu corpo, para a mandar embora.
Renasço aos beijos teus, chorando o meu adeus,
Fixos os meus olhos, nos teus, a toda a hora.
E que me importa que venham carpideiras
Alagadas de conceitos e olhares de esgueira
Censurar cheias de inveja o meu renascimento?
Nada me importa o pensar do momento
Que o meu momento se faz eternidade
Quando no sonho me envolves em verdade.
Quando me mostras que viver é amor
E dor…
Dor que mata, dor que mói, mas que também reconstrói…
E se em permanente guerra tiver que estar
Só por te amar,
Não negarei a força do inimigo.
Não conto com um gesto realmente amigo…
Fragilmente me deixarei morrer
Para todos os dias renascer
Para ti, nova mulher reinventada
Matar-me uma vez mais, não será nada…
Por ti, voltarei mil vezes a viver !
Não sou especial, nem diferente,
Choro e sofro como toda a gente.
Mas sou apenas eu, nua dos preconceitos
Que amargam a alma de ódio, e desamor
Aos meus inimigos.
Adopto o sorriso por arma,
O beijo por flor.
E sempre que pareça que, já morta, irei…
Acredita que para te amar, sempre regressarei.
Inflamarei teu sangue na paixão reinventada
E mesmo quando julgarem que dei tudo.
E mesmo quando cuidarem que mostrei tudo.
É nesse mesmo momento que lhes direi :
Ainda não vos mostrei nada!

Maria

10 comentários:

Alvaro Oliveira disse...

Olá Maria

Que bela escolha para este post.
É clarissimo seu gosto pela poesia.
Adorei este maravilhoso poema.

Beijos

Alvaro

MARIA disse...

Obrigado Álvaro, vindo de si que é realmente um Poeta é um elogio muito simpático.Um beijinho amigo.

Nilson Barcelli disse...

Escreveste um soberbo poema, querida amiga. Estou estupefacto... acho que é o teu melhor de sempre, mas não li tudo o que escreveste...
Gostei muito, mesmo muito.
Um beijo.

José Lopes disse...

Uma Maria sempre surpreendente e inspirada.
Cumps

MARIA disse...

Nilson, muito obrigado.
Deixas-me sem jeito...
Logo tu que és tão extraodinário na arte de lidar as palavras.

Obrigado, um beijinho.

MARIA disse...

Obrigada Guardião, um doce beijo amigo.

Pata Negra disse...

Maria, como sempre, vir aqui, é como sair do escritório para vir ao jardim.
Beijos que não vemos

Zé Povinho disse...

Enquanto a alma se renova mais nos apetece viver.
Abraço do Zé

MARIA disse...

Obrigado Majestade, um beijinho amigo.

MARIA disse...

Olá Zé Povinho, muito obrigado e um beijinho.