(fotografia de Ricardo Madruga)
O arcebispo da Áustria tornou-se notícia recentemente ao declarar que os recentes casos de abusos sexuais na Áustria, Irlanda, Alemanha e Holanda, envolvendo membros da Igreja Católica, poderiam estar ligados ao celibato dos padres.
As declarações de Christoph Schoenborn, citadas pelo Telegraph, ressuscitaram a polémica sobre o voto de castidade que os sacerdotes católicos fazem quando são ordenados.
Contudo pessoalmente parece-me que esta ideia apenas serve para não enfrentar devidamente um outro problema com que a Igreja se debate : o da crise de vocações.
Com efeito, tanto quanto podem ser compreendidos os mecanismos psicológicos de uma entrega, com convicção e direccionada a um valor determinado, é que qualquer conduta adoptada contra esse quadro valorativo é alvo de uma censura pessoal, subjectiva, psicológica e éticamente tão forte que por si só é o bastante para conter um individuo comum relativamente a eventual vontade de infringir a norma.
A primeira barreira a opor-se à violação de qualquer norma é a consciência interior do valor dessa norma e a sua aceitação subjectiva como valor de conduta.
É aqui que o problema devia debater-se : porque se ordenam padres os jovens nos nossos dias e porque se mantêm padres aqueles que um dia fizeram essa opção?
As declarações de Christoph Schoenborn, citadas pelo Telegraph, ressuscitaram a polémica sobre o voto de castidade que os sacerdotes católicos fazem quando são ordenados.
Contudo pessoalmente parece-me que esta ideia apenas serve para não enfrentar devidamente um outro problema com que a Igreja se debate : o da crise de vocações.
Com efeito, tanto quanto podem ser compreendidos os mecanismos psicológicos de uma entrega, com convicção e direccionada a um valor determinado, é que qualquer conduta adoptada contra esse quadro valorativo é alvo de uma censura pessoal, subjectiva, psicológica e éticamente tão forte que por si só é o bastante para conter um individuo comum relativamente a eventual vontade de infringir a norma.
A primeira barreira a opor-se à violação de qualquer norma é a consciência interior do valor dessa norma e a sua aceitação subjectiva como valor de conduta.
É aqui que o problema devia debater-se : porque se ordenam padres os jovens nos nossos dias e porque se mantêm padres aqueles que um dia fizeram essa opção?
Terão ora, outra opção de vida ?!...
O que claramente está demonstrado é que a grande maioria dos abusadores sexuais não são celibatários sequer. São em regra homens com companheira certa, casados, verificando-se mesmo que uma considerável proporção dos abusos sexuais praticados contra crianças ou jovens ocorrem no seio das suas próprias famílias ou na proximidade pessoal das mesmas( avós, tios, primos, padrinhos,vizinhos, educadores, padrastros e até mesmo os próprios pais)
O problema é pois um problema de valores e, tão só, a meu ver.
Alias este não é um problema da Igreja, mas da sociedade actual em geral.
Tudo na sociedade actual estimula a uma libertação da sexualidade humana desde idades muito jovens.
O Homem continua, contudo, a não lidar com sabedoria com a sua sexualidade, não sabendo como se determinar relativamente a ela, um pouco como não sabe posicionar-se relativamente à morte.
Porquê : porque em medidas distintas e cada uma ao seu jeito, ambas se lhe impõem muito além da sua vontade racional.
Daí que educar para a sexualidade, mais que tudo ensinar sobre o corpo, deveria ser educar a mente .
Ter uma sexualidade saudável, respeitando a maturidade, a capacidade de decisão livre do outro, em suma, a sua liberdade, já seria por certo um bom ponto de partida para se inverter determinadas tendências.
Sabemos todos que infelizmente não é isto que acontece e as consequências são cada vez mais notórias e sentidas dolorosamente, em particular, pelas próprias vítimas dos abusos
O que claramente está demonstrado é que a grande maioria dos abusadores sexuais não são celibatários sequer. São em regra homens com companheira certa, casados, verificando-se mesmo que uma considerável proporção dos abusos sexuais praticados contra crianças ou jovens ocorrem no seio das suas próprias famílias ou na proximidade pessoal das mesmas( avós, tios, primos, padrinhos,vizinhos, educadores, padrastros e até mesmo os próprios pais)
O problema é pois um problema de valores e, tão só, a meu ver.
Alias este não é um problema da Igreja, mas da sociedade actual em geral.
Tudo na sociedade actual estimula a uma libertação da sexualidade humana desde idades muito jovens.
O Homem continua, contudo, a não lidar com sabedoria com a sua sexualidade, não sabendo como se determinar relativamente a ela, um pouco como não sabe posicionar-se relativamente à morte.
Porquê : porque em medidas distintas e cada uma ao seu jeito, ambas se lhe impõem muito além da sua vontade racional.
Daí que educar para a sexualidade, mais que tudo ensinar sobre o corpo, deveria ser educar a mente .
Ter uma sexualidade saudável, respeitando a maturidade, a capacidade de decisão livre do outro, em suma, a sua liberdade, já seria por certo um bom ponto de partida para se inverter determinadas tendências.
Sabemos todos que infelizmente não é isto que acontece e as consequências são cada vez mais notórias e sentidas dolorosamente, em particular, pelas próprias vítimas dos abusos
4 comentários:
Não há desculpa para o abuso sexual e para a pedofilia. O voto de castidade adoptado pela igreja é uma opção e só vincula quem o aceita, que no entanto pode dele abdicar, deixando de ser padre. Pessoalmente não sou a favor do celibato dos padres, mas também não aceito que isso seja a causa das vergonhas que a igreja atravessa, pelo actos ignóbeis praticados por alguns dos seus ministros.
Abraço do Zé
Completamente de acordo contigo, Maria, como quase sempre.
Um beijinho, bom fim-de-semana.
Eu sou a favor do celibato dos padres, Zé. No mais, concordo plenamente consigo.
Obrigada por me visitar, um beijinho amigo.
Olá André, é certo, temos uma visão do mundo com muitos pontos comuns. Um beijinho e muito obrigado.
Enviar um comentário