quinta-feira, 17 de junho de 2010

O Professor e a Retroactividade

Olé, olé, olé, olá, oláaa, não pagamos, não pagamos, não pagamos, não pagamoooosss!!!....

O Prof Jorge Miranda, conceituado constitucionalista português, em entrevista concedida à RR respondendo às questões formuladas pela Jornalista Raquel Abecassis, expressou posições sobre a actualidade política, defendendo ideias susceptíveis de polémica e de reflexão :

a) Referindo-se ao direito constitucional de não pagar impostos que não sejam previamente previstos em lei, defendeu a inconstitucionalidade da retroactividade da lei fiscal e foi mais longe, defendendo que cada cidadão tem o direito subjectivo contra o Estado de não pagar impostos retroactivos.

À questão oposta pela jornalista de saber se acreditava que os Tribunais Portugueses reconhecessem esse direito em juízo aos cidadãos que eventualmente optassem por o exercer , respondeu:

"essa é outra questão"

Temos para nós que essa é mesmo a questão !

Não me surpreenderia ver a ideia sufragada nos Tribunais Portugueses, se remetida a um tratamento estritamente técnico jurídico.

b) Defendeu ainda a necessidade de uma coligação entre os dois maiores partidos representados na AR tendo em vista gerir a actual situação de crise política e as dificuldades decorrentes da inexistência de maioria absoluta na AR.

c) Criticou as verbas gastas pelo Estado em pareceres a escritórios de advogados, desconsiderando o saber técnico específico das Universidades.

d) Sobre a viabilização do casamento homossexual e a posição do Presidente Cavaco e Silva, foi claro ao defender que teria no seu lugar, exercido o veto político ao diploma e nem teria submetido o diploma a fiscalização pelo Tribunal constitucional que já em anterior acordão tinha dito que a Constituição não impõe, nem proíbe esse casamento, sendo por isso de prever que se pronunciasse no sentido de não existir inconstitucionalidade.


6 comentários:

Zé Povinho disse...

São mesmo uns vampiros!
Lamentavelmente nem a lei fundamental nos vale, porque a justiça nem merece ser escrita com letra maiúscula, como era meu costume.
Abraço do Zé

Alvaro Oliveira disse...

Amiga Maria

Me apraz ter voltado a visitar seu espaço, depois da ausência por motivo de cirurgia aos olhos.

E fico maravilhado com este post,
embora lamentávelmente terei de
concordar com Zé Povinho, tendo
em conta que a justiça portuguesa
está doente, padecendo de uma enorme enfermidade de falta de
capacidade para julgar, porque
sempre condena o ponto mais fraco.

Beijos

Alvaro

Pata Negra disse...

Contraditório: "Defendeu ainda a necessidade de uma coligação entre os dois maiores partidos representados na AR" - mas essa coligação já existe e é precisamente por ela existir que se pode determinar o impensável: violar despudoradamente um princípio constituicional, o da retroactividade da lei!
Um abraço e ás vezes estes senhores mais valia estarem calados

MARIA disse...

Zé, obrigado.
Seria complicado : recusar o pagamento e depois cumprir quem sabe uma penazita ?!.....
:)
Um beijinho.

MARIA disse...

Alvaro, meu muito estimado amigo e poeta.Lamento muito a sua cirurgia.
Espere que rapidamente recupere.
Obrigado por se lembrar de mim.
Um beijinho.

MARIA disse...

Meu REI que fala sempre com verdadeira Majestade, muito obrigado!

Um beijinho amigo.