sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

OBRIGADO


Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem
...dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar
as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa

7 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Poema actualíssimo...
Querida amiga, bom resto de semana.
Beijos.

Pata Negra disse...

Obrigado Maria!
Um abraço e obrigado em Pessoa

MARIA disse...

Olá Nilson, um beijinho e uma semana feliz.

MARIA disse...

Majestade, um beijinho amigo dar-lhe-ia em pessoa se não estivesse tão fora do alcance do trono.

Semana feliz para si.

lobices disse...

...gosto da poesia do Joaquim Pessoa (com quem já privei)
...um bom poema
...um abraço

José Lopes disse...

Obrigado, porque não quero ser assim!
Cumps

Mel de Carvalho disse...

Maria, de casa em casa, ontem encontrei-a. Detive-me em várias leituras suas ou suas escolhas. Ficou-me em registo uma lucidez e um sentido apurado do social de que este último poema de Joaquim Pessoa, faz eco. Actualíssimo grito de revolta.
Voltarei com mais tempo, se me permitir e, igualmente, se me permitir, vou linkar o seu blog.
De mim: mera artesã de palavras na procura da mais certa, sempre à beira d'água, à fala e na partilha com o universo. Sempre na "noite", esta que lhe deixo e a outra, homónima, no sapo(www.noitedemel.bloogs.sapo.pt).
Em ambas, será bem vinda.
Gratidão
Mel