sexta-feira, 18 de março de 2011

ENSINA-ME A MORRER


ENSINA-ME A MORRER
*
Pai, ensina-me a morrer.
Tu que tão pouco soubeste
Explicar-me da vida.
Que sempre me dizias
Que é o bem que vence,
E proferias em afagos ternos ao meu cabelo,
A nobreza de uma existência de zelo.
De um viver,
De verdade, de amor por meu irmão,
fraternidade, que multiplicavas solidariedade
Por afecto,
E mesmo repartido em dor
Fazias sempre o que te parecia certo...
Para que mundo me mandaste tu?!...
Não vês que cometeste um grave engano
E eu não encontro um só ser humano
Que case em mim a herança
Dessa visão da vida que sonhaste e
me ensinaste e é
Nas margens de um mundo que nunca me mostraste
Que habito a ânsia de viver essa quimera
Que descrevias nas tuas palavras…
Pai...
Tu não viveste aqui,
Pai,
Tu não viveste!...
Diz-me aonde foi que viveste o que aprendeste
Que eu quero ir para lá , eu quero caminhar ...
Ensina-me a morrer, porque eu não vivo .
E deste mundo em que fiquei,
desde que não estás comigo ,
O que mais quero é partir e descansar!

Maria Portugal, 13 de Maio de 2005


http://www.youtube.com/watch?v=cVbZmCQT6Ec

6 comentários:

André disse...

Um beijo doce, Maria.
Muitas saudades, mas sempre aqui no coração, esperando que estejas bem.

Zé Povinho disse...

Bonita homenagem.
Abraço do Zé

MARIA disse...

André...
muito obrigado.
Um beijinho sempre amigo também.

MARIA disse...

Zé , que bom vê-lo por aqui. Muito obrigado, um beijinho amigo.

Nilson Barcelli disse...

Ainda bem que não aprendemos a morrer...
Excelente poema, querida amiga.
Beijos.

Daniel Aladiah disse...

Querida Maria
Diria o que o teu pai disse... o bem vencerá o mal... há muita gente a trilhar novos caminhos, cada vez mais... e, enquanto por cá, temos de dar uma ajudinha...
Beijo
Daniel