
Por vezes buscam-se respostas para questões que as não podem ter. Vive-se o dilema que convida à reflexão.
Dei comigo divagando nos domínios da psicologia e da psiquiatria relacional geral em busca de explicação para os mecanismos emocionais do ódio humano.
O psiquiatra Ballone GJ, que se debruça especificamente em tese sobre o tema, chama aos nossos dias " a Era da Raiva".
Na verdade , aquele tipo de ódio sem explicação racional aceitável, que se verifica , por exemplo, porque alguém tem uma cor de pele diversa, sexo ou opção sexual diversos, nacionalidade diversa, religião diversa, ou simplesmente, porque é ela própria, uma pessoa diversa, não é tão raro quanto possam fazer crer as boas regras da convivência humana em sociedade organizada.
Está cientificamente demonstrado que as pessoas respeitam mais um perfil agressivo , o qual associam a combatividade, do que um perfil que ,com verdade, dê nota da natural fragilidade de qualquer pessoa humana, em maior ou menor medida.
O poder associa-se em regra à força e ao contrário do que pareceria induzir o senso comum, são os mais frágeis os mais massacrados por quem dispondo dos mecanismos de poder suficientes, não hesitam em satisfazer essa necessidade de "evasão pela raiva" , como lhe chama Ballone.
Experiências em meios universitários que se debruçaram sobre um número de pessoas alargado , representativo proporcionalmente da comunidade respectiva , demonstram que no seu dia a dia as pessoas criam bastantes ódios irracionais relativamente a outras com quem convivem de perto, mas até conhecem pouco, por vezes acabadas de conhecer, por motivos absolutamente fúteis.
Notaram que algumas vezes tal sucedia pela necessidade de se destacar numa relação de competitividade com as demais, sendo que tais ódios têm por vezes consequências graves que vão desde actos a que a equipa chama de eticamente desonrosos, até à prática de crimes (agressão, morte, outras fontes de crime ).
Agradavelmente conversando com Maria sobre esta questão, lembrava ela que o primeiro homicídio conhecido na história cristã é o de Abel, um dócil pastor, de porte digno que lograva agradar a Deus conversando com Ele sobre seus singelos afazeres e que só por isso, pois era até um bom irmão, de afável trato, suscitou a fúria odiosa de Caím que inciúmado com essa preferência divina o assassinou.
Por tudo isto, sempre que uma pessoa lhe suscitar fortes impulsos de rejeição ou/e antipatia, pare um pouco, escute-se lá desde o âmago da alma e reflicta : afinal, porque razões efectivas eu persigo ou sinto vontade de perseguir determinada pessoa ?!...
2011-05-29, José Maria de Carvalho e Melo
1 comentário:
Muito obrigado.
Por vezes é mesmo assim: empatizamos muito irracionalmente com pessoas, sem compreender motivo lógico e para a inversa também. Claro que nesta matéria, temos que ser nós os próprios a bem escutar e avaliar a respectiva consciência, procurando não ser. por este tipo de motivos, injustos com ninguém, seja no que for.
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