Na blogosfera, pode dizer-se que se encontra um pouco de tudo, consequência da liberdade de expressão que um Estado de Direito consagra na sua Constituição. Mas enquanto espaço de difusão de informação, de troca e aprofundamento de conhecimento, de crítica social, política, comunitária, pode mesmo dizer-se que esta forma uma espécie de reserva de consciência cívica, aonde muitos cidadãos de boa vontade e de boa fé procuram dar, cada um de seu modo, um contributo para a melhoria das condições de vida de todos.
Espaço de liberdade, de expressão de cidadania, nele encontrei ao longo de cerca de meia dúzia de anos em que o conheço, personalidades extraordinárias, pessoas de raro saber, de carácter nobre.
Entre essas realço o autor do blogue REI DOS LEITTOES que nunca conheci pessoalmente mas a cuja escrita de excelência, mordaz e original sentido crítico e de humor, a cujos valores, ideias e ideais, sonhos e disposição para modificar o mundo me rendi inevitavelmente.
Dizia ele há alguns dias num comentário gentilmente deixado neste blogue sentir-se cansado, cansado da luta, talvez, deduzo.
E como compreendo bem esse cansaço... Partilho esse cansaço.
Pois refaçamos forças.
Entretanto, apesar de para muitos a Poesia ser uma arte proscrita e proibida, eu gosto de poesia desde menina. Aprendi a amá-la com as maiores personalidades da nossa História, Fernando Pessoa, os juristas Antero de Quental, Almada Negreiros, os médicos Miguel Torga e Eugénio de Andrade, as geniais Sophia, Florbela, Natália, Ary, José Régio, Manuel Alegre e tantos outros e nada me envergonha ou embaraça gostar de escrever.
Escrevo desde muito menina. Quem me conhece sabe que assim é.
Busco aperfeiçoar a técnica da linguagem em verso. Toda a pessoa que escreve gostaria de escrever ao menos um poema extraordinário.
Humildemente confesso que ainda não o concebi.
Mas este pequeno soneto ou espécie de soneto, fi-lo há uns tempos e hoje simbolicamente deixo-lhe dedicado a si Rei dos Leittoes
Chama-se :
PRECE
Ó meu amor, com a pequena luz dos meus olhos
Acende a escuridão que grassa sobre a Terra ferida
Pelos golpes traiçoeiros recebidos na vida:
Entrego-te um rosário de luzes acesas aos molhos
Para iluminar o céu do teu quarto
E te encher de carinho, de amor e de mimo.
E quando quiseres descansar , já farto,
Quero beijar-te os olhos e devagarinho
Contar-te uma história como a um menino,
Falar-te de Abril e de um amor divino
Que nasceu com timidez e se instalou de mansinho…
Aconchega-me a ti; enquanto eu estiver a ver, busca não adormecer,
Deixa que seja eu que nesse quarto apague a luz do mágico candeeiro...
Não durmas, meu amor, nunca me deixes, sem que durma eu primeiro.
Maria Portugal

2 comentários:
Muito obrigado Maria e que nunca te falte a caneta, para escreveres o que sentes, o candeeiro para leres o que gostas e um amigo para te apagar o candeeiro.
Chegou agosto, o desejado, dizem que voltou, eu não sinto nada, estou cansado, continuaremos a caminhar assim porque a caminhar assim nunca caímos.
beijos entre palavras
Ohhh Majestade, vale mais para mim esta ligação ao reino de vosso blogue do que uma ligação aos serviços de inteligência mais que secretos da coroa inglesa. :)
Sou eu mais como fidalguinha da corte do Rei dos Leittoes do que sua excelência d isabelinha da Casa de Bragança :)
Este cansaço também há-de passar e nós ainda estaremos cá.
Tenho a certeza.
Acabaremos por sair vitoriosos da Troika.
Um beijinho para si também..
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