quinta-feira, 4 de julho de 2013

E agora ?




O sentimento que hoje domina os espíritos perante a política é sobretudo a desconfiança. Sente-se um vago receio. O Governo está trémulo, a oposição inquieta, os homens dos pequenos partidos sem saber onde ir buscar o seu apoio e a sua força, o povo descontente.

Pressente-se que se vão passar os grandes factos que resolvem as crises políticas com as crises da doença. Mas o quê? Hoje não há no país nenhuma ideia predominante, nenhum princípio querido, nenhum grande sistema surdamente combinado, nenhum vasto plano de organização social. Os homens políticos têm-se ocupado naquele embate de ambições, de intrigas, de transacções, de regulamentos, de reformas imperceptíveis, em todo aquele movimento que ondeia lentamente de São Bento às secretarias e das secretarias ao Conselho de Estado. Fora desse movimento nada sabem, nada aceitam.

Quando vier o momento do perigo, a que se há-de recorrer, a que ideia, a que sistema, a que método de governar?. Vai-se procurar aos espíritos políticos e encontra-se lá um vazio : eles tinham-se só movido- não tinham pensado. As nossas finanças estão perdidas, a nossa instrução esquecida, o nosso exército desorganizado, o nosso funcionalismo corrupto, as nossas leis dispersas, o nosso comércio enfraquecido, a nossa autoridade moral perdida.

De quem é a culpa? Não é destes nem daqueles, é da fatalidade das decadências. Se amanhã o país se encontrar na hora da agonia, e se se perguntar aos que pensam, aos que governam, aos que andam com o cérebro aceso alumiando a marcha- se se perguntar: que havemos de fazer?, é possível que eles respondam, e com justiça:






SUCUMBIR , Eça de Queiroz in "Distrito de Évora

 
 
 
 
Parece que escreve hoje para nós Eça de Queiroz, qual referi ao amigo que me brindou com a lembrança deste feliz texto. Muito obrigado.
Sobre o actual momento, sabe-se que Passos Coelho e Portas reuniram até há pouco e foram até  à Presidência da República.
Que farão ?
Tantas são as opiniões lançadas, tantas as ideias, e ausência delas que pouco apetece falar sobre isto. Sobre este momento sinto uma profunda tristeza . Numa coligação de ideais diversos o conflito está sempre presente, necessariamente é previsível. Tudo o que é previsível em política tem solução. Dificil é dar boa solução ao imponderável e imprevisível. Todos estamos descontentes com as actuais políticas, é um facto. Queríamos que acabassem que fossem revistas, alteradas, porém não podemos pagar por isso qualquer preço. Face ao colete de forças em que  Pedro Passos Coelho  se sente enquanto 1º Ministro de Portugal face  ao exterior ele fez, a meu ver, muito humilde, o previsível nesta situação de crise : largou sinal à navegação para não terem por perdida a rota. Certo que a Presidência não avançaria com solução, ele disse : - calma, o barco não afundou, estou ainda estou de pé, eu vou segurar o leme do barco trazendo a boas águas de navegação a coligação e tudo será cumprido. Muitos dizem que isto foi arrogância, francamente, parece-me coragem. Agora, digamos que a coligação se inviabilize, TUDE O QUE PORTUGAL VIER A SOFRER EM CONSEQUÊNCIA DESTA ABRUPTA crise será da responsabilidade de quem ?
SEI QUEM LHE SOFRERÁ AS CONSEQUÊNCIAS.
Se o Povo não ponderasse a responsabilidade do perigo de uma precipitação no que se refere às nossas dependências externas, alguém tem dúvidas de que este Governo já teria caído há muito ? Com que direito  nos expõem a um “petit” desta natureza depois de tudo o que temos andado a aguentar ?...
Agora, restaurar a confiança parece-me muito difícil, impossível praticamente.
Também não me agrada esta Ministra das Finanças, não me agrada a fome, o desemprego, a falta de acesso à saúde, as condições do ensino,  a sobrecarga fiscal e económica sofrida a todos os níveis, mas se há coisa que nunca se deve fazer é iniciar um caminho no escuro : temos que definir uma meta e um percurso para a atingir e o dever de escolher o menos gravoso, o mais vantajoso. Eu pergunto : e agora, que fazer a tamanha trapalhada ?...
Maria Portugal
 

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