domingo, 22 de fevereiro de 2015

A poesia do silêncio ao Domingo



Entre as agruras e novelos em que se enreda a Europa, a inflexibilidade do Eurogrupo a revelar que a UE é cada vez mais um clube onde os alegados VIPs tudo fazem para humilhar quem está em má situação que não é bom "negócio" senão para esses, porque há muito não abrimos este espaço e hoje é Domingo e o Domingo tem tanto de trágico quanto belo, um pouco de poesia . Fiquem bem.

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Silêncio, meu amor ...

Talvez eu não te alcance nunca mais, talvez.

Quem o saberá ?
...
Talvez na minha alma, a chuva
nunca cesse e eu nela me afunde
sem jamais te encontrar.

Quem o saberá ?

Supões Tu que há palavras que nunca me dirás.
E quem o saberá ?

Contudo do que calas, acredita, sei eu bem :
Calas o que sentes não poder dar a ninguém.

Calas. E num malabarismo quase pueril
julgas guardar palavras escondidas,
não porque te sejam proibidas, mas
por serem as palavras
com que nomeias e referencias o mal, o bem,
o temor e o desejo, o amor e o ensejo
de algo de ti dar a alguém.

Mas não, meu perfeito enleio,
Tudo o que a tua alma cala, eu leio.
E hás-de reconhecer que é coisa que
faço bem ...

Tu só calas o que sentes,
não poder dar a ninguém !...

Porque a ti próprio convences,
nada darás a ninguém ,
até a ti próprio mentes
mascarando o que tu sentes
no mais pesado silêncio que tão grande,
escuto bem...

Mas se te peço ternura
Tu acolhes-me segura, num abraço zelador.

Quando voo , logo surges
para me amparar da queda
no tapete da magia,
volante e encantador...

Quando durmo , ligeirinho,
chegas a mim com carinho,
despes-me
a roupa com amor.

E afagas-me os cabelos, acarinhando
meus medos até que surja o alvor.

Quando medes os meus passos
e vês a quem dou a voz e num repente
incessante apertas os nossos nós
e me prendes em abraços

Eu sinto no teu anseio
com que secreto receio,
prendendo-me em teus braços

Temes que o que tu calas
Venha a ouvir por outras falas
e se desatem os laços.

E nesse momento lindo, eu sinto
que escuto bem.
tudo aquilo que Tu calas !

Maria Portugal
http://youtu.be/6yJBvDj678s






1 comentário:

Mar Arável disse...

Na verdade

é preciso ouvir o silêncio
porque não basta ter razão