quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Dez anos após a morte de Mário Cesariny



Um Grande Utensílio de Amor

um grande utensílio de amor 
meia laranja de alegria 
dez toneladas de suor 
um minuto de geometria 

quatro rimas sem coração 
dois desastres sem novidade 
um preto que vai para o sertão 
um branco que vem à cidade 

uma meia-tinta no sol 
cinco dias de angústia no foro 
o cigarro a descer o paiol 
a trepanação do touro 
mil bocas a ver e a contar 
uma altura de fazer turismo 
um arranha-céus a ripar 
meia-quarta de cristianismo 

uma prancha sem porta sem escada 
um grifo nas linhas da mão 
uma Ibéria muito desgraçada 
um Rossio de solidão 

Mário Cesariny, in 'Discurso Sobre a Reabilitação do Real Quotidiano' 

http://www.jn.pt/cultura/interior/homenagem-a-cesariny-reuniu-familia-amigos-camara-governo-e-presidente-5541570.html

2 comentários:

Pata Negra disse...

Em nome da velha amizade blogosférica venho aqui desejar-te um bom natal!
Velhos tempos em que gente se encontrava... não esqueço!...
Bjs do King

Maria disse...

Agradeço e retribuo tudo, com votos de um excelente 2017!
O Natal cá por casa foi atribulado por um pequeno acidente. Agora é recuperar.

Um imenso abraço .