terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Um resto de nada


Já ressuscitei de tantas mortes.
Já sobrevivi a tanta dor.
Estou certa, somente por amor.
Resta tão pouco de mim
Que hoje quando falam para mim
Eu sempre questiono se é para mim que estão a falar.
Em quase nada reconheço hoje a minha alma
esmagada pelo tempo da demora e pela dor.
Quando me tiraram tudo, senti-me cheia,
Porque tu estavas em mim.
E as tuas palavras sempre me acarinhavam.
E florescia-me no peito um jardim
Cuidado por ti.
Até que te perdeste por outras paragens
E deixaste de olhar para mim
E o teu silêncio esmagador
Silenciou a minha voz
E de todas as mortes a que sobrevivi
Não sobreviverei a esta ausência de ti!


Maria

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