quinta-feira, 17 de agosto de 2017
Um rapaz chamado Cristiano Ronaldo
Quando as pessoas não conseguem separar o que sentem sobre terceiros, as empatias e antipatias que sentem do julgamento que fazem delas é exercida uma arbitrariedade, um abuso de poder.
Na verdade, todos nós exercemos um poder sobre quem nos rodeia. Talvez nunca tenha pensado nisto, mas é a mais pura verdade. O que revelamos pensar sobre os outros pode arruinar a respetiva imagem, abalará a integridade psicológica dos visados e mesmo dos que lhes são próximos. As nossas opiniões sobre os outros podem abalar a sua credibilidade nos seus trabalhos, nas suas vidas sociais, culturais, familiares, pessoais. Devemos pois procurar sempre ser justos nas nossas apreciações e mais ainda cautelosos no modo como as transmitimos, já que não é bom prejudicar ninguém gratuitamente, sem motivo digno.
Para quem exercite uma boa consciência isso bastará . Quem não o faça, recorde a chamada "lei do retorno". Acredito nela. O que de bom e mau na vida fazemos a nós retorna.
Cristiano Ronaldo goza de muitas empatias e muitas antipatias. Mas a pura verdade é que Cristiano Ronaldo saiu criança da ilha da Madeira e durante toda a sua vida exercitou corpo e mente para ser um jogador de futebol de excelência. E superou a sua origem, superou anos duros em que cresceu na solidão para concretização de um sonho.
Este menino que se tornou um homem nunca teve outra formação para além daquela que dele fez o atleta que é hoje.
Quando se diz que ele não pagou os seus impostos, sabe-se que não estamos a ser sérios, porque omitimos uma parte da estória e logo omitimos ou desvirtuamos a verdade.
Cristiano Ronaldo sempre pagou os seus impostos. Apenas no que diz respeito aos contratos de publicidade que faz se coloca a questão de saber a que taxa é devido o pagamento desses impostos em Espanha. Os seus colaboradores, os seus técnicos, especialistas, entenderam que esse pagamento devia ser feito a uma taxa. O fisco Espanhol entende que devia ser a outra.
A questão é controvertida do ponto de vista jurídico para vários dos melhores juristas/fiscalistas no Mundo.
Como é que em consciência se pode afirmar que Cristiano Ronaldo teve a consciência subjectiva de se furtar a pagar qualquer imposto? Ele que só joga à bola !
Sejamos sérios.
Mesmo para quem não goste dele, lembre-se que o que hoje toca a ele, amanhã de algum modo pode tocar a qualquer de nós. E nesse momento vamos desejar ser tratados com justiça.
Não abdiquemos dela. Ser justo com os amigos é fácil, ser justo com quem não se gosta é nobre, é o exercício da verdadeira justiça soberana, de uma verdadeira cidadania.
Maria
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