Todos os diasEla lhe pedia:
Não me deixes, não me deixes tão só
Ele abraçava-a, como se pequenina fosse,
E dizia:
Tem que ser, tens que compreender …
A vida é uma luta, desde o berço ao pó
Logo te volto a ver…
Assim se repetiam dias de desenganos
Ele construindo castelos de pedra
Ela morrendo nos escolhos dos sonhos
Fica comigo, pedia ela, manipulando sedução no olhar
Não posso, querida, tenho que trabalhar …
Mas tens tantas horas e nelas pessoas…
Flores, cartões, delicadeza, encanto
A essas, dás tanto…
Quase te não vejo, eu que te quero tanto…
Procura distrair-te…
Podias ter amigas para conversar
Vou plantar-te ao colo um terço de brilhantes
Sedas muito belas, flores inebriantes…
Vou dar-te um PC de “último grito”
Causará inveja por ser tão bonito.
Podes conversar, podes distrair-te
Apenas não peças que contigo fique
A vida é assim, eu quero ser rico…
Primeiro passo que ela deu na “rede”
Foi tal o anseio, grande o desajuste…
Mas hoje, amanhã, surge novo amigo…
Que fazes, pergunta ele, não queres estar comigo?
Sempre querido. Mas tens que trabalhar, és o nosso “abrigo”
Um dia o José disse que era bela, doce generosa,
Casaria com ela
No outro o João, fonte do desejo, chamou-lhe sereia
De um mar em solfejo
Depois o Manuel, o Vítor e enfim, surgiu o
António para viver para si.
Todo o mundo dele era o olhar dela,
Reescreveu ternura, reescreveu candura
De tudo o que queria, tudo se consumia no sorriso dela.
Quando ele voltou, um dia cansado,
E se acostou à pedra do castelo que erguera a seu lado
Deu por falta dela,
Ai, como ela o amara, ceguinha, em prece e em pranto.
Era sempre bela, fora sempre encanto…
Como pudera ela que o quisera tanto,
Mudar-se para o colo de um pobre António que vive no campo …
Maria