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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Quem é que pensa na morte?



( http://http://www.telefone-amizade.pt/site/suicidio/)



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Muitas figuras de grande relevo, veneradas pelas respectivas obras, nos mais variados domínios, puseram termo às suas vidas.

É impressionante o número de suicídios ocorridos em Portugal, nas mais variadas idades.

Lidar com a adolescência, com a velhice, são dois dos momentos críticos para muitas pessoas, sendo que as "dores" inerentes ao processo de crescimento ou de envelhecimento são por vezes intoleráveis para alguns.

Tive um colega que aos 17 anos trabalhava já num Jornal em Lisboa. Era um rapaz reservado, dado a poucas falas, poucos sorrisos.
Ainda hoje recordo a sua expressão na única vez que o fiz sorrir imitando o discurso de um dos nossos Professores que acabara de se zangar com ele por chegar atrasado à aula.
Nesse dia, ele que nunca conversava com ninguém, sentou-se à conversa comigo. Falou-me dos problemas de relação com o pai, do seu trabalho de redacção no sótão da casa da avó em Cascais, do esforço para "ganhar o pão de cada dia", "pagar o curso" sem pedir auxílio ao pai.
Apenas o escutei por cerca de meia hora.
Depois desse dia não mais nos falamos.
Corria o primeiro trimestre escolar e à parte de um sorriso que tive sempre a compulsão de oferecer mesmo a quem não queira, uns "olá, então como estás?", nada mais nos dissemos.
Até que um dia, recordo que me sentei a meio do auditório, o que não era meu hábito, já que escolhia sempre ou as primeiras ou as últimas filas para sentar nas aulas.

Atrasado como sempre, cansado, noites sempre muito pouco dormidas e descansadas, ele entrou e empurrando alguns colegas acomodou-se ao meu lado.

Perguntou : começou faz muito, a aula ?
Uns 15 minutos, respondi. Podes passar os meus apontamentos, acrescentei.
Sobre o meu caderno escreveu " vou viajar, mas obrigado na mesma".
Ergui os olhos ao encontro dos dele, mas ele não os manteve nos meus.
Surpreendentemente, beijou-me na face e saiu da aula.
Nunca mais o voltei a ver.
Todos fomos a Cascais ao seu funeral. Nunca consegui contar isto a ninguém por sentir que não tive a necessária capacidade para compreendê-lo. Até hoje, este exercício de expiação por confissão revela bem como está ainda por ultrapassar esta questão.

A vida por vezes, até com a morte nos faz rir. Recordei o meu colega hoje porque outra amiga me contou um caso inusitado .



Um homem recém separado da esposa embriaga-se vezes frequentes com o propósito de se suicidar. Tenta-o sempre ao volante de um automóvel. Já desfez uns quantos e respondeu em Tribunal pelos inerentes crimes de condução com álcool. Ele é que sai sempre ileso.

Já é a sétima vez, exclamava ela. Olha os antecedentes criminais deste indivíduo à conta disto. Falta de jeito... Que faço ?
-Interna : parece-me estar doente.
Acho que o homem ficou mesmo internado no Serviço de Psiquiatria de um Hospital local.
Pus-me então a pensar: o que dizer, como tratar com alguém que quer por termo à vida ?

Nada criei.




Fui ver alguns sites e pareceu-me útil divulgar estes, pela simpatia, particularmente do primeiro projecto:

Sinais de aviso de Suicídio
O suicídio raramente é uma decisão repentina. Nos dias e horas antes das pessoas se suicidarem, existem pistas e sinais de aviso.
Os mais fortes e perturbantes sinais são verbais: "Não aguento mais", "Já nada importa" ou "Estou a pensar em acabar com tudo". Estas expressões devem ser sempre levadas a sério.
Outros sinais comuns incluem:
Tornar-se uma pessoa depressiva e reservada
Ter comportamentos arriscados
Pôr os assuntos em ordem e desfazer-se de coisas valiosas
Demonstrar uma acentuada mudança de comportamento, atitudes ou aparência
Abuso de álcool e drogas
Sofrer uma grande perda ou mudança na vida
A lista seguinte fornece mais exemplos, que podem indicar que uma pessoa está a pensar em suicídio. Em muitos casos, estas situações não conduzem ao suicídio. Mas, geralmente, quanto mais sinais a pessoa apresenta, maior o risco de suicídio.
Situações
Antecedentes de suicídio na família ou violência familiar
Abuso sexual ou psicológico
Morte de um amigo intimo ou parente
Divórcio ou separação, fim de um relacionamento
Maus resultados nos exames, reprovar de ano
Perder o emprego, problemas no trabalho
Acção judicial pendente
Prisão recente ou libertação em breve
Comportamentos
Chorar
Lutar
Infringir a lei
Impulsividade
Auto-mutilação
Fonte: http://www.befrienders.org/"


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