Mostrar mensagens com a etiqueta poema de Florbela Espanca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta poema de Florbela Espanca. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Pedaços




Poeiras de crepúsculos cinzentos.
Lindas rendas velhinhas, em pedaços,
Prendem-se aos meus cabelos, aos meus braços,
Como brancos fantasmas sonolentos...

Monges soturnos deslizando lentos,
Devagarinho, em misteriosos passos...
Perde-se a luz em lânguidos cansaços...
Ergue-se a minha cruz dos desalentos!

Poeiras de crepúsculos tristonhos,
Lembram-me o fumo leve dos meus sonhos,
A névoa de saudades que deixaste!

Hora em que o teu olhar me deslumbrou...
Hora em que a tua boca me beijou...
Hora em que fumo e névoa te tornaste ...

Florbela Espanca