terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pequena dor

Não convidei esta pequena dor,
Mas ela entrou...
Atravessou o pátio principal, abriu a porta,
Chegada à sala,
Sentou-se nos sofás da minha alma, vazia de ti.
Dividiu comigo refeições, à mesa,
Experimentou todos os assentos.
Leu por mim os livros que não consigo ler,
Escreveu-me palavras que não sei dizer.
Brincou com o sal das minhas lágrimas,
Para encher de mar a minha cama fria.
Então à noite, enquanto estou desperta,
Ela vem de mansinho, aninha-se à coberta
Mostra-me desenhos de escassos momentos,
Fracções intemporais de sentimentos
Em que com a tua boca,
Descobriste de ternura a minha pele
Entre os teus dedos prendeste os meus cabelos,
E eu conheci a textura da tua mão
Doce e suave sobre o meu peito nu.
E a tua boca sabia tanto a mel.
Esta pequena dor canta-me sempre,
Palavras de saudade e de lamento
E é tanta a agonia e o tormento
Que terei de a jogar fora
Pô-la, indelicadamente, na rua da alma
Quebrar o encantamento.
Se por força,
Não vencer esta pequena dor tão sobranceira:
pois que ela quer que morra, queira, não queira...
Se eu não vencer esta pequena dor
Talvez que ela me vença a vida inteira...

Maria

4 comentários:

Portaria ILEGAL disse...

Lindo :)

Pata Negra disse...

Uma dor que dura a vida inteira é porque não mata. Sem as pequenas dores, as dorzitas, as doritas, o que seria dos amores? Como poderia existir uma poesia como esta? O que seria de Maria?
Um abraço com dor que não dói

MARIA disse...

Portaria, muito obrigada!

Um Beijo.

Maria

MARIA disse...

Majestade,

Enquanto existirem ecos de uma dor de afecto num coração que compreenda a substância de que ela é feita, sempre existirão "poemas" de "amor-dor".

Um beijinho

Maria