Quando eu morrer ... Quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.
quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não
tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.
Vasco Graça Moura, in "Antologia dos Sessenta Anos"
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Fui Pedir um Sonho ao Jardim dos Mortos
Fui pedir um sonho ao jardim dos mortos.
Quis pedi-lo, aos vivos. Disseram-me que não.
Os mortos não sabem, lá onde é que estão,
Que neles se enfeitam os meus braços tortos.
Os mortos dormiam... Passei-lhes ao lado.
Arranquei-lhes tudo, tudo quanto pude;
Páginas intactas — um livro fechado
Em cada ataúde.
Ai as pedras raras! As pedras preciosas!
Relâmpagos verdes por baixo do mar!
A sombra, o perfume dos cravos, das rosas
Que os dedos, já hirtos, teimavam guardar!
Minha alma é um cadáver pálido, desfeito.
As suas ossadas
Quem sabe onde estão?
Trago as mãos cruzadas,
Pesam-me no peito.
Quem sabe se a lama onde hoje me deito
Dará flor aos vivos que dizem que não?
Pedro Homem de Mello, in "Príncipe Perfeito"
Fui pedir um sonho ao jardim dos mortos.
Quis pedi-lo, aos vivos. Disseram-me que não.
Os mortos não sabem, lá onde é que estão,
Que neles se enfeitam os meus braços tortos.
Os mortos dormiam... Passei-lhes ao lado.
Arranquei-lhes tudo, tudo quanto pude;
Páginas intactas — um livro fechado
Em cada ataúde.
Ai as pedras raras! As pedras preciosas!
Relâmpagos verdes por baixo do mar!
A sombra, o perfume dos cravos, das rosas
Que os dedos, já hirtos, teimavam guardar!
Minha alma é um cadáver pálido, desfeito.
As suas ossadas
Quem sabe onde estão?
Trago as mãos cruzadas,
Pesam-me no peito.
Quem sabe se a lama onde hoje me deito
Dará flor aos vivos que dizem que não?
Pedro Homem de Mello, in "Príncipe Perfeito"
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Maria


6 comentários:
Estou vivinho da costa, e vim aqui ler poesia, apreciar flores e matar saudades de um espaço que o tempo não me tem deixado visitar com frequência.
Cumps
Que bom que o fez Guardião. Também tinha muitas saudades suas.
Os amigos nunca se esquecem.
Como se diz por aí são tal qual as estrelas numa noite escura : podemos não as ver, mas sabemos que elas lá estão ...
Um beijo muito amigo.
Maria
O poema do Graça Moura é bonito, mas gosto mais de olhar para a vida e o para o seu lado belo.
Este blog e a sua autora são, sem dúvida, dois dos aspectos bonitos que a vida nos dá.
Um beijinho.
Olá Maria,
provavelmente teremos pontos em comum.
Mas olha que que não vou dar música...
Venho buscá-la a ti.
André, eu compreendo-te.
:-)
Obrigado.
Mas olha que o poema de VGM é para mim belíssimo. É fácil conceber o amor, o encanto, na beleza, na juventude, mas o amor até no momento da morte é sublime.
De uma beleza que não consigo definir por boas palavras.
O outro também. Descreve emoções tristes de maneira bela.
Acaba por minorar as dores... não ?!...
Mas eu compreendi.
Agradeço muito a tua generosidade comigo e com o meu blog.
Um beijinho
Maria
Narrador, fico curiosa e apelativamente à espera com a melhor espectativa.
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