segunda-feira, 20 de abril de 2009

O tempo é invenção da morte

"Amigos não consultem os relógios
quando um dia me for de vossas vidas…
Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira”.

Mário Quintana

À Morte Peço Paz Farto de Tudo
morte


À morte peço a paz farto de tudo,
de ver talento a mendigar o pão,
e o oco abonitado e farfalhudo,
e a pura fé rasgada na traição,
e galas de ouro es despejados bustos,
e a virgindade à bruta rebentada,
e em justa perfeição tratos injustos,
e o valor da inépcia valer nada,
e autoridade na arte pôr mordaça,
e pedantes a engenho dando lei,
e a verdade por lorpa como passa,
e no cativo bem o mal ser rei.
Farto disto, não deixo o meu caminho,
pois se eu morrer, é o meu amor sozinho.

William Shakespeare, in "Sonetos (66)"

2 comentários:

Zé Povinho disse...

Hoje transparece desalento por estes lados, mas lá fora o sol brilha e a Primavera floriu muitas plantas dando-lhes cor e um aroma que nos seduzem.
Abraço do Zé

Pata Negra disse...

Há uma coisa em que Deus foi justo: deu aos dias de toda a gente 24 horas! E assim vou eu vivendo 24 horas por dia, consolado com o facto de ter a eternidade para viver para depois da morte!
Um abraço terno e eterno