
Deixa-me desistir de ti
Como num encontro repetido entre penas de mil eras
E traçado em véus de fumos mutilados,
Para esquecer que te dei a alma de todos os meus sonhos
E a força de toda a vontade
Na concretização de uma visão que não me pertencia.
Será o silêncio a minha promessa,
O vazio como futuro
De quem deixou as asas rasgadas no chão,
E apenas a noite alcançará a minha voz amordaçada
Nos primórdios do poema.
Não sou ninguém…
Nada mais que o pálido reflexo de um espelho estilhaçado,
Um grito no amanhecer
E as lanças dos meus dedos estendem o sangue da derrota
Que estrangula o meu olhar.
Deixa-me, pois, morder as cinzas que ensombram os meus lábios
E morrer dentro da cruz,
Como um corvo em voo de hecatombe
Rasgando os céus da última alvorada,
Um sonho aberto à lâmina dos deserdados,
Um cântico na morte…
Para que vejas a renúncia que floresce nos meus olhos
E me deixes desistir
De mim.
CARLA RIBEIRO
Como num encontro repetido entre penas de mil eras
E traçado em véus de fumos mutilados,
Para esquecer que te dei a alma de todos os meus sonhos
E a força de toda a vontade
Na concretização de uma visão que não me pertencia.
Será o silêncio a minha promessa,
O vazio como futuro
De quem deixou as asas rasgadas no chão,
E apenas a noite alcançará a minha voz amordaçada
Nos primórdios do poema.
Não sou ninguém…
Nada mais que o pálido reflexo de um espelho estilhaçado,
Um grito no amanhecer
E as lanças dos meus dedos estendem o sangue da derrota
Que estrangula o meu olhar.
Deixa-me, pois, morder as cinzas que ensombram os meus lábios
E morrer dentro da cruz,
Como um corvo em voo de hecatombe
Rasgando os céus da última alvorada,
Um sonho aberto à lâmina dos deserdados,
Um cântico na morte…
Para que vejas a renúncia que floresce nos meus olhos
E me deixes desistir
De mim.
CARLA RIBEIRO
6 comentários:
Maria
Este é um poema de sofrimento. Um belo poema mas um poema de sofrimento. Que o verde seja esperança e renovação e se associe aos campos em plena Primavera. Que o verde seja ressurreição.
Abraço
Pois, minha querida amiga, eu admito que na poesia me encantam mais os poemas de dor, como os de F Espanca, do que os demais. Não sei explicar bem porquê. Será um pouco um modo "fadista" de ser português. Encontrei este poemas no Lusopoemas e realmente encantou-me.Não resisti a colocar.
Um beijinho especial para si que sempre procurar levar simpatia e afecto a quem sofre.
Maria
Ninguém é de ninguém, ninguém desiste de ninguém! Força Maria, ainda o amor é uma criança!
Aprecio a nudez com que estendes as tuas formas de amar! Foi tanta a minha sorte em encontrar o amor (que me ... sei lá... como dizer?... não digo.. quando)que estarei sempre à mesa com aqueles que o merecem encontrar!
Um abraço da vida de todos os dias, de todos os olhos, de todos os bares, de todas as plateias, de todos os palcos, de todos nós os que por aqui andamos a trocar palavras escritas, por isso mais ditas, mais abraços, mais beijos.
Olá Majestade,
também gostou do poema,percebo.
Está realmente muito bem conseguido.
Achei-o muito bonito.
Um beijinho, é sempre bom vê-lo por cá. Muito obrigada.
Maria
Um poema da renúncia...
Triste, mas muito bonito. Gostei muito.
Cara amiga, obrigado pela partilha.
Boa semana, beijos.
Obrigada Nilson pela visita e pela amizade.
Um beijinho
Maria
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