segunda-feira, 18 de maio de 2009

Halo

Diz-se "efeito halo" (chapéu de anjo) da possibilidade de a avaliação ou julgamento que fazemos de um determinado item ou factor, poder interferir erradamente no julgamento de outros factores e itens de avaliação ou julgamento, assim contaminando nesse erro, o resultado da avaliação geral por nós realizada.
Foi assim que Edward Thorndike designou este fenómeno que se resume no fundo à interferência causada nos processos de avaliação de desempenho devido à simpatia ou antipatia que o avaliador tem pela pessoa avaliada.
Este efeito é considerado pelos especialistas como o mais sério erro cometido por um avaliador ou julgador.
Quem julga deve ser isento e imparcial, mesmo relativamente a si próprio.
O "efeito halo", da "informação prévia", o impacto das primeiras impressões são por vezes o primeiro obstáculo a uma avaliação rigorosa e justa, sabendo-se quantas vezes são desastrosas as consequências para a vida de quem tem de subjugar-se a tais juízos de avaliação ou julgamento.
Neuro cientistas das Universidades de Nova York, Tufts e Harvard investigaram a actividade cerebral humana no decurso da formação das primeiras impressões sobre terceiros.
Foram apresentados a 19 voluntários , 20 perfis fictícios de 20 pessoas diferentes que lhes foram entregues com fotografias incluindo determinados cenários.
Verificou-se que a simples observação dos perfis das fotos colocadas em determinado cenário foram o suficiente para que os voluntários formassem uma imagem da pessoa correspondente atribuindo-lhe desde logo traços de carácter,tais como, inteligente, preguiçoso, perfeccionista, desmazelado, atencioso, mal educado...
Notaram ainda os investigadores que os observados formaram essas opiniões quase imediatamente e retiveram-se nelas. Assim solicitados a atribuir uma função a um perfil, faziam-no por referência à impressão causada pela imagem vista e apenas por esta.
Nos primeiros instantes de contacto com alguém a actividade cerebral da " amídgala e córtex cingular", regiões do cérebro ligadas à apreensão de objectos inanimados e avaliações sociais baseadas em grupos familiares ou de confiança e ao dinheiro , determina a formação de uma impressão instantânea , também chamada primeira impressão, de que por vezes nunca nos conseguimos desvincular.
Assim toda a cautela com os juízos prévios, as impressões fundadas meramente nos nossos conceitos ou preconceitos será pouca se quisermos julgar alguém de modo justo e objectivo.
Quantas vezes pensamos sobre isto ?
Não. A nós não acontece. Pensamos.
Porém se todos fossemos o primeiro juiz das nossas próprias consciências, muita coisa mudaria no mundo à nossa volta ...

8 comentários:

Pata Negra disse...

Se bem entendo o post é sobre amor à primeira vista? Ou sobre o peso que o "aspecto" dos alunos tem na sua avaliação? É por isso que, às vezes, vale mais não avaliar, nem tudo pode ser quantificado...
Um abraço sem valor

André disse...

Muito interessante. Incrível como a imagem tem relevância. Como dizia o nosso antigo PM, que agora está em Nova Iorque como Alto Comissário, «não há uma segunda oportunidade para se causar uma boa primeira impressão»...

MARIA disse...

Majestade, o meu "halo" para os seus comentários é sempre tão positivo que tendo a dar-lhe razão : sim , será do amor à primeira vista ou mesmo sem vista- só com coração.
:-)
Um beijinho

MARIA disse...

André, obrigada.
no teu caso causas sempre a melhor impressão.

Beijinhos.

Zé Povinho disse...

A 1ª impressão é quase sempre a mais intensa e talvez condicione as avaliações que se seguem. Tem os seus inconvenientes, claro, mas também serve muitas vezes para nos colocar de prevenção...
Apesar de todas as imperfeições que nós os humanos temos, ainda somos uma maravilha única (para o bem e para o mal) deste planeta.
Abraço do Zé

MARIA disse...

Bem observado Zé.
Sempre sensato o meu querido amigo.

Beijinhos

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
MARIA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.