
Deve chamar-se tristeza
Deve chamar-se tristeza
Isto que não sei que seja
Que me inquieta sem surpresa
Saudade que não deseja.
Sim, tristeza - mas aquela
Que nasce de conhecer
Que ao longe está uma estrela
E ao perto está não a Ter.
Seja o que for, é o que tenho.
Tudo mais é tudo só.
E eu deixo ir o pó que apanho
De entre as mãos ricas de pó.
Fernando Pessoa
Deve chamar-se tristeza
Isto que não sei que seja
Que me inquieta sem surpresa
Saudade que não deseja.
Sim, tristeza - mas aquela
Que nasce de conhecer
Que ao longe está uma estrela
E ao perto está não a Ter.
Seja o que for, é o que tenho.
Tudo mais é tudo só.
E eu deixo ir o pó que apanho
De entre as mãos ricas de pó.
Fernando Pessoa
4 comentários:
Bom dia. Não sei como dizer o que sinto depois de ler este poema. É como se fosse alguém a dizer o que sinto embora não tivesse dito a ninguém. Sinto que tenho de procurar um alguém e dizer-lhe o que sinto sabendo que não minto. Com grande estima desejo-lhe um "grande" Domingo.
Rui, gosto tanto de vê-lo aqui. Muito obrigada.
Um domingo feliz. Um beijinho.
Pessoa é grande, e este poema é novidade para mim.
Obrigado
Cumps
Que bom que apreciou o poema Guardião. Um beijinho amigo.Bom revê-lo, sempre!
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