domingo, 31 de outubro de 2010

Inês morreu, apesar de ser domingo ...

( a imagem foi criada para ilustrar o post , por Maria )

Ao domingo, pelo menos aqui, faz-se a festa da poesia.
Dá-se alimento substancial de sonho e de beleza à vida.
Sugiro-vos a consulta a este link de poesia, que saboreei com franco gosto:




E desejo-vos um domingo muito abençoado com este poema de que gosto de

RUI BELO e que se chama - Inês Morreu -


"Inês morreu e nem se defendeu

Da morte com as asas da andorinha

pois diminuta era a morte que esperava

aquela que de amor morria cada dia

aquela ovelha mansa que até mesmo cansa

olhar vestir de si o dia a dia

aquele colo claro sob o qual se erguia

o rosto envolto em loura cabeleira

pedro distante soube tudo num instante

que tudo terminou e mais do que a inês

o frio ferro matou a ele

Nunca havia chorado é a primeira vez que chora

agora quando a terra já encerra

aquele monumento de beleza

que pode pedro achar em toda a natureza

pode pedro esperar senão ouvir chorar

as próprias pedras já que da beleza

se comovam talvez uma vez que os humanos corações

consentiram na morte da inocente inês

E pedro pouco diz só diz talvez

satanás excedeu o seu poder em mim

deixem-me só na morte só na vida

a morte é sem nenhuma dúvida a melhor jogada

que o sangue limpe agora as minhas mãos cheias de nada

ó vida ó madrugada coisas do princípio vida

começada logo terminada "



Rui Belo

4 comentários:

Carlos Gonçalves disse...

Pedro e Inês... os amores mortais de antanho, a trespassarem séculos e a chegarem aos amores (i)mortais de hoje.
Beijo, querida Maria.
Carlos

Zé Povinho disse...

Rui Belo e um belo poema.
Boa semana
Abraço do Zé

MARIA disse...

Olá Carlos, bem vindo, obrigada pelo comentário.
Porque a morte só matou Inês, mas nunca matou o amor de Inês e de Pedro.
Amamos os nossos familiares e amigos, nossos próximos e o que sentimos é a única coisa que nunca prova a morte.Porque permanece connosco e para além da nossa memória. Nesse sentido, vence a morte. O amor eterniza-se na lembrança da humanidade, torna-se incontornável e as forças que o derrubam são as mesmas que lhes dão o dom visível da imortalidade...

Um beijinho para ti.

Maria

MARIA disse...

Zé, meu tão estimado amigo.
Bem sei que por falta minha, que à falha de inspiração, fecho, de vez em quando o blogue, mas a verdade é que me habituei à sua presença neste espaço nestes anos que aqui temos trocado impressões sobre as publicações e sinto a sua ausência quando é assim mais prolongada.
Que bom lê-lo! Que saudade !
Obrigado. Um beijinho. Amanhã passarei com calma,
lá pelo seu cantinho.

Maria