domingo, 5 de dezembro de 2010

ERA UMA VEZ UM PAÍS AONDE O NATAL ERA SEMPRE FELIZ (I)


Nota prévia :

a) Para não tornar cansativa a leitura, a publicação deste conto será feita em três partes diversas.
b) Não obstante inspirada em algumas vivências da autora, este conto é TOTALMENTE fictício e não encontra na sua trama qualquer similitude com acontecimentos da vida real, nem com a realidade do nosso País.

Simplesmente, porque estamos no Natal, fica, como disse Aquele cujo nascimento celebramos, como um apelo de consciência aos homens e mulheres de boa vontade para os valores da justiça, da fraternidade, da solidariedade, do amor que Ele nos ensinou.


(para ler a legenda da foto, clique sobre a mesma por forma a visualizá-la em tamanho maior)
ERA UMA VEZ UM PAÍS AONDE O NATAL ERA SEMPRE FELIZ (1ª parte)


Vivíamos o ano de 1989. Estávamos em Dezembro. Um Dezembro que foi particularmente rigoroso e hostil.

No País das Trapalhadas, o tempo era, regra geral, ameno e agradável o ano inteiro. Nem temperaturas muito altas, nem temperaturas muito baixas, uma Terra morna. O Povo era semelhante ao tempo.

No entanto nesse ano o tempo esfriou. A ventania violentamente varria a cidade aonde vivia Maria, regada a uma chuva quase permanente que ora se intensificava, ora acalmava e se transformava em pequeninos flocos de gelo que enfeitavam as árvores e se colavam aos seus cabelos.

Que pouca vontade de sair de sua casa, atravessando aquele temporal,para o Colégio.

Mas não podia deixar de fazê-lo e nem se perdoaria se o fizesse.

Sua amiga Míriam contava consigo . Míriam era uma anciã que tinha a vida presa a uma cadeira de rodas.

Dependia de terceiros para tanta coisa, mas até ao seu último momento de vida, jamais prescindiu de dar aos outros aquilo em que era grande e especial e sempre fizera com absoluta independência.

O seu quarto era assim como que um quartel general improvisado na luta contra a dor e a pobreza e ela o general.

Maria foi regimentada para essa guerra . Era uma moça universitária, cheia de ideais e voluntarismo.

O Colégio fora fundado por Míriam e funcionava no prédio aonde residia. Com as crianças em férias, funcionários, professores e amigos, juntavam-se para separar as muitas peças de roupa que a generosidade popular deixava para aquela causa ao longo de todo o ano, e que com a lista possível das pessoas conhecidas que residiam na rua, no Concelho, lhes seriam afectas após uma refeição quentinha, confeccionada e distribuída por os mesmos.

Nesse ano, até o Senhor José da padaria "Pão do Céu", conhecido por dificilmente alargar cordões à bolsa, entregou pão fresquinho e bolo rei para a ceia.

Apesar da azáfama, do trabalho, de algumas dificuldades naturais sempre sentidas por quem tem necessidade de receber alguma coisa, tudo corria bem naquele ano.

Míriam, na sua cadeirinha, perto da lareira, sempre sob o olhar atento e carinhoso de Maria, sorria de forma iluminada e sonhadora, feliz, como poucas vezes .

Ainda não terminavam as sobremesas e ela exclamou. Agora, atenção, meus senhores e minhas senhoras, vamos distribuir os presentes de natal e todos receberão o seu presente, pelo que devem estar atentos e avançar quando forem chamados os vossos nomes .

Será assim que a Maria acabe de ler um poema que preparei especialmente para este momento.

Maria pensou que todos sairiam em debandada, afinal estavam pelo menos já reconfortados com uma refeição quentinha, mas para seu grande espanto, fez-se um silêncio enternecedor e ao fundo na sala, notou que um "homem da rua" pegou no guardanapo do jantar , levou-os aos olhos, limpou uma lágrima que teimosamente se instalou e insistia em escorregar rosto abaixo.

Aplausos e a aproximação de Jorge, a voz de tenor da freguesia que iniciaria a chamada para a entrega das roupas e outros pequenos mimos que Míriam conseguira reservar-lhes.

Recebiam em silêncio, ordeiramente, até porque Míriam agia assim como uma professora à moda antiga com o espírito de quem deve disciplinar.

Após iam saindo. Quase no fim, Jorge chamou :

-Vítor Marcelino, venha buscar a suas coisas!

Ninguém se aproximou.

Jorge insistiu no chamado duas vezes e mais alto. Nada.

Míriam trocou com Maria um olhar apreensivo, fez-lhe sinal para se aproximar.

Maria tentou tranquiliza-la:

- Talvez este ano ele tivesse outro programa para esta época ...

Mas Míriam não sossegou enquanto Maria não lhe prometeu que iria ver o que se passava com o homem.

Vítor Marcelino adoptara por habitação o abrigo de uma pequena ponte situada nos Jardins de um Palácio de ímpar beleza, aonde até hoje Autoridades do Estado se encontram para politicar e conviver.

Apenas para o leitor imaginar de que tipo de monumento tratamos, podemos fazer uma equiparação do mesmo para a vida real, por exemplo, com o belíssimo Palácio de Queluz e seus magníficos jardins e respectiva mata. Digamos que fosse um monumento semelhante.

Apesar de se encontrar numa zona que habitualmente não era visitada, nem mesmo por quem ali se deslocasse ao museu, Vítor já fora solicitado a deixar o espaço, o que sedimentou a dúvida de Míriam

de que só por motivos alheios à sua vontade não estivesse ali.


-----------------Continua no próximo post-------------------

18 comentários:

José Lopes disse...

Presente para er os 3 episódios deste conto de Natal.
Bom domingo.
Cumps

MARIA disse...

Obrigado, meu querido amigo, um beijinho muito feliz por o rever aqui.

Maria

anareis disse...

Achei muito bonito seu blog,é de muito bom gosto.

Pata Negra disse...

Espero, portanto, que o teu jeito para contar nos conte mais. Contudo, eu gostaria que o Natal não fosse já, quantos mais natais mais velhos e, além disso, o Natal ou é tempo de tristeza ou de alegria forçada.
Um abraço dezembrado

MARIA disse...

Ana Reis, agradeço muito a simpatia do seu comentário.
Um abraço.

MARIA disse...

Majestade, eu também não gostaria, sabe, mas o tempo corre e impõe-se a nós humanos que só aprendemos para nosso mal a contar o tempo, mas não a modificá-lo.
Enfim... se calhar mexer no tempo era uma trapalhada, mas que a ideia é tentadora, lá isso é.

Um beijinho muito amigo.

Maria

André disse...

Fico à espera do próximo post. Um conto de Natal com a assinatura de Maria, sem dúvida.

Um beijinho doce.

MARIA disse...

Meu amigo André, como é bom sentir a energia sempre tão amiga e solidária do meu especialíssimo amigo André que tanto admiro.
E Obama, só entre nós, corresponde ainda a todas as tuas expectativas ?
NB-
Creio que perdi contacto de email por deixar de aceder àquela conta.
Fica também, não sei se o tinhas já : mariuzportugal@gmail.com.

O que falta para completar o conto virá, prometo. Estou a "inspirar", a "respirar fundo" como melhor compreenderás essa necessidade sentida por mim, quando publicar o que falta.

Fá-lo-ei ...

Um beijinho meu querido amigo.
Passas o natal em Portugal ?
Por favor, indica-me de novo o teu mail, não acedo àquele ...

bjinhosss

Humberto Dib disse...

Oi, Maria, afinal chegou esse conto de Natal!
Até agora está muito bem, vamos ver como é que segue...
Um beijo enorme, minha querida amiga!
Humberto.

MARIA disse...

Olá meu amigo, como está Humberto?
Obrigado por me visitar, pela simpatia do seu comentar, por ler o que escrevo. Um grande beijinho amigo.

Zé Povinho disse...

Porque temos um palácio e uns jardins, não posso deixar de vir aqui ler a continuação.
Abraço do Zé

Dan disse...

Parabéns pelo conteúdo do blog!
Muito interessante!

Humberto Dib disse...

Maria, como é que é isso? Vim para seguir lendo e... nada, ainda a 1° parte, nossa, como se faz desejar!
Está vendo, estou com saudade.
Humberto.

MARIA disse...

Zé , olá meu querido amigo, fico sempre tão feliz quando vejo que me visitou.
Estou mesmo a terminar o conto. Direi no seu blogue assim que publique.
Um beijinho muito amigo. Que bom que gosta de ler-me.
Bom natal meu amigo de sempre.

MARIA disse...

Dan, bem vindo, muito obrigado pela sua amabilidade.
Visitei o seu blogue e procurei o link para o seguir, mas não o vi, será erro meu?
Tem ali um espaço de muito interesse e tanto encanto. Imagens belíssimas que revisitarei muitas vezes se me permitir.
Gostei de o ver.
Bom natal.
Um abraço.

MARIA disse...

Olá Humberto,
:)

Muito obrigado. Está quase espero não o decepcionar muito.
Meu amigo,
Por favor nem mesmo a brincar me diga que me faço desejar, por favor.É que no meu País isso em certas circunstâncias dá direito à ostracização intelectual e em última análise à morte civil por perseguições várias repetidas e deliberadamente executadas .

rsrsrsr

Estou a brincar, claro, meu amigo.
Claro que aqui as mulheres também são mulheres...

Hoje passarei com mais calma no seu blogue logo à noite para ver as novidades.

Um beijinho

Maria

MARIA disse...

Folhetim, agradeço, já lá consto como seguidora.
Aproveito para lhe desejar um Santo Natal.

MARIA disse...

Folhetim, agradeço, já lá consto como seguidora.
Aproveito para lhe desejar um Santo Natal.