Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner Andresen, in “Obra Poética”
6 comentários:
Tenho andado por perto mas hoje comento, especialmente a música que gosto. A poesia não a domino embora aprecie alguns autores e a Sophia está incluída.
Abraço do Zé
Belíssimo
Olá Zé muito obrigado, que bom aqui revê-lo. Um beijinho amigo.
Puma quegosto revê-lo, bom ano 2012! Obrigado
Eu não tenho andado arredado, tenho andado estranho e de boa saúde. Lá no outro não se pode comentar?! È possível encontrar a a poesia quando nos procuramos a nós próprios. Procuro-me! Não me encontrarei nos registos de poesia, porque os meus versos se vão como os segundos, quando olho as nuvens que se vão em minutos, os amigos que se sentam à minha mesa por umas horas, os que partem ao fim de tantos anos.
Essa Sophia tinha os dons da poesia de da humanidade. Mas talvez, de tanto os querer mostrar, se tenha esquecido se semear a poesia no seu ventre e, por isso, tenha dado à luz um menino burgês chamado Miguel. Não se é poeta só porque se escreve mas sobretudo porque se ama a natureza, nem que ela tenha a forma dum filho!
Beijos de encontro à tua poesia. Desculpa alguma ausência, é que tenho aqui uns filhos que são como qualquer planta um desafio e não são sousas nem tavares
Majestade, sabe que integra o espaço da alma aonde se aninha a fonte da poesia nunca dita, apenas gerada e mesmo ausente, está sempre presente.
Muito obrigado.
Um beijinho amigo.
Maria
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