Das muitas estórias de encanto que nela se encontram há uma que mais não é que a representação metafórica da luta e do trabalho do homem , vencendo adversidades, recomeçando inúmeras vezes do ponto de partida para vencer um objectivo de vida até que lhe sobre venha a morte.
E da fragilidade humana que não vence a morte, a dimensão de uma humanidade que aprisionou a morte, a reteve sob domínio e por duas vezes foi capaz de enganar essa própria morte.
Nas mãos de Deus, um homem mortal, contrariando as expectativas dos próprios deuses, venceu a morte.
Os limites do ser humano podem estar muito além do previsível, do imponderável , do esperado.
Este texto é especialmente dedicado a todos os que travam uma batalha com forças ou inimigos desiguais .
Recordo convosco o mito de SISIFO :
Na mitologia grega, Sísifo, filho do rei Éolo, da Tessália, e Enarete, era considerado o mais astuto de todos os mortais.
Brilhando como mestre da malícia e dos truques, a sua inteligência e argúcia acaba por render-lhe o ódio dos deuses a quem apesar de mero mortal não se submetia.
Consta que ele tinha um irmão a quem odiava ( Salmoneu) e cuja morte pretendia. Para o efeito associou-se a Apolo perguntando-lhe como ele poderia matá-lo. O deus respondeu que ele deveria ter filhos com Tiro, filha de Salmoneu, pois esses o vingariam.
E ele teve dois filhos com Tiro que porém descobrindo a profecia, os matou.
Sísifo vingou-se .
E, por esta vingança , ele recebeu como castigo dos deuses uma tarefa interminável que consistia em empurrar uma pedra circular até o lugar mais alto da montanha, de onde ela, uma vez por ele empurrada , rolava de volta montanha abaixo até ao ponto de recomeçar a empurrar para o topo de forma repetida, interminavelmente.
Mas Sísifo casou-se também com Mérope, uma das sete Plêiades e com ela teve o filho Glauco , filhos e filhas.
Certa vez, uma grande águia sobrevoou a sua cidade, elevou nas garras uma bela jovem. Sísifo reconheceu a jovem Égina, filha de Asopo, um deus-rio.
Mais tarde, Asopo veio perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha e qual o seu destino. Sísifo logo fez um acordo com o Deus – Rio ASOPO:
- em troca de uma fonte de água para sua cidade, ele contar-lhe-ia o paradeiro da filha.
O acordo foi feito e a fonte presenteada recebeu o nome de Pirene
Ora isso despertou a raiva do grande Zeus, que enviou o deus da Morte, Tânatos, para levá-lo ao mundo subterrâneo.
Porém o esperto Sísifo conseguiu enganar o enviado de Zeus.
Elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu pescoço com um colar.
O colar, na verdade, não passava de uma coleira, com a qual Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu modificar seu destino.
Durante o tempo que A MORTE ESTEVE APRISIONADA por SISIFO não morreu mais ninguém. Sísifo um HUMANO simples revelou-se assim capaz até enganar a própria Morte.
Mais tarde já liberta por ZEUS a MORTE Sisifo conseguiu enganar a morte por uma segunda vez, fugindo com sua esposa.
Maria Portugal

2 comentários:
Hoje há cada vez mais gente a travar batalhas com forças ou inimigos desiguais...
Excelente texto, gostei.
Maria, querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.
Obrigado meu estimado amigo. Pensava especialmente numa que me é muito próxima e familiar que trava uma batalha pela vida com uma doença que a muitos a tem ceifado.
A verdade é que a morte pode ser aprisionada- basta apanhar Zeus distraído :)
Um beijo meu querido amigo, muito obrigado.
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