quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Para ti


Será talvez pelo imaginário adquirido desde menina , sempre me encantou a mitologia grega.
Das muitas estórias de encanto que nela se encontram há uma que mais não é que a representação metafórica da luta e do trabalho do homem , vencendo adversidades, recomeçando inúmeras vezes do ponto de partida para vencer um objectivo de vida até que lhe sobre venha a morte.
E da fragilidade humana que não vence a morte, a dimensão de uma humanidade que aprisionou a morte, a reteve sob domínio e por duas vezes foi capaz de enganar essa própria morte.
Nas mãos de Deus, um homem mortal, contrariando as expectativas dos próprios deuses, venceu a morte.
Os limites do ser humano podem estar muito além do previsível, do imponderável , do esperado.
Este texto é especialmente dedicado a todos os que travam uma batalha com forças ou inimigos desiguais .
Recordo convosco o mito de SISIFO :
Na mitologia grega, Sísifo, filho do rei Éolo, da Tessália, e Enarete, era considerado o mais astuto de todos os mortais.
Brilhando como mestre da malícia e dos truques, a sua inteligência e argúcia acaba por render-lhe o ódio dos deuses a quem apesar de mero mortal não se submetia.
Consta que ele tinha um irmão a quem odiava ( Salmoneu) e cuja morte pretendia. Para o efeito associou-se a Apolo perguntando-lhe como ele poderia matá-lo. O deus respondeu que ele deveria ter filhos com Tiro, filha de Salmoneu, pois esses o vingariam.
E ele teve dois filhos com Tiro que porém descobrindo a profecia, os matou.
Sísifo  vingou-se .
E, por esta vingança , ele recebeu como castigo dos deuses uma tarefa interminável que consistia em empurrar uma pedra circular até o lugar mais alto da montanha, de onde ela, uma vez por ele empurrada , rolava de volta montanha abaixo até ao ponto de recomeçar a empurrar para o topo de forma repetida, interminavelmente.
Mas Sísifo casou-se também com Mérope, uma das sete Plêiades e com ela teve o filho Glauco , filhos e filhas.
Certa vez, uma grande águia sobrevoou a sua cidade, elevou nas garras uma bela jovem. Sísifo reconheceu a jovem Égina, filha de Asopo, um deus-rio.
Mais tarde, Asopo veio perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha e qual o seu destino. Sísifo logo fez um acordo com o Deus – Rio ASOPO:
- em troca de uma fonte de água para sua cidade, ele contar-lhe-ia o paradeiro da filha.
O acordo foi feito e a fonte presenteada recebeu o nome de Pirene
Ora isso despertou a raiva do grande Zeus, que enviou o deus da Morte, Tânatos, para levá-lo ao mundo subterrâneo.
Porém o esperto Sísifo conseguiu enganar o enviado de Zeus.
Elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu pescoço com um colar.
O colar, na verdade, não passava de uma coleira, com a qual Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu modificar seu destino.
Durante o tempo que A MORTE ESTEVE APRISIONADA por SISIFO não morreu mais ninguém. Sísifo um HUMANO simples revelou-se assim capaz até enganar a própria Morte.
Mais tarde já liberta por ZEUS a MORTE Sisifo conseguiu enganar a morte por uma segunda vez, fugindo com sua esposa.

Maria Portugal

2 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Hoje há cada vez mais gente a travar batalhas com forças ou inimigos desiguais...
Excelente texto, gostei.
Maria, querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.

MARIA disse...

Obrigado meu estimado amigo. Pensava especialmente numa que me é muito próxima e familiar que trava uma batalha pela vida com uma doença que a muitos a tem ceifado.

A verdade é que a morte pode ser aprisionada- basta apanhar Zeus distraído :)

Um beijo meu querido amigo, muito obrigado.