sábado, 22 de dezembro de 2012

ODE À LIBERDADE

" Planeei com todo o cuidado a minha morte;
 ao contrário da minha vida,
 que passou sinuosamente de uma coisa para outra,
 apesar das minhas débeis tentativas para a controlar.
A minha vida tinha tendência a dispersar-se,
 a tornar-se lassa,
 a fazer arabescos e festões como a moldura de um espelho barroco,
 o que acontecia por seguir a lei do menor esforço.

Eu queria que a minha morte,
 por contraste, fosse linear, simples e moderada,
 até um pouco severa,
 como uma igreja quacre (...)"
(Margaret Atwood, Senhora Oráculo, Bertrand Editora, Lxª, 2009
 
 
 
MAS tu antecipas-te-te e apagas-te -me !...
 
 
***
 
Quero nesta quadra sempre especialíssima  desejar a todos
um bom Natal um ano 2013 pleno de esperança e força
para implementar as mudanças que todos necessitamos, para
cada um na sua área e circunstância, saber fazer a sua vida mais feliz!
 
***
 
 
 
E neste País de Grandes feitos Históricos, de Descobertas, de Marinheiros
e Poetas que estruturam esta forma tão peculiar de Ser Português é
com poesia justamente que selarei convosco este voto.  Um poema
de Maria Portugal denominado "Ode à Liberdade" e que é  dos que
conheço à Autora, um dos meus preferidos.
 
B O A S   F E S T A S , F E L I Z 2013 !!!
 
***
 
NUNCA APAGAREI OS VERSOS QUE TE ESCREVI

Nunca apagarei os versos que te escrevi.
Deixarei ao mundo este teu estranho legado...
Quero que os guardes, já que tudo em mim se lhes espelha,
Para que neles recordes tudo o que senti.
O que senti , sinto e sentirei sempre por ti !...

Ainda que sobre mim...
Rebentem trovoadas, escureçam madrugadas
O ar se rarefaça e o mar transborde em mágoas, tempestades,

Esta é, esta será sempre a minha única Verdade !

A que me estrutura o Ser, a essência fora de discussão
Intelectual ou talvez não ...

Por isso, mesmo,que a perseguição prossiga
E me lancem à terra num massacre e guerra
A que eu exausta de tanto batalhar, não sobreviva
E, como a todos chegará um dia, chegue o dia do fim,

Eles ficarão, permenacerão, não partirei de ti,
E venha o que vier, porque me sei tua mulher,

Eu não apagarei os versos que te escrevi !

Estão neles os beijos que não pude dar-te,
Os meus braços, querendo abraçar-te,
O meu corpo ardente, desejando amar-te...
A pouca ternura que podia levar-te
Pese embora nos roubassem o tempo e o espaço
De amar em liberdade,
deixo-te as imagens que tinha para dar,
bem como as palavras que dizem de amar.

E venha o que vier, passe o que passar,
Quero que os guardes para recordar

Que mesmo que a vida venha a terminar,
O que sinto por ti sobrevive ao fim:

Regressarei, se puder, sempre para ti,
Meu amor, flor, meu amor perfeito,
Meu amor eterno, meu amor sem fim...

Não! Foi-me imposta fome, vergonha, miséria
E vindo de quem nada tem, tudo se espera...
Contudo , isso não !
Condenem-me à morte, se vos aprouver...

Porque depois de tudo o que me roubaram
Depois de destruirem tudo o que eu, com a vida, construí :

NUNCA !!!
Eu nunca apagarei os versos que  escrevi para ti !
 
 
 
 
 


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