sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Acalanto

Lembro-me de ti em todos os instantes da minha vida:
múltiplos, disformes, ansiosos, anacrónicos,
ora absolutamente trágicos, ora absolutamente cómicos...

Em todos eles, Tu sempre estás!

Príncipe com olhar titilante de sorrisos ,
segurando as rédeas de um cavalo alado 
de nome Liberdade !

Lembro-me do teu olhar subliminar
que me sorvia beijos com sabor a mel e
desenhava os polmos cheios dos meus 
lábios de anseios a escorregar pela " maçã de adão"
em prece, a suplicar que te beijasse ali ou 
aonde ousasse chegar, ardendo de desejo
e prometendo amar...

Roubaram as palavras, as casas, os caminhos,
arrancaram árvores, destruíram ninhos, 
roubaram-me a vida  e até mesmo o pequeno
quarto lunar aonde eu acorria para te encontrar.

Não sei se tu partiste , não sei se fui levada,
sinto pela tua falta a alma dobrada, 
mas
o cansaço não me mata o ensejo e 
em todos os momentos
disto a que chamamos vida,
eu sempre Te revejo!...

E como antes, como sempre
basta-me o olhar ausente que faço presente
e o coração  assinala e confessa
a emoção interdita que só a nós próprios
ousamos proclamar.

Entre o que quero e não quero 
e de já não saber o que esperar,
a Ti sempre espero, és sempre Tu que quero.

E caiam astros, galguem montanhas os mares
das desventuras que eu já provei de toda a sorte
de amarguras
E ESTOU DE PÉ

Empoleiro-me à linha da vida
para te olhar 
O teu olhar é um lago  doce e terno
aonde se espelha a minha essência
e aonde Tu refazes,
moldando-me em beijos , os pedaços
em que cortam com crueldade
a minha existência,
Refazes-me Mulher
e o sopro divino desse amor
reconstitui a matéria  que eu preciso
para sobreviver

Escorraçada aos teus braços de Paraíso
O teu olhar ,
como nada mais, me fará Viver, renascer,
Nada como Tu acontece que me
faça acontecer 
!...

Maria














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