sábado, 4 de julho de 2015
A LAURA
A LAURA :
Quando tu sentires saudade de alguém que amas e que partiu, sente,
Sente profundamente.
A saudade, a dor, ou mesmo a angústia que te causa a falta desse amor.
Se a vida te maltratou e te colocou em situação de nem ter no bolso
os cêntimos que bastem para comprar um pão e isso gera em ti grande
desolação, chora.
Chora tudo o que doer , ter um filho e não poder satisfazer as suas
mais básicas necessidades, por nada ter, porque o que construíste
te foi abalroado por circunstâncias para as quais em consciência,
não contribuíste.
Estás de luto, cola à pele o fel dessa dor sem cor que alguns vestem
de negro, não tenhas medo de sentir.
Quem não sente nada em relação aquilo que o rodeia
é porque não está bem.
Já amputou a capacidade de reagir às vicissitudes
da vida,
está demente quem já não sente.
(Amorfo , numa anomia colorida para que a quem o rodeia
pareça bela a vida. )
Se te cortas, e tens exposta uma ferida que sangra, de que te
rirás tu ?!...
Chora as tuas dores e sem vergonha expõe as tuas feridas.
Mas não te feches nelas, nem as trates de forma a que
não mais cicatrizem.
Guarda dentro de ti entre a lágrima e o soluço
o espaço para respirar fundo.
Não alimentes rancores, educa a tua mente para perdoar :
A quem te feriu, a ti, especialmente...
E sobretudo nunca penses
que essa dor que hoje te atormenta irá durar para sempre.
Nada é para sempre. Um dia essa dor já não estará ali , aonde
hoje tanto te fere e te magoa.
Olha como nasce o Sol depois de uma noite de chuva e trovoada.
E os pássaros fazem festa e
dançam à sua chegada.
Escuta as vozes do Mar profundo pois
nada como o Mar para nos recordar o quanto é vasto, diverso
belo e secular o nosso Mundo.
Não deixes de sonhar, sonha muito, porque o sonho é verde,
como uma floresta viva e fresca,
verde de esperança...
E mantém a alma aberta
tal qual uma criança, sempre pronta de novo, para amar.
A roda da vida um dia vai virar, e então se tiveres de rir, ri,
festeja cada instante em que te podes alegrar,
Pois tudo é efémero, raro, escasso, demasiadamente
raro para mal gastar ...
Maria Portugal
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