quarta-feira, 1 de julho de 2015

O QUE NINGUÉM DIZ SOBRE A ADOPÇÃO, MAS É PRECISO DIZER





Adoptar uma criança é muito mais do que conduzir-se na vida generosamente.
Adoptar uma criança não pode ser a satisfação de uma necessidade interna , pessoal de maternidade ou paternidade. Nestes casos seria mais adequado dizer –se temos pais para dar para adopção e não temos crianças a necessitar de pais.
Erguer a voz para dizer eu tenho tanto direito a ser pai ou a ser mãe  como qualquer outro ou outra, eu tenho direito a ter um bebé, a ter uma criança a que chame minha, a que troque fraldas e dê papas e banho, coloque a dormir, trate pequenas doenças com a febre inaugural da dor de quem nos está próximo é uma absoluta inversão dos valores que motivam o instituto da adopção.
Ninguém tem direito a criança nenhuma, é a criança que tem direito a uma família, ela, a criança.
Se uma criança pudesse escolher a sua família seria certamente surpreendente verificar que mesmo as que foram institucionalizadas porque os pais viviam miseravelmente, nada tinham para lhes proporcionar uma vida  aonde vissem satisfeitas as suas necessidades essenciais, iam preferir os seus pais, se os tivessem.
É que uma família é uma instituição de laços de afeto e os pobres também amam os filhos.
Bom dirão , mas casos há em que esse afeto não existe, verificam-se abusos inadmissíveis de que há que proteger a criança.
Pensemos então na adopção.
Como são escrutinadas as famílias adoptantes?
Quem é leigo nesta matéria como é o meu caso coloca-se as questões que me coloco : suponho que uma equipa de tecnicos de serviço social avaliae estas famílias.
Uma casa com luxos, estatuto social, notoriedade, serão factores que impressionam ?
Além das motivações para adoptar o que pensa aquela família que é ter um filho ou uma filha ?
Nos primeiros anos, tanto mais se estiver em causa uma criança saudável, tudo é engraçado e apelativo. As crianças vestem-se como bonequinhos de luxo, dizem gracinhas que nos enchem o ego numa casa farta e cheia de amigos.
Mas crescem.
E as crianças, por mais amadas, nem sempre crescem como esperamos.
Quantas vezes, nos melhores colégios, os adoptantes começam a receber da escola os primeiros avisos de faltas, de comportamentos desaquados. A dada altura a criança roubou o  computador de um professor e furou os pneus do carro a outra.
Essa criança linda que tanto quisemos generosamente chamar filho experimentou droga e agora  furta para arranjar dinheiro para os seus consumos.
Furta os próprios pais.
E agora, que fazer ?
Depois de tanto advertir, corrigir, buscar soluções, a nossa criança já não é o motivo da nossa festa e até fez da nossa vida um inferno.
Os pais desavindos, separam-se.
Há que regular o poder paternal entre eles . Há que acompanhar a criança nas ações que ela já tem contra si em Tribunal porque algumas pessoas furtadas por ela , apresentaram queixa.
Há que ressarcir, pagar. Se há muito dinheiro esse não é o problema, mas um filho assim ... que transtorno num meio que sempre foi de tanto bem, de tanta elevação social.
Antes disto, muitos desistem. Outros desistem depois de muito, mas desistem.
 Mas só os que amam, não desistem jamais!
E os que desistem, para aliviar as suas consciências vão dizer que as professoras é que não ensinaram bem. Foi a escola que não fez da criança o filho esperado, ou o Tribunal que obrigado a tomar uma medida , tomou entre as que dispunha a que lhe pareceu mais adequada.
“Não fica assim “, demonstrarão o seu amor procurando uma amiga, um amigo bem colocado, quem sabe a quem já fez alguns favores de circunstância e apresentará queixa das professoras, dos magistrados.
Pois foram eles os culpados da sua criança se tornar no que é. Enfim ...
Tive um dia um cão de água que amei muito . A dado momento da minha vida, por não reunir condições para o ter num apartamento procurei uma família amiga que o adoptasse. Escolhi um casal que do que me era dado saber com segurança, tinha meios para o alimentar e cuidar, tinha espaço, tinha todas as condições para lhe proporcionar uma vida feliz.
Mas certo dia visitei-os e constatei que o meu cão estava amarrado a guardar uma oficina sob um calor tórrido. Não pude conter as lágrimas. Abracei o cão , sujo, que ainda me reconheceu e fui buscar-lhe água fresca. Silenciosamente pedia-lhe que me perdoasse aquela escolha, que me perdoasse o engano. Quis retirá-lo dali, mas não mo permitiram já.

Então acorreu-me pensar que também muitas vezes se escolhem pais só pelo que aparentam, NUNCA É MEDIDA A RESPECTIVA CAPACIDADE DE AMAR, tal como eu escolhi a família que ficou com o meu cão.
O papel da psicologia nesta matéria é de um relevo inestimável. Quem quer adoptar uma criança deve ser avaliado e bem, sob este ponto de vista.
Pensar que uma criança que vive numa família monoparental, ou que apresente diferenças da norma comum não será discriminada é uma questão de ideologia, é um erro grave.
Recordem-se da “Gisberta” o transxessual barbaramente mutilado e assassinado por “crianças”. Se há população menos preparada pedagogicamente para compreender e acolher diferenças, essa é a infantil que muitas vezes, é crudelíssima. Pode ser incorrecto politicamente dizê-lo, mas é verdade.
E as crianças adoptadas além das suas fragilidades adquiridas pelo que a vida já as feriu, terão por acréscimo que lidar com todas essas situações.
Ou seja , o nível de exigência que conhece toda a pessoa que vive uma situação de parentalidade, é muito maior, mais complexo, mais dificil de desempenhar.
Escolher um pai ou uma mãe para uma criança é tornar-se  co- autor ou cúmplice do seu futuro.
NINGUÉM TEM DIREITO A UMA CRIANÇA!
Todas as CRIANÇAS TÊM O DIREITO A SER AMADAS E A CRESCER no seio DE UMA FAMÍLIA que as proteja, que as eduque, não apenas nos seus bons momentos, mas para todos os momentos e pelo resto das suas vidas.

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