Mostrar mensagens com a etiqueta Crítica literária. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crítica literária. Mostrar todas as mensagens

sábado, 12 de dezembro de 2009

Perplexidades ...


A atribuição do prémio literário Fernando Pessoa mostra-se envolta em polémica.



Como é natural as opiniões divergem e , pelo contrário, a Igreja, vê como apadrinhada por justiça divina esta nomeação.
O Prémio Pessoa foi atribuído ao bispo do Porto, D. Manuel Clemente, honra não só o próprio galardoado mas toda a Igreja, disse à Lusa o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), padre Manuel Morujão.
"É um prémio para o qual D. Manuel Clemente tem excelentes méritos, mas penso que é uma distinção que honra não apenas o próprio, mas toda a Igreja", disse.

Para o porta-voz da CEP, D.Manuel Clemente "é um homem que tem tido notáveis intervenções no campo cultural, além do religioso" e acredita que "Fernando Pessoa está a bater palmas junto de Deus" pelo facto de o prémio ter sido atribuído ao bispo do Porto -



Tudo isto ponderado, fico a pensar encomendar aos Santos veia para a escrita e melhor conciliação de corpos e formas entre o encorpado acordo ortográfico, a divisão de frases e a pontuação, o meu corpo e as minhas formas poéticas, já se vê ...

E nem me digam que agora é que me falta a vírgula ...


FERNANDO PESSOA

e

FLORBELA ESPANCA são paixões secretas do meu mundo da poesia.

Arrebatam-me e hão-de arrebatar-me mesmo que nasça enguia em próxima reencarnação.



DELE:


A Chuva Desce a Ladeira

A ÁGUA da chuva desce a ladeira.
É uma água ansiosa.
Faz lagos e rios pequenos, e cheira
A terra a ditosa.
Há muitos que contam a dor e o pranto
De o amor os não qu'rer...
Mas eu, que também não os tenho, o que canto
É outra coisa qualquer.
Fernando Pessoa

DELA :
Amor que morre

O nosso amor morreu... Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria...
E outro clarão, ao longe, já desponta!
Um engano que morre... e logo aponta
A luz doutra miragem fugidia...

Eu bem sei, meu Amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.

E bem sei, meu Amor, que era preciso
Fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir!


Florbela Espanca