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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

domingo, 6 de setembro de 2009

Leituras de fim de verão ...

diana

A Serpente e a Lua

Um livro da Princesa Michael de Kent, edição da Livraria Civilização Editora


Sinopse:
"A lenda de Diana de Poitiers continua, não só porque a vemos hoje disfarçada na sua imagem de deusa criada pelos maiores mestres do Renascimento francês, mas também porque ela era uma mulher de espírito independente que fez da arte de viver a mais alta qualidade da vida, preservando a juventude do espírito, do corpo e da personalidade.


Foi uma feiticeira que inspirou um jovem pouco promissor a tornar-se um magnífico rei; que este a tenha amado toda a vida, apesar de ela ser vinte anos mais velha do que ele, é a prova da sua permanente aura de mistério.


Omnium Victorem Vici - Diana, a deusa da lua, conquistou verdadeiramente o Rei, o Amor e o Tempo.
Aos catorze anos, Henrique casou-se com Catarina de Médicis, da mesma idade, uma não muito atraente mas riquíssima herdeira que traria no seu dote metade da Itália.


Catarina conheceu Henrique no dia do seu casamento e de imediato se apaixonou por ele, mas Henrique não tinha sentimentos senão pela bela Diana.


Depois de coroado rei, Henrique governaria a França com Diana a seu lado.


A relegada Catarina tomou como divisa "Odiar e Esperar" a morte de Diana para conquistar o amor do esposo e finalmente reinar a seu lado.


Mas o destino seria outro...
O triângulo amoroso protagonizado por Henrique II, Diana de Poitiers e Catarina de Médicis ficou marcado por um intenso e perigoso jogo de sedução, traição e morte com incalculáveis consequências políticas e militares para a França e para a Europa do Renascimento.


Nunca uma história com um pendor tão claramente passional teve contornos tão vincadamente políticos como este amor desmedido de Henrique II por Diana de Poitiers."

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

No funeral


Sentia-se estranho.
Estranhamente vestido.
Estranhamente deitado.
Estranhamento rodeado por flores de odores que acutilavam o espirro compulsivo.
Não estava na sua cama e nem de pijama.
Estava deitado com sapatos num madeiro duro, escuro.
Estava muito escuro, até a grande porta se abrir.
Percebeu então que estava morto.
Alguns se abeiraram e falavam de si:
Do seu rosto aparentemente vivo,
Do seu coração que tão generoso fora,
Da viúva, que por certo logo se casaria, “pobre dele que se ia”…
Dos filhos e das necessidades que a sua falta lhes acarretaria,
Dos sarilhos de saias em que se metia …
“ Hum … mais vozes que nozes…” cogitava ele, mais morto de espanto …
Era tanto negro, era tanto o pranto…
E no fundo a um canto, como que escondida, a rapariga da firma de segurança e higiene que garantia tais serviços no seu local de trabalho olhava-o fixamente como que a suplicar que reabrisse os olhos.
Nunca reparara na sua beleza.
Com uma candura roubada à pureza da alma, a expressão de uma dor profundamente silenciada, moldava-lhe o rosto.
Ela sofria.
Sofria, realmente.
Ele podia vê-lo.
Não gritava, nem enfeitava gestos largos de um pesar representado.
A sua lágrima calada, grafitada a esforço pelo silêncio profundo de quem ama aceitando a triste sina de saber nunca poder ver retribuído esse sentimento, revelava-lhe um facto que o ressuscitou daquela morte inacabada:
Entre tantas pessoas que o rodeavam e a quem tanto dava, naquele momento, aquela mulher era a única pessoa que o amava.
Diogo acordou com a sua disposição em alta.
Doía-lhe um pouco as costas, como se as houvesse assentado num madeiro duro e escuro…
Foi trabalhar.
À entrada a menina da firma de segurança e higiene olhou-o e saudou-o com um sorridente, “bom dia senhor doutor Diogo, parece muito bem disposto, deve ter tido bons sonhos esta noite …”
- Sonhei que jantaria hoje com uma linda princesa.
- Ai sim, Senhor Dr ?
- Quer jantar comigo esta noite?
- Euuu?!... Bem eu… e a sua senhora não se zangaria?
- Absolutamente, tratarei para que ela conheça o rico Agente da funerária a quem me entregaria e em quem já esfregava a perna, ainda eu não arrefecera…
- Como?!...
-Aceita?!...

(..........................................................................)

Quantos de nós poderiam realmente afirmar com toda a certeza quem o choraria nesse dia...

A vida surpreende-nos tantas vezes.

Por vezes cuidamos de um espaço, plantando nele as sementes mais profundas, mais bonitas, para que germine em mágico jardim aonde colocamos em alto pedestal as pessoas que queremos encantar e a quem nos damos.

E constatamos que é uma pequena sementinha, que cresceu contrariando as agruras do mau tempo e da qual nunca cuidamos e nem demos nada que floresce na nossa mão e nos ampara nos momentos de aflição ...

(...)

Se pudesse fazia uma expressa, clara e inequívoca declaração de gratidão...
Contudo,

Quero agradecer as lágrimas derramadas pela minha "morte".

Deus serve-se por vezes de outros braços para tomar ao colo aqueles que carregam o peso da ignomínia e da injustiça...


DE CORAÇÃO, MUITO OBRIGADO!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Vida de pedra

Conta-se que certo rei mouro tinha uma filha muito bonita!
A princesa era feliz, porque de nada sentia falta e considerava ser a mais afortunada das raparigas.
Por isso passava os dias a cantar sem nenhuma preocupação.
A sua voz era bela e ecoava com graciosidade pelas terras do reino.
Um dia, enquanto passeava, a princesa conheceu um pastor que há muito a admirava, fascinado pela sua beleza e com a sonoridade da sua voz.
Era um rapaz muito atraente, com evidente nobreza de alma, porém, muito pobre.
Ainda assim a princesa não conseguiu evitar apaixonar-se perdidamente por ele.
E ele, por ela.
Ela passou a considerar que sem o amor do seu pastor nada tinha na vida.
Repentinamente, compreendeu que nada como esse amor importaria para ela.
Porque não podia viver com alegria sem o amor dele e ele nada tinha senão o amor dela.
Porém. quando o rei descobriu este amor desigual, para ele,indigno da condição da filha,
ficou furioso .
Proibiu a princesa de ver o pastor, mas esta sempre o procurava e repetidamente se amavam cada vez mais profundamente.
Então o rei chamou o feiticeiro-mor do reino e lançou sobre a princesa um cruel encantamento.
Prendeu-a numa rocha e determinou que tal feitiço só se quebraria no dia que crescesse centeio daquela pedra.
Diz-se que dos olhos negros belíssimos da princesa brotavam regulamente duas lágrimas que escorriam da pedra até ao solo.
O pastor desesperado passou a dormir junto à pedra aonde aprisionaram sua amada.
E pese embora os feiticeiros do rei o tentassem por variadas formas desviar daquele local, ele inconsolável, nunca o abandonou, passando os seus dias a pensar como vencer desdita tão cruel.
A pedra que era um muro intransponível para a concretização do amor.
A pedra que tinha a dimensão e as formas de todas as impossibilidades.
Vencê-lo-ia ? A ele, cujos sentimentos moveriam montanhas ...
Passou a viver com o exclusivo propósito de encontrar uma forma de viabilizar o seu amor com a princesa.
E um dia ocorreu-lhe uma ideia.
Foi a correr buscar um balde de terra que depositou sobre a rocha.
Em seguida, semeou na terra uns grãos de centeio.
Depois regou a terra e sentou-se à espera.
Durante dias, meses, anos, o pastor aguardou!
Chovia e o pastor esperava.
O sol abrasava, mas o pastor não abandonava a rocha, protegendo o centeio que crescia.
Até que um dia um pau de centeio ficou maduro .
Assim que o cortou, quebrou-se o encantamento da princesa moura.
E foi uma felicidade incalculável voltar a tê-la nos seus braços para nunca mais se separarem.


A comprovar o amor de encanto dos dois, ainda hoje se vêm desenhadas na pedra as formas bonitas do corpo da mulher amada que ali foi encantada.


myspace layouts




Esta história deriva de uma lenda da região de Seia.
Se alguma coisa pode apreender-se pela reflexão é que nada na vida se obtém sem luta e sem determinação.
Talvez na vida, apenas se alcançem aquelas coisas que verdadeiramente queremos a ponto de por elas, "escalar montanhas de impossibilidades", viabilizar o inviável, lutar apesar da consciência do absolutamente improvável ...
Díficil não é atingir uma meta, mas sim desbravar caminhos e perserverar até lá...
Ainda que todos nos pensem tolos por vivermos na miragem de fazer crescer centeio de pedra morta ...