segunda-feira, 20 de julho de 2009

Esbanjador de tempo ...

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Ivan Turguénev nasceu em Orel, no Império russo, em 1818. É considerado uma das figuras mais importantes da literatura russa, ao lado de Dostoiévski e Tolstói.
Estudou Literatura Russa e Filologia na Universidade de São Petersburgo.
Em 1843, ano em que conheceu aquela que viria a ser o grande amor da sua vida, a cantora de ópera Pauline Viardot, casada com Louis Viardot, publicou o poema "Parasha", primeira obra sua a ser amplamente aclamada positivamente pela crítica literária da época.
Deste escritor que publicou pela primeira vez, em 1869, o livro intitulado " O primeiro amor " que igualmente retrata a vida de um amor proibido, magoado e mal vivido de um jovem com uma mulher casada com um terceiro, reli hoje a edição de "Relógio D´Água Editores, Abril 2008", à venda na Bertrand da minha Rua...
Deliciei-me com a história, não obstante a melancolia deixada pela morte da heroína principal no final, sem antes ter vivido o amor que sempre sonhara para a sua vida.
Guardei com particular carinho no meu caderninho de notas especiais e secretas um pensamento que encerra a obra e que creio, deveria estar sempre presente nas nossas mentes.
Aqui vai ele :





" Oh , juventude, juventude! Não te preocupas com nada, parece que todos os tesouros do universo te pertencem, a própria tristeza te é aprazível, a própria angústia te fica bem, és convencida e atrevida, dizes: só eu vivo, olhai... mas os dias correm e desaparecem sem deixar rasto, perdendo-se-lhes a conta, e tudo o que tinhas desaparece como a cera ao sol, como a neve...


E talvez o enigma do teu encanto não seja o de conseguires tudo mas a possibilidade de pensares que consegues tudo- consiste precisamente em lançares ao vento as forças que não saberias aproveitar; consiste em que cada um de nós se considera, sem ironia, um esbanjador de tempo, e acha, a sério, que tem o direito de dizer : oh, o que eu conseguiria se não tivesse perdido tempo em vão! "





Ivan Turguénev

4 comentários:

António disse...

Efectivamente Maria, os clássicos têm sempre muito a ensinar-nos.
Na verdade quantas vezes deixamos escapar como areia entre os nossos dedos, oportunidades que não se repetem, na imbecil injustificada mania de superiormente entendermos sempre que o futuro nos pertence e que o poderemos viver quando assim o desejarmos.
Na verdade só o hoje existe, só o hoje é certo.
O passado fica lá. Não o podemos levar connosco e vivê-lo. Esgotou-se na vivência que nos proporcionou.
O futuro é incerto.
Certo é hoje.
Vive hoje.
Ama hoje.
Sê feliz hoje.
Não planeis fazê-lo amanhã.
Porque o amanhã pode nunca ser teu ...

Adorável Maria, como gostei de reler aqui este pedacinho deste "primeiro amor" adiado para decidir nunca mais adiar a VIDA.

Vou retribuir a amabilidade do beijinho. Obrigado.

Mar Arável disse...

Todos perdemos tempo

até mesmo o que passa

quando pensamos que é ganho

Aprendemos sempre

com a memória

MARIA disse...

António, é muito bonito tudo o que aqui expressou. Mas por vezes as nossas dúvidas, o procurar fazer o que é mais acertado, paraliza-nos um pouco.
A precipitação também me parece um mal que pode ter consequências desastrosas.
É claro que há quem adie sempre, adie para nunca mais, nisso dou-lhe absoluta razão.
Um beijinho e muito obrigada por todas as atenções que me tem dedicado.

MARIA disse...

Mar, lindo mar, é verdade ...


Obrigado.
Um beijinho