
Tão estudada, em diversas perspectivas, que se mostra já esta história, ela permite contudo sempre uma nova reflexão, a descoberta de um novo enigma na natureza humana, a cada novo retorno às linhas de graciosidade do seu enredo.
Na medida em que nunca é apreendida por inteiro, o desafio da descoberta e a beleza dos caminhos por onde me conduz o pensamento, trazem-me sempre atraída, numa espécie de renovado feitiço, pela sua renovada leitura.
O menino que encontrava com o olhar o seu amigo nas estrelas.
Que descobriu que foi o tempo que perdeu com a sua rosa que a tornou tão importante para ele.
Que vivia num planeta, o Asteróide B612, o qual caiu no planeta Terra.
O Asteróide 325, em que só vivia um rei que não tinha ninguém para mandar fazer o que dizia;
o Asteróide 326, onde vivia um vaidoso que estava sozinho e não tinha quem lhe elogiasse;
o Asteróide 327, onde estava um bêbado;
o Asteróide 328, em que vivia um homem de negócios que só pensava em fazer contas;
e finalmente, o Asteróide 330, no qual vivia um geógrafo que sabia onde ficavam os mares, os rios, as cidades, entre outras coisas e que o aconselhou a visitar o planeta Terra, por ser um planeta com boa reputação...
E este menino apreendeu com esta viagem.
Todos temos que fazer a nossa própria viagem ...
Esta história relembra-nos o quanto o amor, a amizade, os afectos, precisam de paciência, de dedicação, de entrega.
Também lhe podíamos chamar, entre outras coisas, "manual de aprendizado do afecto".
Curiosamente algo me causou sempre perplexidade nesta história : o modo agreste, diria mesmo hostil, como o Principezinho trata as rosas que encontra no seu caminho e que não são a sua rosa.
Parece que a obra apresenta aqui uma espécie de lacuna que o meu coração igualmente referencia e identifica na vida :
o menino que aprendeu a amar, a cativar e conservar a sua rosa, não aprendeu e nem ensina como conciliar isso com a coexistência pacífica no seu mundo de tantas outras rosas.
Será essa compatibilidade impossível?
É como se faltasse um capítulo à história, relatando nova viagem, clarificando como compaginar a necessidade de conviver com a multiplicidade das rosas, dedicando-se particularmente a uma única.
Ora como as palavras, as cerejas e os pensamentos facilmente se multiplicam nos nossos sentidos, fui de premissa em premissa a outras realidades, caminhei por histórias, pela ficção, pela lenda e encontrei Salomão.
Salomão não mero Principezinho, foi Rei de Judá e Israel entre os anos 1009 a 922 aC, filho de David e da belíssima Bate-Seba, rezam as escrituras foi abençoado por Deus para ser o homem mais sábio à face da Terra, em todos os tempos.
Teve 700 esposas, princesas (advindas de reinos conquistados) e 300 concumbinas (1 Reis 11.1-3). "Amou" muitas mulheres estrangeiras. Além da filha do Faraó do Egipto, ainda moabitas, amonitas, adonitas, sidônias e hititas .
Como conseguiria Salomão cativar e manter cativas ao seu afecto esta multidão?
A doutrina cristã dá nota extremamente negativa a esta situação.
Fundamentalmente aborrecia-se muito Deus com estas ligações a estrangeiras que alegadamente corrompiam o Estado com ideias diferentes, práticas e formas de estar na vida não cristãs a que o Rei acabava por aderir. ( Talvez noutro post, a ponderação desta ideia...)
O Padre JOAQUIM que faz pouco tempo aqui vos apresentei, do jeitinho dele, dizia-me assim : foi para proteger a PAZ SOCIAL, a HARMONIA da VIDA em COMUNIDADE e a sanidade mental do homem que Deus determinou para cada homem uma única mulher e vice versa : a Adão, Eva. A ti... é só atender aos sinais do coração.
Cada coração tem um mapa ...
É preciso desenvolver sabedoria bastante para o percorrer sem errar o percurso ...
10 comentários:
O Principezinho
já no seu tempo sabia
que nem só de rosas
vivem os jardins
Muito belo o seu texto
Mar, muito obrigado.
Nem só de rosas vivem os jardins e rosas não existem sem espinhos ...
Um beijinho e muito obrigada.
Oi Maria!!!
Belíssimo o seu texto.
Sempre descobrimos uma nova mensagem quando repetimos a leitura do Principezinho de Saint Exupéry, a sua leitura nos propõe um novo olhar sobre o nosso cotidiano.
Beijinhos
Angela
Concordo quando se diz que o amor a amizdade e o afecto, precisam de paciência dedicação e entrga mutua.È possiverl a coexistência passaiva com outros, pois quando uma pessoa ama verdadeiramente outra não há lugar a traições e num rlacionamento tem que haver sinceridade e confiança mutua. o ciume doentio é altamente prejudicial, para a harmonia do casal, quanto a mim deve haver um ciume muito ligeiro que é o oposto de desinteresse.Agora volto a referir que primeiro temos que pensar com a cabeça, e só depois com o coração e analisar bem as coisas. Uma coisa é verdade ninguem muda, e temos que ponderar as virtudes e os defeitos da outra parte antes de nos envolvermos, se nos estamos demasiadamente envolvidos e modificamos a nossa maneira de ser em função do outro,acabamos nuns infelizes e nuns frustrados e não vai resultar, ou se partimos para um relacionamento pensando que o outro mude, tambem não vai dar resultado.
No que refere ao rei Salomão, não acredito que ele tenha amado todas essas mulheres, que fizeram parte do seu curriculum.
Vamos analisar os factos, vivemos numa sociedade machista, todo o homem que ande com muitas mulheres, é logo um machão e todo o seu comportamento, praticamente não é criticado pela sociedade e muitas vezes e tratado como um heroi.
Uma mulher que tenha esse mesmo tipo de comportamento é logo rotulada de p....
Não acredito que ele tenha amado todas essas mulhers (provavelmente não amou nenhuma)pois não acredito que tenha havido uma entrega mutua entre ele e elas no fundo quanto a mim elas eram apenas uma fonte de prazer para ele. Salomão escreveu o livro "Cântico dos Cânticos", que é uma obra de cariz erotico, e não um romance de amor.
Vamos analisar as coisas friamente, qual é a mais antiga profissão?lamentavelmente essa profissão não está em vias de extinção,basta ver o grnde número de casas de alterne que existem, é a lei da oferta e da procura,se elas não tivessem clientes teriam de procurar outro meio de subsistência.No acto sexual é facil uma mulher enganar um homem, pois se este não tiver erecção não pode fazer nada, a mulher pode fazer toda uma encenação, inclusive simular um orgasmo.
Como se diz as conversas são como as cerejas há um amigo meu que diz ter engatado uma mulatinha em Salvador da Bahia (Brasil),pagou-lhe cerca de 100 euros,mas diz que foi uma maravilha.Não acredito que uma mulher que vai com um homem para a cama por dinheiro se entregue a ele, no fundo ela simulou tudo e fez um teatro muito bem feito, ele "comeu gato por lebre"
Resumindo e concluindo, para haver amor amizade e afecto tem que haver paciência dedicação e entrega mutua, e possivel a coexistência passiva com outros desde que as pessoas se respeitem,
Só vejo um relacionamento a dois para poder haver entrega total parte a parte,não faz qualquer sentido a poligamia ou viver de aparências perante a sociedade e cada um fazer a sua vida cá por fora, neste ultimo caso as pessoas estão a enganarem-se a elas proprias
Por agora é tudo alonguei-me um pouco tambem o assunto é propicio a isso, ainda ficarm algumas coisas por dizer.
Até breve beijinhos do: Jose
Obrigada, agradeço muito o seu comentário como sempre tão bem escrito e tão bem pensado.
Acho que é um tema muito complexo.
Se alguém tivesse receita não havia tantos divórcios, tantas pessoas infelizes e outras tantas a fazer de conta que o não são.
O problema não é o que se sente pelo outro, é a forma como se vive com o outro, ou com a outra, entre tantos outros e tantas outras e saturados de uma vida de rotinas por vezes não só cansativas, como desagradáveis.
Um beijinho
Maria
Ângela, obrigado e um beijinho.
Por força da minha realidade actual vejo tudo mais belo do que habitualmente, e fiquei-me pela audição da música que é um refrigério da mente.
Sobre Salomão a sua sabedoria e as suas esposas e concubinas, talvez um otro dia...
Cumps
Oi Maria!!!
Hoje acordei com uma vontade incrível de te abraçar.
(((CADEIA DE ABRAÇOS)))
Você acabou de receber um abraço!
É isto mesmo, não há como se safar!
Você caiu no Abraçódromo! Assim, você vai ter que
abraçar todo mundo que você conhece!
Abrace seus parentes, amigos, inimigos, todo mundo!
O abraço é sinal de afeição.
Ele pode significar tanto, e tantas coisas ao mesmo tempo.
Pode significar um sinal de amor, de amizade, de conforto ou tudo junto!
Mantenha o Abraçódromo vivo!
Beijinhos
Ângela
Ainda bem Guardião, uma criança numa família é sempre uma benção, um acontecimenro feliz.
Fico muito feliz por o saber e desejo as maiores felicidades.
Um beijinho.
Ângela eu retribuo o seu abraço com muito carinho.
Esse abraço iluminou-me o dia.Muito obrigado. Beijinhos.
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